Luz das Runas

Joanne Harris · Capítulo 37 de 103

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Luz das Runas

Capítulo 9

 

Enquanto isso, no tráfego intenso do Sonho, Maddy havia concluído que qualquer outra forma de viagem teria que ser preferível a esta. Certamente era o meio mais veloz; mas movimentando-se em descida através do Sonho numa velocidade que ela uma vez julgara inimaginável, agarrada à crina da Serpente com mãos que haviam perdido toda a sensação, tentando não olhar para as coisas que guinavam, a arranhavam e tentavam agarrá-la enquanto ela e Jorgi se arremessavam pela série asquerosa de redemoinhos e quedas que compunham os limites entre os Mundos, Maddy começou a perceber que sua caminhada através da Fortaleza Negra do Mundo Inferior não havia sido nada comparada àquilo.

Havia focos de efêmeras como explosões mortais de fogos de artifício; havia nuvens de parasitas devoradores de carne humana, chuvas de facas e gêiseres em chamas. Depois vinham os mortos, naturalmente: um montão de frios e ávidos dedos descarnados agarrando-se a ela, de vozes sussurrantes que lhe faziam súplicas.

Ajude-nos, Maddy. Ajude-nos a viver…

A viagem durou apenas alguns minutos, embora quando ela houvesse saído do Sonho, parecesse que havia viajado pela metade de sua vida. Abriu seus olhos para a escuridão; e por um momento acreditou que tudo isso havia sido um sonho real, que ela ainda estava em sua cama em casa e que nada disso havia acontecido.

Mas não havia roupas de cama ao seu redor, e o lugar tinha um som ressonante – e um fedor de serpente que Maddy conhecia muito bem. Não. Isso não era um sonho. Isso, ela pensou, deve ser Fim de Mundo.

Ela lançou a runa Sól e se flagrou em alguma espécie de depósito subterrâneo, cujo teto havia parcialmente desabado sob o peso de Jormungand, que se pôs a repousar no chão do alto com sua cabeça recostando alegremente sobre Fim de Mundo, e com o resto dela escondido no Mundo Abaixo.

– Eu lhe disse para ser discreta – sibilou Maddy reprovadoramente, e ficou surpresa ao ver a cabeça da Serpente começar a mudar de Aspecto, tornando-se um grande e peludo cavalo negro com uma cauda tão longa que roçava o chão. Não era um animal especialmente belo, e seu hálito parecia suspeitosamente carnívoro, mas serviria, Maddy pensou; pelo menos até que ela localizasse Maggie.

Ela afagou o cavalo negro cautelosamente.

– Assim está muito melhor, obrigada – disse ela. – Agora, vamos ver para onde você me trouxe.