Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 15 de 108

Páginas do PDF

Livrai-nos do mal

Capítulo 13

 

– VOCÊ FALOU COM ELA, não foi? – perguntou Frank.

Shaw levantou os olhos dos papéis que examinava.

– Com quem?

– Não se faça de bobo. Katie!

– Como você sabe?

– Porque você está pensativo demais. Se eu soubesse que você ia ficar assim, nunca teria lhe dado aquele maldito número. Como ela estava?

– Bem.

– Sobre o que vocês conversaram?

– O que você tem a ver com isso?

– Nada. Esqueça. Desculpe por me importar. Tudo bem, vamos voltar a Evan Waller.

– Não gosto do plano. Tem buracos demais.

Surpreendentemente, Frank aquiesceu.

– Concordo. O que você sugere?

– Simplificá-lo. O início deve ser simples, assim, se as coisas forem se complicando, ainda será possível administrá-las. Se já começarmos de forma complexa e houver algum previsto, não vai ser nada bom, porque há detalhes demais que podem dar errado.

– Sabemos onde ele mora em Montreal, mas nunca recebemos a autorização dos superiores para agir lá. O lugar é público demais, há grandes chances de danos colaterais e o sujeito não segue um horário preciso. Ele se desloca como um fantasma, sempre trocando de rota e variando a rotina.

– Então, precisamos encontrar um momento na Provence no qual ele obedeça a um cronograma e os danos colaterais sejam mínimos.

Os dois homens olharam para a planta da mansão em que Waller ia se hospedar. Na parede, havia uma tela de plasma com mais dados, inclusive todas as rotas de entrada e saída da área-alvo.

Frank apertou um botão do controle remoto que estava sobre a mesa à sua frente e uma série de imagens surgiu no monitor.

– Ele sempre viaja com esses caras, todos tipos da pesada. E esses são apenas os que conhecemos. Talvez haja mais.

– Ele vai mandar uma equipe de reconhecimento, blindar o local e, depois, se instalar – acrescentou Shaw enquanto estudava os guarda-costas, cada um parecendo mais cruel do que o outro. – Até que ponto as informações sobre o itinerário da viagem são confiáveis?

– São muito confiáveis. Nós as conseguimos através de conversas telefônicas, e-mails e transações de cartão de crédito.

Shaw levantou a cabeça.

– Americanos? Eles têm o melhor hardware e software para isso.

– Digamos que devo aos chefes da ANS e da CIA um excelente jantar.

Frank pegou alguns documentos e falou sobre eles:

– Este é o plano de voo. Ele vai de Montreal a Paris em seu jatinho particular, depois reabastece e continua até o aeroporto de Avignon. Um voo curto. Em geral, ele viaja em um comboio de três veículos. Os carros de aluguel foram reservados em Avignon.

Shaw apertou um botão no laptop e outra imagem apareceu, uma fotografia da rua em que estava localizada a casa alugada de Waller.

– Existe uma mansão ao lado.

– Já foi alugada para alguém.

– Para quem?

– Fiz um levantamento preliminar. Turista. Parece absolutamente limpa.

– Mas bem ao lado?

– Gordes é um destino muito popular e essas mansões são muito procuradas. Não podíamos evitar que fossem alugadas sem levantar suspeitas. Mas não importa. Não vamos agir em Gordes. Grandes chances de danos colaterais.

Shaw olhou para outra tela de computador que mostrava um itinerário parcial de Evan Waller e se endireitou na cadeira.

– Como você sabe que ele vai às cavernas de Les Baux?

– Ele obteve uma permissão especial para o tour e nós acessamos os dados.

– Por quê? Não são abertas ao público?

– Bem, o Sr. Waller queria um tour particular. Fechado ao público. Para isso, desembolsou uma grana. O local é administrado pela iniciativa privada. Eles podem fazer o que querem. Quando vimos o pagamento sendo feito, invadimos o sistema e descobrimos o cronograma. Portanto, sabemos a data exata em que ele estará lá.

Shaw se virou na cadeira para olhar para outro computador cujo disco rígido estava limpo, exceto pelo software de fábrica, que incluía um navegador. Eles o usavam apenas para se conectar à internet. Apertou algumas teclas e leu os resultados.

– Certo. Já ouvi falar desse lugar. É uma galeria que exibe fotos; projeções nas paredes de pedra, tour narrado, documentário gravado e assim por diante. Eles escolhem um artista diferente a cada ano. – Ele ficou ruminando essa nova informação. – Acho que temos o local da nossa extração.

Shaw virou o laptop para que Frank visse a tela. Eram informações sobre o espaço expositivo.

– As cavernas têm uma entrada, várias salas e poucos funcionários, portanto é fácil se perder ou ficar desorientado. Interrompemos a fonte de energia e a equipe de extração já estará no local com equipamento óptico e armas com tranquilizantes poderosos. Separamos o chefão dos capangas e lá vamos nós.

Frank pensou a respeito.

– Também limita os danos colaterais. Precisaremos de agentes em campo para confirmar todos os detalhes.

– Sem dúvida. Mas que lugar é melhor para se pegar um rato do que em um buraco?

– Mas se a operação falhar, o cara vai pegar seu jatinho e cair fora da França.

Shaw se recostou na cadeira.

– Não é perfeito, mas é o melhor que podemos fazer nessas circunstâncias. O tour é o único momento em que temos certeza do seu paradeiro. Não vejo como podemos errar.