Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 66 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 64

 

JÁ NA BIBLIOTECA EM Harrowsfield, Whit terminou de fazer seu relato. A seu lado, estava sentado Dominic, com o braço engessado, e à frente, Mallory e Liza. O professor batia distraidamente com o novo cachimbo na velha mesa enquanto sua assistente se mantinha de cabeça baixa, concentrada, pressionando os lábios, fitando as próprias mãos.

– Você tem certeza de que esse sujeito alto... Qual é mesmo o nome dele? – indagou Mallory.

– Shaw – respondeu Whit.

– Será que esse tal Sahw não armou uma cilada para vocês?

– Ele nos salvou, professor. Por que ele iria sabotar a operação para, em seguida, entrar em cena e nos livrar dela?

– Talvez ele seja exatamente quem diz que é – opinou Liza. – Um agente de outra organização que estava atrás de Kuchin por outro motivo.

– O tráfico de material nuclear – concordou Mallory. – Sim, suponho que essa seja a explicação mais lógica. Uma coincidência inconveniente, perseguir o mesmo canalha ao mesmo tempo, mas por motivos diversos.

– Não acho que tenha sido uma coincidência – comentou Liza. – Eles sem dúvida tiveram o mesmo raciocínio que nós: atacar Kuchin durante as férias porque provavelmente não teriam outra oportunidade.

– E nenhuma notícia de Regina? – perguntou Mallory.

Whit balançou a cabeça.

– Ainda não. Neste momento, eles devem estar em um barco, vindo para cá. Pelo menos, espero que estejam.

– Mas não para Harrowsfield, certo? – indagou Mallory, alarmado. – Espero que ela não chegue acompanhada.

– Ela não é boba – afirmou Whit, mas desviou o olhar.

– Whit, você precisa falar para Reggie vir sozinha. Ela não pode trazer esse homem.

– Estou tentando contatá-la, mas ela não atende o maldito telefone.

– Então, é necessário tentar com mais afinco. Você precisa ir atrás dela.

Whit pareceu furioso.

– Ir para onde? Procurar no terreno de Harrowsfield ou no mundo inteiro? Ela é que se meteu nessa enrascada, logo pode sair dela por conta própria.

– Acho que esse comportamento não nos ajuda em nada – repreendeu Mallory.

– Bem, não estou nem aí para o que o senhor acha – rebateu Whit.

– Precisamos nos acalmar – interveio Liza. – Um pouco de chá, talvez?

Whit bufou.

– Chá? Ora, Liza, me dê uma garrafa de Locke’s 8 anos de malte único e, depois, talvez eu me acalme o suficiente para ouvir esse velho gagá.

– Acho que devemos confiar em Reggie – manifestou-se Dominic, encarando os outros. – Eu confio nela.

Ele se recostou e esfregou o braço ferido, aparentemente exausto após o breve discurso.

– Dominic tem razão – disse Liza.

– Vocês querem mesmo correr esse risco? – perguntou Mallory. – Sacrificar tudo pelo que trabalhamos? – E acrescentou para Whit: – Você se lembra de como ficou preocupado com ela e esse tal Shaw. Ela talvez possa ser persuadida. Ficar cega de... Bem, você entendeu.

O irlandês se mostrou desconfortável.

– Ela afastou essas preocupações com uma explicação perfeitamente razoável. E o fato é que o filho da mãe estava em nossas mãos. A missão deveria ter sido um sucesso.

– Mas vocês foram vítimas de uma emboscada – alegou Mallory.

– Aqueles homens sabiam onde estávamos. Eles nos pegaram no momento certo. Quero saber como aquilo aconteceu. Aliás, preciso saber.

– Talvez vocês tenham cometido um erro – sugeriu Liza. – Eles podem ter desconfiado e seguido um de vocês. Assim, descobriram tudo.

– Ninguém sabia que eu e Dom estávamos envolvidos. E não havia como seguir Reggie quando ela ia nos visitar no chalé.

– Vocês se encontraram na igreja uma noite – lembrou Dominic.

– Esse pode ter sido um furo – admitiu Whit. – Mas precisamos ter certeza.

– E Kuchin ainda está solto – falou Mallory.

– A missão não foi cumprida, professor. Não consigo respirar sabendo que ele ainda está vivo.

– E tenho certeza de que Fedir Kuchin está pensando a mesma coisa a nosso respeito – complementou Liza.

– Foi o que Shaw disse – acrescentou Dominic. – Ele queria nos proteger de Kuchin.

– E eu disse que não precisávamos da proteção dele – retrucou Whit. – E não precisamos mesmo.

– Para quem ele trabalha, afinal? – perguntou Liza.

– Eles possuem um avião, portanto não têm um orçamento apertado como o nosso – respondeu Whit com uma ponta de inveja.

– Não gosto nada disso – comentou Mallory após um longo silêncio. – Não sei se estou mais preocupado com Fedir Kuchin ou com esse Shaw.

– Acho que devemos nos preocupar com os dois – opinou Whit.