Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 32 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 30

 

 

REGGIE SE OLHAVA NO espelho enquanto tirava a maquiagem com um pano úmido, vestindo uma camiseta verde comprida e uma calcinha branca. Seus cabelos, soltos, caíam sobre os ombros. Ela apagou a luz e foi até a janela que dava para a frente da casa. O furgão e um dos utilitários ainda se encontravam lá. A segunda caminhonete havia partido cerca de vinte minutos antes; Reggie ouvira a ignição, porém não chegara a tempo de ver quem estava dentro do veículo.

Mandara uma mensagem de texto ao professor e a Whit dizendo que os homens de Kuchin tinham chegado. Usara uma linha segura, mas, de qualquer forma, pareceria insignificante a quem por acaso a interceptasse: “Querida Carol, a vista aqui é ainda mais linda do que eu pensava. Vou me levantar cedo para ver o sol raiar.”

Ela entrou no quarto e abriu uma fresta de janela, que se moveu para fora como uma porta. Dali, podia enxergar uma parte do terreno dos fundos da propriedade ao lado. Ficou surpresa ao identificar a silhueta de um homem sentado em uma cadeira perto da extremidade da piscina, fumando o que parecia ser um charuto. As luzes estavam apagadas, mas o luar clareava bastante.

É ele. É Fedir Kuchin.

Se Reggie tivesse uma arma, poderia acabar com a vida daquele homem naquele instante. Mas eles não agiam daquela forma.

Viu o homem se encolher. Será que ele a vira? Aquilo teria sido praticamente impossível. Ela não estava em sua linha de visão e não havia luzes atrás de si. Ainda assim, resolveu recuar, mas deixou a janela aberta, calculando que, se a tentasse fechar, Kuchin perceberia que alguém o observava.

Reggie respirou fundo, tirou a camiseta e a calcinha, vestiu o biquíni e desceu a escada. Abriu a porta de correr nos fundos e foi até a piscina escura.

– Certo – disse ela baixinho –, lá vamos nós.

Deslizou para dentro d’água, tomou impulso e começou a nadar.

 

Das colinas, Shaw observava as duas mansões através do equipamento de visão noturna. Viu Reggie em pé diante da janela e, depois, se inclinando para espiar a casa ao lado. Passou a olhar o homem no quintal da outra casa. Evan Waller estava lá sentado, fumando um charuto com dois dos seus seguranças por perto. Shaw deu zoom. Seu aparelho não emitia nenhum sinal, portanto não achava que seria flagrado. Mesmo que eles tivessem um equipamento igual, Shaw observava tudo através de uma fresta entre duas rochas. A probabilidade de que o avistassem naquelas condições era pequena demais para gerar preocupação.

Waller falava ao celular, fazendo movimentos vagarosos. Alguns minutos se passaram e Shaw estava prestes a interromper a vigilância quando viu Reggie sair pela porta dos fundos de biquíni e com uma toalha na mão.

– Ah, pare com isso – falou Shaw. – Você sabe que o safado já andou espiando.

Como se tivesse ouvido Reggie sair, Waller se levantou e foi até o muro que separava as duas casas. Um dos seus guarda-costas se juntou a ele e apontou para a mansão de Reggie. Shaw aumentou um pouco mais o zoom. Era o mesmo cara que a espiara antes. Provavelmente, estava fazendo um relato pormenorizado do incidente. A resolução do equipamento de Shaw era boa, mas não o suficiente para ele enxergar Waller sorrindo. Porém, mesmo sem a imagem para confirmar, tinha certeza de que isso estava acontecendo.

Shaw estremeceu quando o segurança se abaixou e formou um degrau com as mãos. Waller subiu para espiar o outro lado. Reggie ainda estava nadando e Shaw esperava que ela não saísse até que os dois homens voltassem para dentro. Suas esperanças se esvaíram quando ela parou o exercício, subiu os degraus e pegou a toalha.

Waller ainda olhava por cima do muro. Àquela altura, o filho da puta devia estar babando. Ou talvez estivesse se perguntando se a moça seria uma boa aquisição para seu negócio de prostituição.

Shaw voltou a olhar para Reggie. Não tire a roupa, Janie. Não.

Parecia que ela o tinha ouvido. Ainda de biquíni, ela se secou, enrolou a toalha no corpo e entrou na casa. Ninguém que a estivesse observando seria capaz de ver o ponto à prova d’água que ela usava agora no ouvido direito para receber as comunicações de Dominic. Shaw não era o único nas colinas a observar as duas mansões naquela noite.

Waller desceu rapidamente e os dois homens foram para dentro. Shaw deixou seu posto de observação e voltou andando para o hotel. Suava, embora a noite estivesse fresca. Ligou para Frank e contou o que havia acabado de ver. O chefe não estava tão preocupado quanto ele.

– A garota não me interessa. A única coisa que importa é que ele vá a Les Baux como planejado. – Ele acrescentou em tom de ameaça: – E é melhor que essa também seja sua única preocupação, Shaw.

Shaw desligou o telefone. Ele era um profissional, estava fazendo aquilo havia séculos. Só perdera o controle uma única vez, quando se interessara por algo além da missão. Aliás, quando ele se interessara por alguém.