Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 18 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 16

 

 

ELES ESTAVAM SENTADOS EM um automóvel fora do aeroporto Charles de Gaulle. Em breve, um avião levaria Shaw para Avignon. O plano era que ele ficasse lá alguns dias antes de seguir para Gordes, que ficava a menos de uma hora de distância de carro.

– Amy Crawford já está na Provence – informou Frank.

– Já trabalhei com ela antes. É uma excelente agente de campo.

– Analisou o plano todo?

– Na minha cabeça, é perfeito. Vamos ver se funciona.

Frank fez menção de acender um charuto, mas Shaw o interrompeu.

– Espere até eu estar a 20 mil pés de altitude. Preciso de oxigênio extra neste instante.

Frank guardou o charuto.

– Nervoso? Não é do seu feitio.

– Vi Katie outro dia.

– Está falando sério? Onde?

– Bem aqui em Paris. Você não sabia?

– Palavra de escoteiro. Não estava a par de nada.

– Deixe disso, Frank. Ela apareceu no restaurante onde eu estava jantando. Como você acha que ela conseguiu fazer isso?

– Você já parou para pensar que ela é uma jornalista de primeira? Ela sabe investigar.

– Certo. – Shaw não acreditava nem um pouco.

– O que ela queria?

Shaw não respondeu de imediato porque, na verdade, não tinha uma resposta. O que ela queria? Apenas se certificar de que eu estava bem? Mas eu já dissera isso ao telefone.

– Shaw?

Ele percebeu que Frank o observava e não parecia feliz.

– Você parecia estar no mundo da lua. Está partindo para uma missão contra um sujeito muito assustador e já está se distraindo? Isso não é nada bom.

– Ela não disse o que queria. E só ficou um minuto.

Frank segurou o braço dele.

– O quê? Quer dizer que você não a convidou para jantar? Ela percorreu essa distância toda para chegar até aqui e...

– Como você sabe a distância que ela percorreu?

Frank fez uma careta e afundou no assento.

– Por que você está fazendo isso? – questionou Shaw.

– Fazendo o quê? – resmungou Frank.

– Na metade do tempo você age como se não desse a mínima para o fato de eu estar vivo ou morto. Na outra metade, parece brincar de cupido.

– Minha mãe fazia a mesma coisa comigo. Deve ser genético.

– Não somos parentes, Frank.

– Em certos aspectos, somos mais próximos do que parentes. E quem mais você tem?

Shaw desviou o olhar e ficou batendo com o passaporte contra a coxa. Quem mais ele tinha? Só Frank. Meu Deus, que pensamento deprimente!

– Então, por que você acha que ela veio me ver?

– É óbvio: ela queria que você dissesse para ela ficar.

– Você tem certeza?

– Não precisa ser um gênio para deduzir. E, não, ela não me falou isso, se é o que você quer saber.

– Nada pode acontecer entre mim e ela, Frank.

– Bem, ao que parece, algo já aconteceu.

– Anna nem bem morreu e...

– A questão não é essa. Você acha que uma mulher inteligente como Katie não sabe o que você sente por Anna? Ela sabe que você não vai correr para a cama com ela. Sabe que talvez você nunca vá para a cama com ela. E acho que ela nem está a fim disso. Pelo menos, não agora.

– Ah, agora você é psicanalista?

– Só estou fazendo uma observação sensata.

– Então, o que ela quer?

– Vocês dois compartilharam muita coisa. Passaram pelo inferno juntos. Ambos saíram dessa emocionalmente em frangalhos. Acho que ela só quer ser sua amiga.

– Bem, tenho uma novidade para você: meu tipo de trabalho não permite amizades.

Shaw bateu a porta do carro atrás de si e saiu andando para tomar o avião para Avignon.

Frank observou-o se afastar até desaparecer em meio à multidão que entrava no aeroporto. Ele disse ao motorista para ir embora. Pegou o charuto, fez menção de acendê-lo, mas acabou guardando-o de novo no bolso do paletó.

– Às vezes, você não sabe a sorte que tem, Shaw – murmurou ele.