História de quem foge e de quem fica

Elena Ferrante · Capítulo 114 de 124

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História de quem foge e de quem fica

Capítulo 113

Nino viajou de noite e chegou a Nápoles por volta das nove da manhã. Telefonou, Pietro atendeu, desligou. Chamou de novo, corri para atender. Tinha estacionado debaixo de minha casa. Desça. Não posso. Desça logo, se não eu subo. Faltavam poucos dias para minha ida a Viareggio, Pietro já estava em férias. Deixei as meninas com ele, disse que precisava fazer compras urgentes para a praia. Corri para Nino.

Aquele reencontro foi uma péssima ideia. Descobrimos que, em vez de atenuar o desejo, ele se alastrara como um incêndio e demandava mil gestos com uma urgência imprudente. Se à distância, por telefone, as palavras nos permitiam fantasiar, construindo perspectivas animadoras, mas também nos impunham uma ordem, controlando-nos, assustando-nos, aquele nosso reencontro, fechados no espaço mínimo do automóvel, alheios ao calor terrível, deu concretude ao nosso delírio, conferiu-lhe a marca da inevitabilidade, fez dele mais uma peça na grande estação subversiva em curso, o tornou coerente com as formas de realismo da época, as que pretendiam o impossível.

“Não volte pra casa.”

“E as meninas? E Pietro?”

“E a gente?”

Antes de voltar para Nápoles, disse que não sabia se conseguiria passar todo o mês de agosto sem me ver. Nos despedimos em desespero. Eu não tinha telefone na casa que havíamos alugado em Viareggio, ele me passou o número da casa de Capri, me fez prometer que ligaria todos os dias.

“E se sua mulher atender?”

“Desligue.”

“Se você estiver na praia?”

“Preciso trabalhar, não vou à praia quase nunca.”

Em nossa fantasia, telefonar devia servir também para fixar uma data, antes ou depois do feriado de Ferragosto, e acharmos um jeito de nos encontrarmos pelo menos uma vez. Ele pressionava para que eu inventasse uma desculpa qualquer e voltasse a Florença. Ele faria o mesmo com Eleonora e viria me ver. A gente se encontraria em minha casa, jantaríamos juntos, dormiríamos juntos. Outra loucura. Eu o beijei, o acariciei, o mordi e me arranquei dele num estado de felicidade infeliz. Corri para comprar ao acaso toalhas, dois calções para Pietro, balde e pás para Elsa, um maiozinho azul para Dede. Naquele período ela adorava o azul.

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