Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 35 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 33

 

REGGIE SE INCLINOU PARA tirar a foto de uma abelha em um caule de lavanda. Pôs a câmera no bolso de trás do jeans branco e foi em direção à abadia de Sénanque. Fundada por monges cistercienses no século XII, ficava a cerca de 30 quilômetros de Gordes e se chegava até ela por estradas sinuosas que atravessavam montanhas e, em tese, tinham duas pistas, mas só davam espaço para um carro de cada vez.

Ela caminhou rumo ao velho edifício ao qual, durante séculos, homens se dirigiram para aprender as complexidades de sua fé. Atualmente, a abadia abrigava uma capela, uma livraria e loja de suvenires e um espaço para eventos. Monges ainda viviam lá e produziam vários itens para vender, como mel e licores. O terreno era coberto de campos de lavanda, famosos na Provence, embora Reggie tivesse passado no caminho por plantações de girassóis também impressionantes. Todavia, ela não tinha ido até lá por causa dos aspectos hortícolas. Estava ali por causa de um encontro. Aquele lugar fora escolhido em especial porque ninguém poderia segui-la até ali. Caminhos tortuosos de uma só pista faziam isso por você.

Reggie acompanhava um grupo de turistas, mas depois tomou o rumo da loja enquanto eles se dirigiam à capela. O local era abafado e um único ventilador rateava no teto, conseguindo apenas deslocar bolsões de ar quente e viciado de um ponto para o outro. Uma máquina no pequeno saguão vendia cappuccino e Coca. Ela se dirigiu à seção onde havia grandes livros sobre a Provence, e vários, é claro, tinham campos de lavanda na capa.

Enquanto folheava um livro sobre a história da abadia, seu celular vibrou. Verificou a mensagem de texto, que dizia “seis horas”. Pôs o volume de volta no lugar, pegou outro e se virou casualmente.

Whit estava atrás dela, verificando uma pequena talha que representava o edifício da abadia e podia ser comprada por 15 euros. Usava agora boné de beisebol, óculos escuros e jeans surrados, exibindo uma barba crescida e os fones do iPod enfiados nos ouvidos. Ele pôs o objeto no lugar e saiu. Reggie esperou por um minuto e o seguiu após ter comprado o livro que estivera folheando.

Viu-o perto de um muro de pedra baixo que se estendia na parte frontal do edifício com a câmera nas mãos à frente do rosto. Ele levantou a cabeça e a encarou.

– Você poderia tirar minha foto na frente da abadia? – perguntou.

Reggie sorriu.

– Só se você tirar a minha também.

Eles se alternaram fotografando um ao outro e, depois, começaram a caminhar juntos.

– Alguma novidade sobre meu amigo Bill? – indagou ela baixinho.

– Negativo. As digitais não deram em nada. Nem as fotos. Deve ser um bom moço. Seu nome completo, a propósito, é William A. Young.

– “A” é abreviatura de quê?

– Não conseguimos descobrir.

– Acha que ele vai perceber que vocês dois estiveram no quarto dele?

– Fomos muito meticulosos e pusemos tudo de volta exatamente no mesmo lugar. O passaporte é americano, o endereço bateu. Há vários lobistas chamados William Young registrados nos Estados Unidos. Não podemos investigar todos com o tempo de que dispomos. Seria uma perda de tempo. Não vejo nada podre.

– Ou o disfarce dele é tão bom quanto o meu.

– Ou o cara de fato é quem diz ser, Reg.

– Ele escalou um muro e me desarmou. Um lobista?

Aquilo pareceu perturbar Whit.

– Bem, ele é um homem grande. Mas entendo seu argumento. O que você quer fazer?

– Não tenho certeza. O que o professor acha?

– O gênio deixou que você, com sua grande experiência no ramo, decidisse.

– Ótimo. E o que você acha?

– Acho que precisamos pegar Kuchin e uma mudança de planos agora com base em informações inconsistentes pode estragar tudo. Então, mantemos o plano original e, se algo concreto vier à tona, mudamos o curso.

– Como vai Dom?

– Animado e pronto para agir. Então, quais são suas primeiras impressões sobre o velho Fedir?

– As mesmas que eu tinha antes. Ele sabe se impor.

Ele olhou para Reggie, cético.

– Você não foi seduzida, certo?

– Pelo monstro? Nem um pouco.

– Na verdade, não estou falando de Kuchin.

Ela lançou um olhar irritado a Whit, que sorriu com malícia.

– Alto, misterioso e escalador de muros?

– Vou fingir que não ouvi isso – retrucou ela friamente.

– Não estou tentando dizer a você o que fazer...

– Então, pare por aí, Whit.

– Só tome cuidado.

– Olha quem está falando.

– O que você quer dizer com isso?

– Depois de atirar no saco de um alvo, você pintou mesmo uma suástica na testa dele com o próprio sangue?

– Sou um artista.

– Certo. Vou voltar.

– Então, jantar com nosso amigo ucraniano hoje?

– Sim.

– Será que o Sr. Alto e Misterioso vai rondar vocês?

– O vilarejo é pequeno.

– Bem, só não se meta em um ménage à trois. Pode complicar as coisas. E, antes que você pergunte, sim, estou falando por experiência própria.

– Whit, às vezes não sei como tolero você.

– Deve ser meu charme.

– Quem disse que você tem?

Ele pareceu ofendido pela pergunta.

– Sou irlandês, ora! Está no nosso DNA.