Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 21 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 19

 

NO DIA SEGUINTE, SHAW viajou 15 quilômetros e se encontrou com Amy Crawford perto das ruínas de um velho forte que, como toda construção do tipo, ficava no topo de uma colina. Crawford era baixa, mal batia no peito de Shaw. Mas conhecia muitas artes marciais, corria maratonas e podia matar ou incapacitar com as mãos e com os pés. Embora sua proeza física fosse soberba, era a frieza em campo que havia chamado a atenção de Shaw e feito com que ele a escolhesse para fazer parte da equipe.

Eles dirigiram separadamente até a velha pedreira onde estavam localizadas as cavernas em Les Baux e fizeram o tour. Shaw gravou tudo com uma minicâmera escondida na camisa para poder analisar depois.

– É bom trabalhar de novo com você – comentou Crawford enquanto voltavam para os carros.

– Também é um prazer.

– Com base na planta baixa, a extração deve acontecer sem problemas. O sujeito não poderia ter escolhido um lugar mais conveniente para nós.

– E ele deve saber disso. Portanto, ele e seus seguranças estarão em alerta máximo. Teremos dois segundos de surpresa. É incrivelmente raro termos esse tipo de informação detalhada sobre um alvo. Precisamos agir com perfeição.

– Entendido.

Shaw gesticulou para que ela entrasse no Audi de duas portas e se sentou no banco do carona.

– Faça um resumo completo: quero me certificar de que estamos em sintonia.

Crawford colocou as mãos sobre o volante.

– O tour particular começa às dez horas. Experiências anteriores mostram que ele viajará com um mínimo de quatro e um máximo de seis guarda-costas com coldres e Glocks. Chegam à entrada. O guia é um dos nossos. Ele tem um transmissor de áudio fino como um folículo capilar e uma microcâmera no crachá que vai nos informar sobre os deslocamentos em tempo real. Vai se certificar de que o fluxo coincide o máximo possível com o cronograma. Todos os atendentes terão sido previamente removidos do local. Cinco minutos para ler o material de orientação afixado nas paredes e mais cinco para ouvir a introdução gravada, ou seja, serão no máximo 10h10. A primeira sala demora cinco minutos. A segunda, dois. A terceira, quatro. Ou seja, serão 10h21. A quarta sala é o ponto zero. Sessenta metros por sessenta metros, boa cobertura nas paredes frontal e esquerda. A equipe de extração já está posicionada. A energia está programada para ser cortada sessenta segundos depois da chegada deles ao ponto zero. Sete atiradores com equipamento óptico e rifles disparadores de dardos guiados a laser. Os pontos de mira são pescoço, braço ou coxa, pois talvez eles utilizem uma proteção corporal. Nosso homem na sala de controle da energia começa a contagem de cinco segundos assim que a transmissão em vídeo mostrar o último guarda-costas do grupo cruzando a soleira da sala quatro. A senha “vermelho” aparece em nossos capacetes um segundo antes de a energia ser cortada. Os disparos devem começar na marca de um segundo para evitar qualquer reação que possa perturbar os tiros. Você leva nosso alvo principal enquanto eu derrubo o homem ao lado dele, os outros atiradores atingem os homens em seus setores predeterminados, afastando-se do alvo principal. Tudo resolvido em dois segundos.

– Saída?

– Duas passagens, uma a leste e outra a oeste, partem dessa caverna. A passagem oeste descreve um círculo de volta até a entrada. A passagem leste tem 200 metros de comprimento e vai dar em uma saída de emergência que nos leva para o outro lado da pedreira. Ali, existe uma estrada de fuga. O veículo à espera será uma ambulância. Uma maca com rodinhas estará na passagem leste. Alvo carregado na ambulância; isso não vai demorar mais do que trinta segundos. O mesmo tempo para carregá-lo pela passagem. A ambulância parte assim que as portas traseiras estiverem fechadas. A pista de decolagem fica quarenta minutos ao sul deste lugar. Alvo e equipe de extração saem do espaço aéreo francês antes que os guarda-costas acordem e se perguntem o que diabos aconteceu.

Shaw anuiu com ar de aprovação.

– E, depois, passamos para a próxima missão.

– Essa também é a história da minha vida – falou ela hesitante, observando-o.

– O quê? – perguntou ele, notando sua agitação.

– Só um boato. Sempre me perguntei se era verdade.

Shaw olhou-a sem entender.

– O quê? – insistiu ele.

– Você deu mesmo um tiro na cabeça do Sr. Wells?

– Tivemos um pequeno desentendimento.

Ela sorriu.

– Gosto do seu estilo.

– No fundo, Frank não é um mau sujeito. É só ver além dos seus cem quilos de raiva e disfunção.

– Sério?

– Não, na verdade, não.