Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 59 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 57

 

– ESTA FEIRA É MUITO cheia – observou Waller enquanto caminhava ao lado de Reggie pelas ruas estreitas de Gordes. – Pode causar certa claustrofobia.

Ele olhou para trás. Seus dois seguranças abriam caminho por entre vendedores e clientes, esforçando-se para acompanhar o ritmo do casal. Reggie, com a cesta na mão direita, caminhava com passo ligeiro. Já havia comprado alguns itens, inclusive seis guardanapos costurados à mão de um homem cuja mercadoria ficava em um velho furgão com pneus em péssimo estado. Ele fizera um ótimo preço e até dera a Reggie um brinde que estava no fundo da cesta, mas que podia ser facilmente alcançado: uma pistola Beretta.

– Bem, a feira de sábado é a maior.

– Estou vendo. Você quer que eu carregue a cesta?

– Nunca pergunte isso a uma mulher no meio de um surto de compras – respondeu Reggie, arrancando uma risada de Waller.

– Rendo-me à experiência consumista do sexo frágil – disse ele, levantando as mãos em sinal de rendição.

– Obrigada.

Ela olhou para o lado e viu o sinal. No momento combinado, um carro começou a avançar devagar em meio à multidão e a massa foi se afastando para permitir que o veículo passasse. Reggie contou os segundos com seus passos. Precisava ser extremamente precisa.

– Estranho – comentou ela, observando um par de sandálias pendurado em uma barraca.

– O quê? – perguntou Waller.

A moça apontou para trás dele.

– Nunca vi muçulmanos aqui antes.

Waller virou-se depressa e olhou para o outro lado da rua, onde dois homens barbados usando túnicas e turbantes saíam do automóvel.

– Meu Deus, aquilo são armas? – exclamou Reggie.

Waller procurou seus guarda-costas, mas vários estouros ressoaram e a rua se encheu de uma fumaça densa. As pessoas gritaram e saíram correndo às cegas, entrechocando-se e esbarrando em barracas. Waller chamou pelos seguranças, mas não conseguiu vê-los em lugar algum. Ambos estavam no chão, pois tinham recebido tiros certeiros na nuca. Uma jovem passou por eles aos berros e os artigos em sua cesta de compras se espalharam pela rua. Por toda parte, havia gritos e sons de passos acelerados. Outros dois disparos foram ouvidos e a fumaça se tornou ainda mais escura. Os dois muçulmanos surgiram da névoa, empunhando armas e usando máscaras de proteção sobre o rosto, e bloquearam completamente a rua.

– Merda! – praguejou Waller ao vê-los se aproximando.

– Evan, você conhece esses homens?

– Precisamos sair daqui. Agora!

Reggie segurou a mão dele.

– Rápido. Conheço um caminho.

Correram por uma rua lateral e foram dar na torre da igreja.

– Não tem saída! – gritou Waller, furioso.

– Tem, sim, mas precisamos atravessar a igreja. Chegaremos do outro lado do vilarejo. Lembra-se do caminho que mostrei a você antes? É a única rota de fuga.

Por isso Reggie lhe mostrara a trilha, para que Waller soubesse que era segura. Fora uma manobra arriscada, mas, sem ela, não daria para assegurar que ele a seguiria.

Para acelerar a fuga, foi disparada uma bala sobre a cabeça deles. Waller se virou e viu um dos muçulmanos correndo em sua direção.

– Meu Deus, eles estão atirando em nós! – berrou Reggie.

– Continue em frente – exortou Waller, segurando-a pelo ombro e empurrando-a para a frente. – Vamos para a maldita igreja, depressa!

Reggie abriu a porta com um empurrão e Waller a seguiu. Ele arrastou uma pesada cômoda e a usou para bloquear a passagem antes de se voltar para o altar.

– Quem são esses homens? – perguntou Reggie, ofegante.

– Agora não é hora. Ande!

Reggie e Waller desceram correndo a escada. Passaram por uma porta, que ele logo trancou. Percorreram outro lance e chegaram a uma área aberta, mas escura. Aquele era o momento crítico, Reggie sabia. A passagem que eles haviam percorrido antes para sair da igreja ficava à esquerda. Contava com o fato de que, em circunstâncias extremas, Waller não se lembraria. Ela dobrou à direita. Ele se virou e olhou para as escadas ao ouvir um estrondo vindo lá do alto.

– Eles entraram na igreja! – exclamou Waller.

– Vamos, Evan.

Reggie o puxou pela passagem da direita até chegarem na câmara.

As paredes, o teto e o chão explodiram em um clarão. Waller protegeu o rosto do brilho. Ao se voltar para Reggie, viu-a apontando uma pistola em sua direção.

– Bem-vindo ao inferno, Fedir Kuchin – falou ela.