Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 55 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 53

 

– QUERO VÊ-LO – AFIRMOU REGGIE.

– Essa não é uma boa ideia – retrucou Whit.

Eles estavam de novo na livraria da abadia de Sénanque.

– Não me importa se você não acha uma boa ideia. Quero que você me leve para falar com ele.

– O professor sabe...

– Não estou me sentindo tão solidária a ele neste momento. Me leve para ver Bill.

 

Shaw estava sentado na cadeira quando ouviu as batidas.

– Afaste-se da porta – disse uma voz.

Ela se abriu e Shaw piscou para ajustar a vista ao novo nível de luz. Então, viu-a ali em pé.

– Sinto muito. Eu não tinha ideia do que acontecera com você.

– Bem, agora me solte.

– Isso não vai acontecer – interveio Whit, dando um passo à frente e postando-se ao lado dela.

Shaw notou outros dois homens na soleira. Não estavam com revólveres em punho, provavelmente porque Reggie pedira, mas ele presumiu que estivessem armados.

– Me diga o que está acontecendo – pediu Shaw. – Talvez eu possa ajudar.

– A mesma resposta da última vez.

Shaw o encarou.

– Você contou a ela sobre Waller, sobre seu histórico?

– Sim, contou – respondeu Reggie. – E algo que você disse vai nos ajudar.

– O quê?

– Não posso contar.

– Por que vocês estão atrás dele?

– Por que você estava atrás dele? – replicou ela.

Shaw ficou em silêncio.

– Terrorismo? – sugeriu ela.

– Waller é um vilão. Precisava ser eliminado. É tudo o que eu posso falar.

– E por que você estava indo embora se ele não foi eliminado? – questionou ela.

Shaw olhou para Whit.

– Para quem vocês trabalham? Interpol? Mossad? MI6 talvez?

Reggie fez menção de responder, mas Whit soltou um grunhido alto.

– Ninguém que você conheça – disse ela por fim. – Então, por que você estava indo embora?

– A operação foi cancelada – respondeu Shaw.

– Porque Waller matou os terroristas? Isso não significa que ele não vai tentar negociar de novo com outras pessoas.

– Eu não dou ordens, apenas as sigo.

– Assim como nós – disparou Whit.

– Como você descobriu sobre mim? – indagou Reggie.

– Pouco antes de eles golpearem meu crânio, tudo se encaixou. A última peça foi seu aviso ao segurança de Waller de que eu não seria mais um problema.

– Eu não queria que algo acontecesse com você.

– Quando vocês vão executar o plano? – Shaw quis saber.

– Muito bem, visita encerrada – interrompeu Whit.

Shaw o ignorou e continuou a encarar Reggie.

– Por que você veio me ver?

– Para dizer que sinto muito.

– Escute, se Waller conseguir passar à frente...

– Ele é muito bom, sem dúvida – cortou ela. – Mas nós também somos. É o que fazemos.

– O quê?

– Assim que tudo estiver terminado, você será libertado ileso. – Reggie fez uma pausa. – Vi alguns homens saindo do hotel com suas coisas. Um deles usava um chapéu e não parecia feliz.

– Tenho certeza de que ele não está muito feliz comigo.

– Podemos contatá-lo, dizer que você está bem, que não é culpa sua.

– Eu cuido disso. Mas deixe-me fazer uma pergunta: se vocês fracassarem e Waller matá-los, o que vai acontecer?

Whit deu um sorriso sarcástico.

– Você dá um jeito de sair daqui. Não será muito difícil para um cara durão como você, certo?

Shaw não desistiu:

– Me falem do plano e eu apontarei os furos.

Whit balançou a cabeça.

– E, depois, você escapa e estraga tudo? Não mesmo.

– Mas... – começou Reggie.

– Não, Reg – vociferou Whit e, em seguida, fez uma careta ao perceber seu erro.

Shaw a encarou.

– Reg de Regina?

– Mais uma vez, obrigada – disse ela, esticando a mão.

Whit fez menção de interrompê-la, mas Shaw já havia apertado a mão dela, sentindo os dedos em chamas. Ao olhar para Reggie, ele percebeu que ela estava tendo a mesma sensação.

Eles se dirigiram para a saída e, antes que a porta se fechasse, Shaw pôde ver o olhar de Reggie fixo nele.

– Espero que vocês peguem o filho da puta – gritou.

Shaw correu até a porta e ficou ouvindo. Só conseguiu captar uma palavra com clareza: “feira”.

Resmungou e deu um tapa na madeira, frustrado.