Ultra Carnem
Capítulo 4
O bonitão estava com o tubo de tinta nas mãos, satisfeito com o sangue generoso que deixava o corpo de Lucrécia.
— Preciso que você beba dessa tinta, Lucrécia. Sinto muito que tenha cortado a mão dessa maneira, mas às vezes você é impetuosa demais para ser controlada. E não se preocupe com o corte, nós daremos um jeito.
Ela olhou para a ponta do osso que emergia de sua perna. Começava a ficar tonta.
— Sinto muito, não posso fazer nada em relação a isso. Você ainda não era minha quando aconteceu.
Atordoada mas decidida, Lucrécia apanhou o tubinho que saiu do bolso de Aim — ele agora parecia humano outra vez — e o destampou. Um pouco de vapor vermelho escapou pelas bordas.
— Só molhe a língua, mulher — preveniu Lúcio. — Você não faz ideia de como é difícil conseguir essa essência.
Ela obedeceu e tão logo sentiu a ferrugem adocicada do líquido, notou seus sentidos se esvaindo. Aim a amparou antes que caísse.
— Quer mesmo fazer isso? Com ela? — ele perguntou a Lúcio.
O Diabo sorriu da inocência de Aim. Ele aprenderia com a eternidade, tão certo quanto Lúcio venceria aquela velha disputa com os Céus. Em vez de responder, Lúcio apanhou a chave do Maverick no bolso da jaqueta.
Aim checou o relógio em seu pulso.
— Eu ainda tenho aquela reunião. Quer ajuda para colocá-la no carro?
— Na verdade, quero que você cuide do Maverick. Vou levá-la para baixo. Pode estacionar o veículo na frente da loja da cigana Sofia. Ninguém naquele lugar colocaria as mãos no meu carro.