Luz das Runas

Joanne Harris · Capítulo 67 de 103

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Luz das Runas

Capítulo 5

 

O Bom Livro ainda estava no lugar onde Maggie o havia deixado junto à cama. Um giro duplo da chave dourada e os Capítulos Fechados se revelaram. Sobre seu plinto, o Velho Homem permanecia em silêncio pétreo; mas a faísca de consciência que Maggie vira anteriormente através da runa Bjarkán permanecia como o brilho de um olho meio aberto.

Odin estava desperto, ela sabia, observando cada movimento que ela fazia.

Ela abriu o Livro das Invocações, seguiu o texto com seu dedo, escolheu o cântico relevante e leu as palavras rituais em voz alta:

Eu te nomeio Odin, filho de Bór.

Eu te nomeio Grim, Gan-glàri…

As palavras pareciam quase familiares agora, como as de uma canção muito repetida. Desta vez ela não tropeçou nem errou os nomes secretos. Sobre sua nuca, a marca de runa Ác começou a brilhar num branco prateado.

Maggie. Você não tem que fazer isso.

Maggie ignorou a voz aduladora e se insensibilizou para um contra-ataque. O Velho Homem na certa logo tentaria alguma coisa, assim que soubesse sua intenção.

Eu te nomeio Ialk e Herteit.

Eu te nomeio Vakr e VarmaTyr.

Eu te nomeio Pai dos corvos.

Eu te nomeio Andarilho de Um Olho…

Então a cabeça de Maggie começou a doer. Sua visão se duplicou; tremeu; flutuou. A luz no coração do pedaço de pedra começou a brilhar como vidro derretido.

Por favor, isso dói, disse o Velho Homem.

– Sinto muito, disse Maggie silenciosamente. Eu não tenho escolha. Isso tem que ser feito. Eu te nomeio Pai da Desordem…

Maggie! Por favor!

O berço de runas estava agora tão luminoso que Maggie mal conseguia olhar para ele. A dor de cabeça ficou pior – um capuz de dor pressionando seu crânio.

– Pare com isso! – gritou Maggie alto, e então, com sua força magnética, puxou o berço de luz de runas como uma coleira sufocadora de cão perigoso. – Uma coisa nomeada é uma coisa domada…

A voz em sua cabeça deu um uivo de dor. Misericórdia!

Mas aquele era um sentimento que Maggie não podia mais se permitir. Ela ergueu os olhos do Bom Livro e concentrou toda a sua força magnética sobre a Cabeça.

Assim, estás nomeado, e servil à minha vontade.

Por fim, a luta havia terminado.

E então ela se virou para o Velho Homem em sua rede de luz de runas.

– Sinto por ter tido que fazer isso – lamentou ela. – Mas o tempo está se esgotando. Você sabe o que eu quero. As runas do Novo Manuscrito…

O prisioneiro deu um suspiro mental.

– Você podia ter apenas me pedido – falou ele. – Em vez de me submeter a todo este martírio.

– Sim. Como se você fosse me dizer…

– Claro que eu diria – afirmou o General. – O Novo Manuscrito é seu de direito por nascimento. Como seu nome, seu verdadeiro nome, ele é uma coisa de notável poder. Tome cuidado para não o revelar insensatamente.

– O que você quer dizer com revelar?

– Ah, você descobrirá bem depressa. Eu não tenho que ser um oráculo para saber o que o Murmurador vai lhe pedir em breve.

– O que vai ser? – disse Maggie.

– Ele vai ordenar que você me mate, naturalmente.

Maggie protestou.

– Eu não faria isso…

– Ah, mas você fará – disse o Velho Homem. – Você fará isso porque não terá escolha. Eu posso até lhe mostrar as runas que você usará para me lançar na eternidade.

– As runas – comentou ela.

– Sim, Maggie. As runas.

E agora, por fim, elas apareciam. As runas. As novas runas do Manuscrito Mais Novo, com todas as suas cores, como flâmulas ao vento.

Aesk e Ác, Eh e Ea, Ethel e Perth, Daeg, Wyn e Iar. Suas cores passaram tremulando tão rapidamente que Maggie mal captou seus nomes. Mas isso não importava; ela entendia. Ela já sabia como usá-las. E sabia que podia invocá-las a qualquer momento e curvá-las a seu propósito.

– Nove runas. Isso é tudo?

– Não, há mais uma – disse o Velho Homem. – Uma última, da maior importância, a que vai mudar a forma dos Mundos…

– Qual é? Mostre-me! – pediu ela.

– Não fique tão impaciente, garota – disse o Velho Homem em sua voz seca. – Se você vai me matar, pelo menos me deixe falar primeiro. Um homem pode plantar uma árvore nova por qualquer motivo. Talvez o homem seja afeiçoado a árvores. Talvez ele precise do abrigo. Ou talvez ele saiba que em algum dia próximo precisará da lenha. Plante suas sementes com cuidado, então. De cada Bolota, um Carvalho pode brotar.

– O que tudo isso quer dizer? – perguntou Maggie quando o Velho Homem caiu em silêncio.

– Você que tente solucionar – disse o Velho Homem. – Eu falo como devo, e não devo me calar.

– Mas quem era o homem de que você estava falando?

– Eu falo como devo, e não devo me calar.

– É alguém que eu conheço? – insistiu ela.

– Eu falo como…

– Desejo realmente que você pare de dizer isso! – Maggie olhou para suas mãos. – Por favor. Conte-me o que você tem a dizer.

Por um momento o Velho Homem fez uma pausa, e a luz dentro da Cabeça da pedra brilhou de satisfação.

– Maggie – disse ele baixinho –, tenho procurado por você desde o fim da Era. Isso me tomou mais tempo do que eu pensava, mas acredite nisso. Eu nunca esqueci você. Nem por um momento. Todo este tempo eu tenho tentado encontrar uma chance de levá-la de volta para seu povo.

– Meu povo? – perguntou Maggie, erguendo os olhos. – O Povo do Fogo matou meu povo.

– Não – disse o Velho Homem em sua mente. – O Inominável matou seu povo. O ser que você chama de Mestre, e que Adam chama de Murmurador, matou-os todos com uma única Palavra…

– Foi a Glória que fez isso – disse Maggie.

– Não houve Glória – disse o Velho Homem. – Apenas um exército de dez mil almas, que foi enviado para destruir os Æsir. Sua irmã salvou os Mundos naquele dia. Mas agora o Murmurador tem você, o Cavaleiro cujo nome é Carnificina, e ele tenciona destruir os deuses e reivindicar Asgard para ele mesmo…

– Você está mentindo!

– Eu não posso mentir. Sou um oráculo.

Por um longo tempo Maggie ficou em silêncio, olhando através da runa Bjarkán. Através dela, o Velho Homem ardia em luz, mas ela não conseguiu detectar nenhum traço de engano, nem mesmo uma bruxaria de mentira.

O Inominável havia matado seus pais.

O Murmurador era o inimigo.

Por um momento Maggie sentiu como se sua vida inteira houvesse se despedaçado. A Ordem; o Bom Livro; a Adversidade; todas as verdades imutáveis em que ela fora levada a crer – de repente parecia que nada daquilo tudo havia sido exatamente o que ela pensara. Era como se alguém houvesse lhe contado que os Nove Mundos não estavam alojados nos galhos do Mundo Três, como sempre acreditara, mas estivessem de algum modo flutuando à sua volta no céu, suspensos por nada além de magia. Era estarrecedor; não fazia sentido; e, no entanto, ela entendeu, era verdade.

O Murmurador havia provocado a Glória. A coisa que habitava Adam era uma entidade perigosa, vingativa, voltada à destruição do Povo do Fogo. A irmã que ela nunca conhecera havia causado o Fim dos Mundos e salvado os deuses no processo – e agora o Velho Homem, seu avô, queria que ela fizesse o mesmo: cavalgar junto com eles para a batalha e ajudar a reivindicar seu reino perdido…

– E quanto a Adam? – perguntou ela por fim.

– Quanto a ele? – repetiu o Velho Homem.

– O Murmurador disse que você o mataria.

– Por que eu iria querê-lo morto? – contestou ele. – Maggie, eu sou um oráculo. Este casamento não vai acontecer. Não importa o quanto você possa desejá-lo…

Maggie começou a interromper, mas o Velho Homem continuou.

– Portanto, Adam não é problema nosso – disse ele. – Seu passageiro, contudo, é um grande inimigo nosso. Remova um do outro, e Adam não nos diz mais respeito.

Maggie lutou para entender o que o Velho Homem estava lhe dizendo. Os Æsir não queriam Adam morto. E, no entanto, o casamento não aconteceria. Como isso poderia ser? – perguntou ela a si mesma. Como isso poderia ser, se Adam estava seguro?

Ansiosamente, ela agarrou a ideia que estava à frente das outras em sua cabeça.

– Você jura não o ferir, então? Assim que o Murmurador o libertar?

– Naturalmente que juro.

– Pelo seu próprio nome?

– Pelo meu próprio nome, juro.

Maggie suspirou. Ela sabia o bastante para entender que o juramento era irrevogável.

– Naturalmente, se você me matar, as apostas estão retiradas – continuou o Velho Homem. – Na verdade, é mais que provável que os outros venham atrás de vocês dois. Sua irmã, em particular. Você é muito parecida com ela, a propósito. É uma grande pena que vocês tenham sido criadas longe…

E agora uma série de imagens passou rapidamente pela sua mente como um pacote de cartas de baralho de uma leitora de sorte; de rostos e lugares que ela quase conhecia…

Uma garotinha com cabelo longo e desgrenhado, sentada na forquilha de uma árvore; a mesma garotinha, agora mais velha, lançando uma runa num garoto com olhos malvados e uma mancha úmida em suas calças. Uma garota numa colina; um homem com um pacote sentado ao lado dela, fumando um cachimbo. A mesma garota, mais velha, debaixo da terra, baixando os olhos para um poço de fogo onde uma bola de vidro derretido guinava para cima e para baixo como uma isca de pescador. A mesma garota mais uma vez, numa planície que parecia se estender para todo o sempre…

E então, em algum lugar na cidade abaixo, um homem numa capa e aquela garota novamente, olhando através da runa Bjarkán.

– Ela está aqui? – perguntou Maggie. – Minha irmã está aqui, em Fim de Mundo? Ela seguiu Adam até aqui? E quanto ao Povo do Fogo? Onde eles estão agora? A que distância? Como eles escaparam de Rhydian? E eles podem ir ao Santo Sepulcro a tempo de impedir o casamento?

O Velho Homem suspirou.

– Eu falo como devo, e… etc. e tal. Acho que você conhece o refrão a esta altura.

– Mas e quanto ao casamento?

Odin suspirou outra vez.

– Por favor, Maggie. Tente se concentrar. Há mais coisas do que bolo de casamento nisso. Mundos podem se erguer ou cair com isso tudo, e mesmo os planos mais elaborados podem se tornar uma coisa tão minúscula quanto um beijo de namorado.

E, dizendo isso, o Velho Homem caiu em silêncio de novo, e Maggie Rede abriu os olhos.

– O que ele falou? – perguntou Adam. Naturalmente, ele tinha ouvido apenas metade da conversa de Maggie. – Ele lhe deu o Novo Manuscrito? O que ele lhe contou sobre mim?

Maggie balançou a cabeça, ainda confusa.

– E então? – insistiu Adam impacientemente.

Maggie olhou dentro dos olhos de Adam e viu o Murmurador ardendo neles.

– Primeiro, nós temos um trato – disse ela. – Você disse que libertaria Adam.

– E assim farei – garantiu o Murmurador. – Você achou que eu quebraria Minha promessa? Mas você tem um papel a desempenhar nisso. Depois, o garoto pode ir embora livremente.

– O que você quer dizer? Que papel? – indagou ela.

O Murmurador soltou um suspiro teatral.

– Sempre com as perguntas – disse ele. – Muito bem. Deixe-Me explicar. No Sonho, eu sou desincorporado. Mas Minha consciência nos Mundos Médios requer uma presença física. Até agora, Meu jovem amigo serviu a este propósito. Mas até que eu possa me mudar para um hospedeiro apropriado, temo que devo me impor sobre sua boa vontade por um pouquinho mais de tempo.

Maggie pensou naquilo por um momento.

– Um hospedeiro apropriado? – repetiu ela.

O Murmurador fez Adam dar de ombros.

– Naturalmente – disse ele. – Você não acha que eu gosto de ficar preso neste corpo patético? Eu preciso de alguma coisa mais permanente.

Ele apontou para a Cabeça de pedra. Sua força magnética estava completamente escura agora, e apenas através da Bjarkán ela pôde ver a rede de runas que a prendia. Que qualquer coisa pudesse viver ali já era difícil o suficiente de aceitar; que o Mestre de Adam pudesse escolher fazê-lo era quase inconcebível.

– Você entraria naquilo? – perguntou Maggie.

– Não, Maggie, não é isso. Mas uma coisa com a força magnética. – Os olhos de Adam cintilaram. – Alguma coisa bonita, com runas, talvez…

– Como o quê? – indagou Maggie.

– Apenas deixe isso Comigo. Basta dizer que, na noite de Domingo, tanto eu quanto você teremos o que queremos.

– Mas e quanto ao Velho Homem?

Mais uma vez o Murmurador deu de ombros.

– Agora que você tem as novas runas, não precisamos mais dele. Quando você estiver preparada, apenas diga a palavra e mande-o para o Inferno, que é o lugar de onde ele saiu.

– Você quer dizer, matá-lo? – perguntou Maggie.

– Bem, é claro – confirmou o Murmurador. – Este é Odin, o General dos Æsir. Nosso maior e mais perigoso inimigo. O que você achou que nós íamos fazer? Mandá-lo para a cama com um copo de leite?

Agora Maggie via a armadilha em que fora presa e amaldiçoou o Velho Homem interiormente. Ele sabia que isso aconteceria? Naturalmente. Ele podia ter até planejado a coisa deste modo? Isso também parecia provável. Este era Odin, filho de Bór. Sua perversidade era lendária. Odin, cujos planos eram impenetráveis; que, mesmo reduzido à maior fraqueza – desincorporado, um prisioneiro –, sabia cair como ave de rapina sobre a mente de sua vítima.

Tinha que ganhar tempo, Maggie disse a si mesma. Ela tinha que encontrar uma saída disso. Matar o Velho Homem era impensável – ao menos até que ela encontrasse um meio de proteger Adam da vingança dos Æsir. Mas desobedecer ao Murmurador – isso também era impensável. Adam ainda estava em seu poder; ele podia dilacerar a sua mente…

– O que é, Maggie?

A voz do Murmurador despertou-a de seus pensamentos desagradáveis.

– O Velho Homem me falou que você diria isso. Ele disse que, tão logo você tivesse as runas, me ordenaria a matá-lo.

– Ele lhe falou mesmo, foi? – retrucou o Murmurador, suavemente. – E… Ele falou mais alguma coisa?

Maggie deu levemente de ombros. Ela esperava que ele parecesse petulante, em vez de culpado. Ela sabia que teria que tomar grande cuidado com o que contasse ao Murmurador. Um pouquinho demais, e quem sabia que mal isso poderia causar a Adam antes que ela o subjugasse. Um excesso, e ela perderia o controle.

Sim, ela teria que ser cuidadosa, pensou.

– E aí, garota, o que você está esperando? – disse o Murmurador impacientemente. – Você vai se casar no Domingo. Então, dê-Me o que eu quero, as runas, e eu lhe darei Adam. Temos um trato?

Teimosamente, Maggie balançou a cabeça.

– Não até que você liberte Adam.

Por um momento, houve silêncio. Maggie podia sentir o Murmurador lutando para conter sua fúria. Num momento a coisa iria explodir, e Adam seria o único a padecer.

Mas quando ele falou novamente, sua voz era calma, suas cores suavizadas.

– Maggie, por que você não confia em Mim? – perguntou ele. – Uma semana atrás você estava do Meu lado. Você acreditava em Mim e na Ordem. Uma semana atrás você não podia esperar para derramar um pouco de sangue do demônio. O que ele lhe falou que mudou sua opinião?

– Ele não mudou minha opinião! – garantiu ela.

– Então, o que foi que ele disse? – quis saber o Murmurador.

Maggie olhou dentro dos olhos de Adam. Ela odiava ocultar a verdade dele, mas isso era para seu próprio bem. Se seu passageiro suspeitasse que ela estava tendo pensamentos ocultos…

– Ele fez uma profecia – disse ela. – Avisou que eu teria que fazer uma escolha entre meu Povo e a família. E eu fiz minha escolha. Se o Povo do Fogo vier aqui no Domingo, eu lutarei. Mas não deixarei Adam ser sacrificado. Quero sua palavra de que o manterá seguro. Nós nos casaremos na catedral às oito horas, e então, só então, eu lhe darei as runas e mandarei o Velho Homem embora.

Por um longo tempo Adam ficou em silêncio.

– Domingo – disse ele.

Ela fez que sim.

– Às oito.

– E então você Me dará o Novo Manuscrito?

– Eu juro. Por meu próprio nome.

Por um momento, Maggie sentiu a quase aterradora intensidade da satisfação do Murmurador.

– Muito bem – falou ele por fim. – Se é assim que você quer. Ótimo! – E quando Maggie olhou, sua presença se retirou, deixando apenas Adam, parecendo pálido, mas em posse de si mesmo, no lugar.

Ela deu a ele um sorriso que Adam achou quase arrepiante em sua ternura.

– Eu consegui – disse ela. – Você ficará a salvo. E ninguém vai interromper nosso casamento.

Depois, ela se virou em direção à cama e pegou o pedaço de seda amarela. Ajeitou-o em dobras sobre seu cabelo tosado; o sol tardio bateu sobre as dobras e ela ficou transfigurada, linda, uma deusa em Aspecto, com olhos parecidos ao sol…

Naturalmente, Adam pensou para si mesmo, o amor e o tipo certo de iluminação podem transformar numa beldade até a mais comum das garotas. Mesmo assim, ele sentiu uma pontada de desconforto. Ela se parecia tanto com sua irmã naquele terrível dia nas margens do Inferno! Bela e perigosa, como uma coisa saída de um sonho sobrenatural. Mais um dia, ele disse a si mesmo. Só mais um dia e estaria livre.

A ideia era tão agradável que Adam sentiu uma onda de algo quase parecido à afeição, como você sentiria por um cão vadio que inesperadamente se revela um rateiro muito útil.

– Maggie – disse ele –, você será a mais bela noiva em Fim de Mundo!

E então ele a beijou, e mais uma vez Maggie se esqueceu de tudo o mais, exceto do rosto de Adam – os lábios de Adam, a voz de Adam, os olhos de Adam. Enquanto isso, na rua abaixo, sua irmã gêmea olhava para ela através da runa Bjarkán, e o Velho Homem dormitando, satisfeito, embalando seus sonhos de Asgard.