Ultra Carnem
Capítulo 27
Enfim, sucesso.
Com a ajuda de Liza, Nôa conseguiu erguer o confessionário tombado e empurrá-lo até perto da estátua com o mínimo de barulho. A parte mais difícil agora era descer a estátua. Ela não era de gesso, afinal, mas de madeira. Nôa preferiu ficar com a parte de cima.
— Meu Deus — reclamou. — Isso pesa demais.
— Cuidado aí, eu não quero morrer esmagada dentro de uma igreja — Liza disse.
Seria mesmo uma ideia tão ruim?
Nôa a amava, mas quando Liza começava a falar era preciso um pote de Super Bonder para mantê-la calada. E a ideia de dividir tudo meio a meio o deixava incomodado. Liza tentou sabotá-lo desde o começo, afinal. Com seus pedidos de atenção, suas crises de carência matrimonial… Ultimamente, ela reclamava até do cheiro da pele dele.
— Segura firme. Aí vai — Nôa disse. Abraçou a estátua e a tirou do suporte. Sua coluna gemeu na hora, as veias do pescoço se encheram de sangue, suas pernas tremeram. A coluna balançou um pouco para a frente e para trás, Liza manteve-se em posição, provando que merecia estar com ele. Nôa, ainda em cima do confessionário tombado, segurava a estátua. Ela o ajudou a colocá-la no chão. A mulher ofegava um pouco, tinha ralado o braço segurando aquela coisa e não estava nada feliz com isso. Nôa não esperou pelas reclamações. Assim que tirou as mãos da estátua, correu até a coluna e a empurrou para o lado.
— Eu não acredito… — ele disse.
— Não tem nada aí, não é? Ótimo. Podemos ir para casa e esquecer essa loucura.
— Tem sim, Liza. Está bem aqui.