Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 100 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 98

 

O QUE SOBROU DE ALAN Rice foi varrido para dentro de sacos de lixo e levado embora. Os cães, saciados, com sangue escorrendo pelas mandíbulas, foram controlados com as hastes metálicas e receberam mais uma vez as focinheiras. Agachado, com o rifle apoiado sobre as coxas, Kuchin observava tudo, já pensando nos próximos passos.

Olhou para longe. Água. Uma condição para a sobrevivência. Eles deviam estar indo naquela direção. Era algo lógico. Na verdade, era a única opção. Kuchin podia matá-los facilmente, mas a questão não era essa. Podia ter atirado em Shaw no momento em que ele foi ajudar Rice ou depois de ele ter fugido dos cães. Porém, não importava quando eles iriam morrer, mas como. Kuchin ditaria as regras. Os quatro fizeram o que fora previsto. O ucraniano se levantou e sorriu. É claro que eles não entenderiam de imediato o significado daquela atitude. Mas Kuchin pretendia explicar antes de tudo acabar.

Um eliminado, três a abater. Bem, dois eliminados se contasse o homem na casa, mas Kuchin não se importava muito com aquilo. Ele já havia planejado a ordem das mortes. A mulher seria a última. Não esquecera seu próprio desejo. Primeiro, a possuiria, depois a mataria. Não conseguia pensar em uma vingança melhor. E sua morte seria de longe a mais dolorosa de todas. Seu esfolador estava na mochila. Talvez Kuchin conseguisse bater o próprio recorde de menos de uma hora. Ele achava que sim. Em sua mente, já podia ouvir os gritos.

– Pascal – chamou ele, e o rapaz logo apareceu ao seu lado.

– Sim, Sr. Waller.

– Acho que está na hora de seguirmos em frente.

Kuchin contemplou o céu. O momento mais escuro da noite havia chegado e ido embora e a alvorada começava a despontar.

– Eles devem estar indo para o estreito. Os navios.

Pascal anuiu.

– O canal é mais largo do que eles devem imaginar. E soubemos de uma massa de gelo flutuante por lá ontem, no lado de Labrador. Todos os navios vão ficar bem mais ao sul. Os quatro não vão ver navio algum.

– Acho que eles só vão se dar conta disso ao alcançarem o litoral. Vai estar mais claro. Eles vão fazer sinais e esperar. O cofre das armas estava intacto?

– Sim, senhor. Verificamos após eles terem ido embora. Só por precaução, havíamos tirado todas as armas e munições. Só levaram facas. O grandalhão usou a dele contra um dos cães, mas o animal parece estar bem.

Kuchin alisou o cabo do rifle.

– Uma faca... arma inofensiva contra isto aqui.

– Posso pegar o atalho e fazê-los dar meia-volta na sua direção. Eles só poderão ir para o estreito.

– Faça isso, Pascal. Encaminhe-os até mim. – Kuchin sacou um mapa de bolso e Pascal o iluminou. – Leve-os para cá. – Indicou um ponto no desenho.

– É uma boa estratégia – comentou Pascal, balançando a cabeça em sinal de aprovação.

Ele olhou para uma das picapes, onde estavam sendo colocados os sacos de lixo com os restos de Alan Rice.

– Ele era um idiota.

– Na verdade, ele era muito inteligente, e isso pode levar uma pessoa a fazer coisas muito idiotas. Na inteligência, há ambição. E, na ambição, há perigo.

– Se o senhor diz, eu acredito.

– Encaminhe-os até mim, Pascal.