Livrai-nos do mal
Capítulo 51
REGGIE CONTOU AS BRAÇADAS, fez a virada olímpica e prosseguiu na direção inversa. Estava nadando tão rápido que se desconcentrou e acabou batendo com a cabeça na borda. Subiu até a superfície, esfregou o local dolorido e olhou ao redor. A mansão de Waller estava às escuras e não havia espiões no muro que separava as duas propriedades. Foi até a escada e saiu da piscina. Secou-se com a toalha, pegou o celular e encaminhou-se para a casa. Ao ver a mensagem de texto no telefone, se sobressaltou. AGORA. Era a indicação de alerta máximo.
Ela subiu correndo para o quarto, onde fez uma ligação.
– Precisamos nos encontrar – disse Whit.
– Um encontro? Quando?
– Imediatamente.
– É uma da madrugada.
– Agora, Reg.
– O que aconteceu?
– Um novo desdobramento do qual você precisa saber.
– Sério, Whit...
– O lugar de sempre. – Ele desligou.
Ela se vestiu às pressas e apagou todas as luzes como se estivesse indo para a cama. Desceu a escada, abriu a porta dos fundos, certificou-se de que não havia ninguém e saiu pela trilha escura.
Alguns minutos mais tarde, vendo que ninguém a seguia, chegou ao ponto de encontro. Quase gritou ao sentir uma mão em seu ombro.
Whit saiu da escuridão com uma expressão dura.
– Que diabos está acontecendo? – perguntou Reggie, apertando o próprio peito. – Toda vez que preciso sair sorrateiramente da casa é uma oportunidade para que eles fiquem desconfiados.
– Não tinha outro jeito – disparou Whit, sentando-se no banco de pedra.
– Tudo bem, claro que é algo importante. Desembucha.
– Recebemos novas ordens do professor.
– O quê?
– Aliás, eu recebi ordens do professor e já as executei.
Reggie o encarou, surpresa.
– Do que você está falando?
– Ele nos mandou tirar o seu amigo da equação.
– Meu amigo?
– Bill Young.
– O quê? Vocês não...
– Ele está bem. Nós o raptamos. Ele está descansando.
– Vocês estão loucos? Ele...
– A decisão não foi minha, está bem? E o professor não queria que você soubesse. Mas eu não gosto dessa situação. Então, vim contar para você.
– Por que Mallory quis que você raptasse Bill? Ele estava indo embora da França.
– Eu não sabia disso – retrucou, irritado.
– Não tive oportunidade de contar.
– Não devia fazer diferença. O professor queria tirá-lo do caminho e, provavelmente, foi uma boa decisão, pelo que acabei de descobrir.
– Do que você está falando? – indagou Reggie, com cautela.
– Seu amigo não é o que parecia ser. – Ele fez uma pausa. – Acho que ele é um policial ou algo assim. Talvez seja da contrainteligência, Interpol, coisa do gênero.
Reggie se sentou ao lado de Whit.
– Por quê?
– Pelo que ele disse.
Reggie desviou o olhar.
– Você não parece chocada.
– Eu sabia que Shaw havia sumido do hotel. Quando fui verificar, vi alguns homens entrarem no quarto e levarem suas coisas. O recepcionista me falou que eles estavam armados.
– Bem, obrigado por me dizer isso.
– Conte-me tudo. Desde o momento em que vocês o pegaram.
Whit fez o relato e prosseguiu:
– Ele nos aconselhou a ter cuidado, seja qual for nosso plano. Informou-nos que Kuchin comanda um esquema internacional de escravas sexuais, raptando garotas da Ásia e da África para vendê-las no Ocidente, e que tentou vender urânio para terroristas islâmicos.
– Espere um minuto. Ele sabe que Waller é Kuchin?
– Acho que não. Pelo menos, nunca usou esse nome. De qualquer maneira, Young contou que Kuchin acabou matando os muçulmanos. Ele acha que houve algum desentendimento. E acredita que Kuchin está de olho em você e é melhor ficarmos em alerta para você não desaparecer. Para ele, é muito provável que Kuchin descubra pelo menos parte do que pretendemos fazer. – Whit se recostou. – Acho que meu julgamento sobre ele estava errado. Na verdade, estávamos trabalhando do mesmo lado, mas não sabíamos.
– Mas se ele não sabe do passado de Kuchin, por que está atrás dele?
– Talvez por causa da questão do terrorismo ou da escravidão sexual.
– E ele está bem?
– A não ser por um pequeno galo na cabeça, sim. O cara é durão, mas nós já sabíamos disso, não é?
– Obrigada por me contar, Whit.
– Nada de segredos, certo? Mas, Reg, o que Young disse me deu uma ideia.
– Qual?
– Kuchin matou todos esses muçulmanos. Podemos usar isso a nosso favor.
– Como?
Ele se inclinou para a frente.
– Da seguinte maneira...