Ultra Carnem

César Bravo · Capítulo 34 de 105

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Ultra Carnem

Capítulo 14

Em menos de dez minutos, estava de volta ao hotel October. As cervejas geladas ficariam quentes em pouco tempo, o que motivou Nôa a esvaziá-las bem rápido — seu estômago vazio fez o mesmo com os salgados. Só depois da terceira lata, ele colocou a cama em frente à porta e sentou-se sobre ela. Devia ser culpa daquela primeira cerveja, de estômago vazio, ou toda aquela conversa com o esquisitão de jaqueta, mas sentia-se meio paranoico. O casarão dos freis ficava perto do hotel, se ele fosse um pouco mais esperto teria dado ouvidos a Liza e caído fora daquele bairro fedido. O bairro dele não era grande coisa, mas Nôa não precisaria ouvir gente trepando enquanto tentava descobrir o maior enigma da cidade. Acabou deixando a cama poucos minutos depois, decidido a tomar a próxima cerveja em frente à janela que dava para a rua. Posicionou-se como um assassino de aluguel, o corpo colado à parede, apenas os olhos flertando com a rua. Alguns vagabundos pareciam ter acabado de acordar, carregando suas garrafas e carcaças moídas, esmolando de um lado para o outro. As prostitutas e os travestis ainda não estavam por lá, provavelmente não tomariam a rua enquanto o sol brilhasse no céu. Nôa também procurou por seu novo amigo. Graças a Deus não havia sinal do rapaz de jaqueta. Enfim poderia ler o que roubou — e, com a sorte que andava tendo, nada significava. Mas, antes, precisava dormir um pouco, aquelas cervejas o pegaram de jeito.