Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 53 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 51

 

REGGIE CONTOU AS BRAÇADAS, fez a virada olímpica e prosseguiu na direção inversa. Estava nadando tão rápido que se desconcentrou e acabou batendo com a cabeça na borda. Subiu até a superfície, esfregou o local dolorido e olhou ao redor. A mansão de Waller estava às escuras e não havia espiões no muro que separava as duas propriedades. Foi até a escada e saiu da piscina. Secou-se com a toalha, pegou o celular e encaminhou-se para a casa. Ao ver a mensagem de texto no telefone, se sobressaltou. AGORA. Era a indicação de alerta máximo.

Ela subiu correndo para o quarto, onde fez uma ligação.

– Precisamos nos encontrar – disse Whit.

– Um encontro? Quando?

– Imediatamente.

– É uma da madrugada.

– Agora, Reg.

– O que aconteceu?

– Um novo desdobramento do qual você precisa saber.

– Sério, Whit...

– O lugar de sempre. – Ele desligou.

Ela se vestiu às pressas e apagou todas as luzes como se estivesse indo para a cama. Desceu a escada, abriu a porta dos fundos, certificou-se de que não havia ninguém e saiu pela trilha escura.

Alguns minutos mais tarde, vendo que ninguém a seguia, chegou ao ponto de encontro. Quase gritou ao sentir uma mão em seu ombro.

Whit saiu da escuridão com uma expressão dura.

– Que diabos está acontecendo? – perguntou Reggie, apertando o próprio peito. – Toda vez que preciso sair sorrateiramente da casa é uma oportunidade para que eles fiquem desconfiados.

– Não tinha outro jeito – disparou Whit, sentando-se no banco de pedra.

– Tudo bem, claro que é algo importante. Desembucha.

– Recebemos novas ordens do professor.

– O quê?

– Aliás, eu recebi ordens do professor e já as executei.

Reggie o encarou, surpresa.

– Do que você está falando?

– Ele nos mandou tirar o seu amigo da equação.

– Meu amigo?

– Bill Young.

– O quê? Vocês não...

– Ele está bem. Nós o raptamos. Ele está descansando.

– Vocês estão loucos? Ele...

– A decisão não foi minha, está bem? E o professor não queria que você soubesse. Mas eu não gosto dessa situação. Então, vim contar para você.

– Por que Mallory quis que você raptasse Bill? Ele estava indo embora da França.

– Eu não sabia disso – retrucou, irritado.

– Não tive oportunidade de contar.

– Não devia fazer diferença. O professor queria tirá-lo do caminho e, provavelmente, foi uma boa decisão, pelo que acabei de descobrir.

– Do que você está falando? – indagou Reggie, com cautela.

– Seu amigo não é o que parecia ser. – Ele fez uma pausa. – Acho que ele é um policial ou algo assim. Talvez seja da contrainteligência, Interpol, coisa do gênero.

Reggie se sentou ao lado de Whit.

– Por quê?

– Pelo que ele disse.

Reggie desviou o olhar.

– Você não parece chocada.

– Eu sabia que Shaw havia sumido do hotel. Quando fui verificar, vi alguns homens entrarem no quarto e levarem suas coisas. O recepcionista me falou que eles estavam armados.

– Bem, obrigado por me dizer isso.

– Conte-me tudo. Desde o momento em que vocês o pegaram.

Whit fez o relato e prosseguiu:

– Ele nos aconselhou a ter cuidado, seja qual for nosso plano. Informou-nos que Kuchin comanda um esquema internacional de escravas sexuais, raptando garotas da Ásia e da África para vendê-las no Ocidente, e que tentou vender urânio para terroristas islâmicos.

– Espere um minuto. Ele sabe que Waller é Kuchin?

– Acho que não. Pelo menos, nunca usou esse nome. De qualquer maneira, Young contou que Kuchin acabou matando os muçulmanos. Ele acha que houve algum desentendimento. E acredita que Kuchin está de olho em você e é melhor ficarmos em alerta para você não desaparecer. Para ele, é muito provável que Kuchin descubra pelo menos parte do que pretendemos fazer. – Whit se recostou. – Acho que meu julgamento sobre ele estava errado. Na verdade, estávamos trabalhando do mesmo lado, mas não sabíamos.

– Mas se ele não sabe do passado de Kuchin, por que está atrás dele?

– Talvez por causa da questão do terrorismo ou da escravidão sexual.

– E ele está bem?

– A não ser por um pequeno galo na cabeça, sim. O cara é durão, mas nós já sabíamos disso, não é?

– Obrigada por me contar, Whit.

– Nada de segredos, certo? Mas, Reg, o que Young disse me deu uma ideia.

– Qual?

– Kuchin matou todos esses muçulmanos. Podemos usar isso a nosso favor.

– Como?

Ele se inclinou para a frente.

– Da seguinte maneira...