Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 45 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 43

 

 

– SENTI SUA FALTA, JANIE.

Waller tomou a mão da moça.

– Tenho certeza de que muitas coisas o mantiveram ocupado.

– Se me permite perguntar, aonde você foi hoje?

Reggie deu um suspiro.

– Fui a Les Baux ver a mostra sobre Goya.

O sorriso de Waller desapareceu.

– Que pena. Como expliquei, eu esperava levá-la até lá.

– Sinto muito – disse ela secamente.

– E você foi sozinha?

– Evan...

– Entendo. Tenho certeza de que vocês dois se divertiram muito – atalhou ele com um quê de amargura.

– Desculpe, foi uma decisão tomada por impulso. Há muitos outros locais que podemos visitar por aqui.

Ele pareceu se animar.

– Você tem razão. Gostaria de jantar comigo hoje? Na minha casa? Seria uma honra. Contratei um chef local.

– Na verdade, já tenho planos. Bill virá aqui e vamos cozinhar na minha casa.

– Então, Bill virá aqui. Entendo. Suponho que você não possa cancelar o compromisso com Bill.

– Não, mas não tenho planos nem para amanhã nem para o dia seguinte.

– Então, permita-me solicitar desde agora sua companhia para os próximos dias. Podemos ir a Roussillon pela manhã.

Reggie fingiu pensar a respeito.

– Acho que não tem problema, mas vamos com calma, dia a dia.

– Excelente.

Waller se inclinou e beijou a mão da moça.

Um homem esbelto saiu da mansão de Kuchin e foi na direção deles. Reggie notou que ele mancava um pouco. Trajava calças azuis e um colete amarelo sobre uma camisa branca.

Kuchin se endireitou.

– Ah, Alan, quero lhe apresentar esta linda jovem. Alan Rice, Jane Collins.

Eles trocaram um aperto de mãos.

– Alan é meu sócio. Trabalha o tempo todo, mas consegui convencê-lo a passar pelo menos um breve período aqui comigo.

– Foi uma boa decisão, Alan – afirmou Reggie. – Há poucos lugares como a Provence.

– É o que Evan vive me dizendo.

– Bem, aproveite a sua estada.

– É o que estou planejando fazer.

Mais tarde, Reggie estava sentada em sua cama, olhando para o chão. Dali a alguns dias, tudo aconteceria. E, naquele meio-tempo, ela não podia cometer nenhum erro, tinha que agir de maneira impecável e, mesmo assim, as coisas podiam dar errado. Fedir Kuchin estava nas suas mãos. Mas ela fazia aquele trabalho havia tempo suficiente para saber que as aparências enganam. Ele sem dúvida era astuto, portanto, Reggie não podia presumir que o iludira totalmente. Kuchin representava de maneira admirável o papel do pretendente mais velho, mas talvez não passasse disso, apenas um papel.

Ela pôs o rosto nas mãos. A carreira que escolhera não era nada fácil. Não dava mesmo para confiar em ninguém. Além disso, um pensamento não parava de assombrá-la.

O potencial para o mal está à espreita dentro de todos nós.

Embora tivesse discordado da opinião de Kuchin, na verdade conseguia ver alguma verdade naquilo. De fato, em certo nível, o que ela fazia podia ser considerado maléfico. Juiz, júri, carrasco. Quem era ela para tomar aquelas decisões? O que lhe dava aquele direito? E havia também o motivo pelo qual escolhera aquela vida. A imagem do irmão morto lampejou em sua mente. Apenas 12 anos, tão inocente... Uma perda trágica.

Reggie correu para o banheiro, abriu a torneira e jogou água no rosto. Precisava parar de pensar naquelas coisas. Precisava se concentrar.

Ela estava jogando Bill contra Kuchin para o bem da missão. Todo o tempo que passava com qualquer um dos dois homens era por causa da missão, disse a si mesma. Bill Young era apenas uma peça do tabuleiro, nada mais, nada menos.

Sua mente se desconectou por um segundo e, quando suas sinapses recomeçaram a operar, a revelação quase a deixou enjoada.

Se Kuchin achar que estou mesmo interessada em Bill, talvez ele...

Uma parte de Reggie era fria e calculista e lhe dizia que danos colaterais acabavam acontecendo e, se a missão fosse bem-sucedida, justificavam o sacrifício. A outra parte sentia repulsa pela possível morte de um inocente só para que ela pudesse acertar o alvo. Aquilo, a seu ver, era a síntese do próprio mal que alegava combater.

Dê um jeito nisso, Reggie.

No entanto, ela já havia posto todas as engrenagens em movimento. Como pará-las agora?