Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 43 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 41

 

DEPOIS DE DEIXAR SHAW no hotel, Reggie saiu novamente de Gordes, passou por sua mansão, entrou na estrada principal e foi em frente. Ela se certificou de que não estava sendo seguida e, vinte minutos mais tarde, chegou ao destino.

Dominic a vira se aproximar e esperava ao lado da porta.

– Vejo que Whit se instalou bem aqui – comentou, ao entrar no chalé e ver a bagunça. – A propósito, onde ele está?

– Fora, trabalhando na missão. Disse para eu ficar aqui.

– Acabei de receber uma mensagem de texto do professor. Por isso estou aqui. Ele queria saber se tem algum problema. E tem?

Dominic puxou as mangas da blusa de moletom para cobrir os braços.

– Soube que você e Whit andaram batendo boca.

Reggie se sentou na beirada de uma cadeira.

– O que diabos ele contou?

– Você quer a versão dele sem cortes ou a editada?

– O que ele falou, Dom?

– Nas palavras dele, você “perdeu a cabeça por causa daquele sujeito e provavelmente vai ferrar tudo”, só que ele não usou a palavra “ferrar”.

– É o que você acha?

– Você saiu com ele hoje, certo?

– E vou encontrar de novo com ele à noite.

– Reg...

– E quer saber por quê?

– Por que você não me esclarece? – perguntou ele com sarcasmo.

– Vejo que você anda passando tempo demais com Whit. Esse tom não combina com você, Dom.

– Talvez você não concorde com Whit em tudo, mas os instintos dele são muito bons.

– Não, na verdade são excelentes. Mas eu também tenho instintos. E, desta vez, Whit está enganado.

– Por quê?

Os dois se voltaram e viram Whit na soleira que levava à pequena cozinha.

– Achei que você tivesse saído – disse Reggie.

Whit avançou e se sentou no sofá perto de Dominic.

– Saí e, agora, voltei. Continue falando. Está sendo muito interessante.

– Ah, Bill sabia que alguém havia revistado seu quarto.

– É mesmo? O cara é melhor do que eu imaginava. Preciso ter isso em mente. – afirmou Whit, ainda encarando-a.

– Faça isso. Pelo menos em missões futuras.

– Vamos voltar a esta missão. E ao seu relacionamento com o querido Billy.

– Tudo bem, vou explicar para você. Tenho pouco tempo para pegar Kuchin. Toda a missão depende de ele ir aonde eu quero em um determinado dia, a uma certa hora.

Whit tirou a jaqueta e a jogou sobre uma mesinha em um canto.

– Vá direto à parte que não conhecemos e tememos, ou seja, a relação entre você e o maldito Billy!

– O ciúme é a maneira mais rápida de fisgar um homem – falou Reggie. – Kuchin acha que estou passando tempo demais com Bill e fica incomodado. Ele já reagiu dessa maneira. Isso me põe em vantagem. Ele vai forçar a barra: “Janie, venha a este lugar lindo comigo, aceite meu convite para um jantar maravilhoso, beba esse vinho espetacular...” E chegaremos ao ponto em que Kuchin irá aonde eu sugerir, sem hesitação. Portanto, ter Bill por perto facilitou muito meu trabalho. Não preciso dar em cima de Kuchin, o que é muito bom, pois um homem como ele percebe esse tipo de coisa em noventa por cento das vezes. Kuchin acha que está vindo atrás de mim, é uma história totalmente diferente. E baixou a guarda. – Ela fez uma pausa. – Mas se vocês dois, especialistas em relacionamentos, têm um método melhor, sou toda ouvidos.

Dominic olhou para Whit, que ainda encarava Reggie.

– Então tudo isso está ligado à missão? – questionou Whit.

– Sempre esteve. Tudo o que faço na minha maldita vida se relaciona a alguma missão. Se você parasse de pensar com a cabeça errada, veria isso claramente. Ou será que entendi mal sua última observação em Harrowsfield? Como foi mesmo?

– Um pedaço de coxa e um rostinho bonito, ou algo assim – respondeu ele com um sorriso sarcástico.

– Do que vocês estão falando? – perguntou Dominic, olhando para os dois.

– Não é nada, Dom – respondeu Reggie.

– Vocês estão tendo um caso? – insistiu ele.

Whit riu.

– Não é por falta de tentativas, pelo menos da minha parte, mas a Irmã Reggie aqui não quer saber de nada disso. – Seu sorriso logo desapareceu. – Tudo bem, Reg, o que você acabou de dizer faz sentido. Ciúme.

– Ciúme – repetiu ela, fitando-o. – Funciona com a maioria dos homens.

Whit desviou o olhar.

– Estou com fome. Você quer alguma coisa?

– Não, mas tenho um pedido.

Ele se endireitou, demonstrando interesse.

– Diga.

– Preciso de novos equipamentos.

Dominic a encarou desconfiado.

– Que tipo de equipamento?

– Um que projete imagens em uma parede. Vocês conseguem para mim?

– Não vejo problema – falou Dom. – Avignon tem grandes lojas de produtos eletrônicos.

– Então compre o mais rápido possível.

Whit pareceu confuso.

– O que você tem em mente?

Ela se levantou.

– Você vai ver.

Quando Reggie se aproximou da mansão, avistou Fedir Kuchin no meio da estrada estreita, com os braços abertos para recebê-la.

Com vontade de mandar uma bala no meio dos olhos dele, suspirou, forçou um sorriso e saiu do carro.