Luz das Runas
Introdução
Eu espero que vocês tenham lido Runas e, se for este o caso, podem pular este trecho, porque vocês já sabem o que acontece. Se não leram, há apenas algumas coisinhas que devem ficar cientes antes de começarem o livro.
Nós estamos num lugar chamado Interior, uma parte de um dos Nove Mundos existentes nos galhos da Yggdrasil, a Árvore do Mundo.
Os Mundos acabaram várias vezes e certamente acabarão novamente.
As forças da Ordem e do Caos mantêm estes Mundos em equilíbrio precário.
Deuses e demônios (que são quase, mas não muito, a mesma coisa) existem ali em números atordoantes, embora eles tenham a tendência de se relacionar um tanto mal uns com os outros, o que explica a questão do fim do Mundo (ver acima).
Originalmente havia duas tribos de deuses – Æsir e Vanir. Depois de anos de guerra civil, eles decidiram juntar os times (sob o comando de Odin, o líder dos Æsir) para lutar contra seus inimigos comuns e basicamente manter a Ordem nos Mundos. Odin adquiriu runas mágicas (uma maneira bonita de dizer que as roubou) e usou para manter os deuses (e ele mesmo) no poder. Com a ajuda de seu irmão de sangue Loki, um renegado do Caos, criou Asgard, a cidadela dos deuses, onde Æsir e Vanir moravam, reinavam, tinham aventuras, se apaixonavam, cometiam um bom número de erros ridículos, pregando peças desnecessariamente rudes e cruéis uns nos outros (bem, Loki as pregava, de qualquer modo). Por fim, romperam com Loki depois de um tolo mal-entendido (interpretação de Loki, não deles). Isso resultou numa cadeia de acontecimentos que terminou em Ragnarók, uma titânica batalha contra seus inimigos (todos os outros), na qual os deuses foram tidos como mortos, lutando contra as forças do Caos.
Em Runas, Ragnarók veio e se foi, e quinhentos anos se passaram desde então. O mundo mudou. Nós conhecemos Maddy Smith, uma desajustada de catorze anos que vive em Malbry, uma aldeia ao extremo norte no Interior. Maddy tem uma marca de runa – ou uma marca de ruína – na palma da mão que lhe dá poderes especiais, bem como a transforma numa estranha; um retrocesso aos Velhos Dias Ruins, anteriores ao Fim do Mundo e à vinda da Ordem, um grupo religioso baseado no Fim de Mundo e devoto à erradicação de todas as coisas Caóticas, incluindo magia, os Faërie, velhos deuses, lendas e tudo mais que possa dar ao povo do Interior ideias perigosas – ou, pior ainda (que as Leis nos protejam), sonhos.
Mas Maddy realmente tem um bom amigo: Um Olho das Regiões Selvagens, que logo revela ser um dos velhos deuses – nada menos que Odin, líder dos Æsir, que todos julgavam ter morrido no Ragnarók, mas que, ao sobreviver, teve seus poderes diminuídos, como uma sombra de seu Aspecto original. Ele protege Maddy, reconhecendo nela uma potencial aliada, e a alista numa busca pessoal, que não funciona exatamente como ele planejava.
Maddy faz amizade com um duende renegado (com o nome infeliz de Saco de Açúcar) e embarca numa busca particular com consequências imprevisíveis, que acaba em um confronto final e desastroso nas margens do rio Sonho, onde as forças da Ordem são reunidas em massa para destruir todos os Nove Mundos.
Os deuses, claro, ficam completamente reduzidos, mas graças a alguns aliados incomuns, incluindo Jormungand, a Serpente do Mundo, e Hel, a Guardiã dos Mortos…
A Ordem é completamente destruída.
Odin cai.
O Mundo acaba (outra vez).
E Maddy se revela Modi, um dos filhos gêmeos de Thor, que se supunha perdido no Ragnarók.
O Æsir é resgatado, mas, sendo privado de um corpo, é obrigado a assumir o Aspecto do hospedeiro vivo mais apropriado que houver por perto – neste caso, dois humanos, um duende e uma porca barriguda.
Deixamos os deuses na margem do Sonho, raivosos, abatidos, angustiados e com a missão de tapar uma brecha entre os Mundos que pode em breve resultar no Inferno sendo aberto…
Assim, muitas pontas permaneceram soltas. Morreram algumas pessoas boas que deviam ter sobrevivido. Algumas pessoas muito malvadas que deviam ter morrido, de alguma forma, conseguiram sobreviver.
Não é o que vocês chamariam de um final feliz.
Mas foi o melhor que pude escrever naquele momento.
Agora. Continuem lendo…
LUZ
DAS
RUNAS