Livrai-nos do mal
Capítulo 53
– QUERO VÊ-LO – AFIRMOU REGGIE.
– Essa não é uma boa ideia – retrucou Whit.
Eles estavam de novo na livraria da abadia de Sénanque.
– Não me importa se você não acha uma boa ideia. Quero que você me leve para falar com ele.
– O professor sabe...
– Não estou me sentindo tão solidária a ele neste momento. Me leve para ver Bill.
Shaw estava sentado na cadeira quando ouviu as batidas.
– Afaste-se da porta – disse uma voz.
Ela se abriu e Shaw piscou para ajustar a vista ao novo nível de luz. Então, viu-a ali em pé.
– Sinto muito. Eu não tinha ideia do que acontecera com você.
– Bem, agora me solte.
– Isso não vai acontecer – interveio Whit, dando um passo à frente e postando-se ao lado dela.
Shaw notou outros dois homens na soleira. Não estavam com revólveres em punho, provavelmente porque Reggie pedira, mas ele presumiu que estivessem armados.
– Me diga o que está acontecendo – pediu Shaw. – Talvez eu possa ajudar.
– A mesma resposta da última vez.
Shaw o encarou.
– Você contou a ela sobre Waller, sobre seu histórico?
– Sim, contou – respondeu Reggie. – E algo que você disse vai nos ajudar.
– O quê?
– Não posso contar.
– Por que vocês estão atrás dele?
– Por que você estava atrás dele? – replicou ela.
Shaw ficou em silêncio.
– Terrorismo? – sugeriu ela.
– Waller é um vilão. Precisava ser eliminado. É tudo o que eu posso falar.
– E por que você estava indo embora se ele não foi eliminado? – questionou ela.
Shaw olhou para Whit.
– Para quem vocês trabalham? Interpol? Mossad? MI6 talvez?
Reggie fez menção de responder, mas Whit soltou um grunhido alto.
– Ninguém que você conheça – disse ela por fim. – Então, por que você estava indo embora?
– A operação foi cancelada – respondeu Shaw.
– Porque Waller matou os terroristas? Isso não significa que ele não vai tentar negociar de novo com outras pessoas.
– Eu não dou ordens, apenas as sigo.
– Assim como nós – disparou Whit.
– Como você descobriu sobre mim? – indagou Reggie.
– Pouco antes de eles golpearem meu crânio, tudo se encaixou. A última peça foi seu aviso ao segurança de Waller de que eu não seria mais um problema.
– Eu não queria que algo acontecesse com você.
– Quando vocês vão executar o plano? – Shaw quis saber.
– Muito bem, visita encerrada – interrompeu Whit.
Shaw o ignorou e continuou a encarar Reggie.
– Por que você veio me ver?
– Para dizer que sinto muito.
– Escute, se Waller conseguir passar à frente...
– Ele é muito bom, sem dúvida – cortou ela. – Mas nós também somos. É o que fazemos.
– O quê?
– Assim que tudo estiver terminado, você será libertado ileso. – Reggie fez uma pausa. – Vi alguns homens saindo do hotel com suas coisas. Um deles usava um chapéu e não parecia feliz.
– Tenho certeza de que ele não está muito feliz comigo.
– Podemos contatá-lo, dizer que você está bem, que não é culpa sua.
– Eu cuido disso. Mas deixe-me fazer uma pergunta: se vocês fracassarem e Waller matá-los, o que vai acontecer?
Whit deu um sorriso sarcástico.
– Você dá um jeito de sair daqui. Não será muito difícil para um cara durão como você, certo?
Shaw não desistiu:
– Me falem do plano e eu apontarei os furos.
Whit balançou a cabeça.
– E, depois, você escapa e estraga tudo? Não mesmo.
– Mas... – começou Reggie.
– Não, Reg – vociferou Whit e, em seguida, fez uma careta ao perceber seu erro.
Shaw a encarou.
– Reg de Regina?
– Mais uma vez, obrigada – disse ela, esticando a mão.
Whit fez menção de interrompê-la, mas Shaw já havia apertado a mão dela, sentindo os dedos em chamas. Ao olhar para Reggie, ele percebeu que ela estava tendo a mesma sensação.
Eles se dirigiram para a saída e, antes que a porta se fechasse, Shaw pôde ver o olhar de Reggie fixo nele.
– Espero que vocês peguem o filho da puta – gritou.
Shaw correu até a porta e ficou ouvindo. Só conseguiu captar uma palavra com clareza: “feira”.
Resmungou e deu um tapa na madeira, frustrado.