Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 38 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 36

 

– POR QUE EU ESTARIA perturbada? – indagou Reggie.

Como ela ficou parada, Shaw se aproximou.

– Desculpe, acho que me enganei. Como foi o jantar?

– Foi agradável. Ele entende bastante de vinhos. Tem bom papo.

– Não tenho dúvidas.

– Algum problema?

– Eu disse que um dos homens dele estava espionando você. Depois, eles bloqueiam a rua como se fossem donos...

– Evan se desculpou – atalhou ela.

– Ah, esse é o nome dele?

– Sim. Ele me falou o sobrenome também, Waller. Ao contrário de você.

– Young. Bill Young. – Ele fez uma pausa. – Alguém revistou meu quarto no dia em que fomos andar de caiaque.

Reggie pareceu genuinamente surpresa com aquela notícia e passou a respeitar ainda mais Shaw, assim como a suspeitar mais dele.

– Levaram alguma coisa?

– Não que eu tenha percebido.

– Por que alguém faria isso?

Shaw deu de ombros.

– Gordes está se mostrando mais empolgante do que eu achei que seria.

Eles começaram a caminhar. À frente, perto da praça do vilarejo, alguns adolescentes tocavam guitarras e bateria e um pequeno grupo se aglomerara ao redor para ouvir a música e jogar dinheiro em um cesto.

– Ele me perguntou sobre você – disse Reggie.

– Sobre mim? Por quê?

Ela sorriu.

– Acho que ele queria saber se você era um concorrente.

– E o que você respondeu?

– Que eu mal o conhecia. O que é verdade.

– Você também não o conhece – salientou Shaw.

– Ele parece ser legal. Quer dizer, é velho demais para mim. – Reggie lhe deu um tapinha no braço. – Ele é até mais velho do que você.

– Por algum motivo, acho que a diferença de idade não é importante para um sujeito como ele.

– Bem, acho que essa decisão cabe a mim, e não a ele. Se eu lhe disser para se afastar, tenho certeza de que vai obedecer.

– Ele não parece ser do tipo que aceita um “não” como resposta.

– Mas você nem o conhece. Nem o encontrou.

– Ele falou sobre o trabalho?

– É um empresário.

– Bem, isso pode significar um monte de coisas.

– Tenho certeza de que vai ficar tudo bem. Afinal de contas, estamos na Provence. O que ele vai fazer?

Shaw desviou rapidamente o olhar, sua têmpora latejando.

– Você está bem?

– O jantar não caiu bem.

– Quer voltar para o hotel? Posso retornar sozinha para a mansão.

– Não, eu a acompanho.

Eles pegaram um atalho e chegaram à casa alguns minutos mais tarde.

– Parece que o rapaz saiu esta noite – ironizou Shaw, olhando para as vagas vazias na frente da mansão de Waller.

– Ele saiu às pressas após o jantar – observou Reggie. – Falou que tinha negócios a tratar.

– Sujeito ocupado.

– Ele vai a Les Baux ver a exposição de Goya e me convidou para ir junto.

Shaw sentiu um frio na espinha.

– E o que você respondeu? – perguntou, com rispidez excessiva.

Reggie olhou-o, perplexa.

– Que ia pensar e diria depois.

Sem pensar direito, ele disparou:

– Você não precisa fazer isso.

– Por que não?

– Porque você vai comigo a Les Baux. Amanhã. Quero ver a mostra. Queria ter convidado você antes.

– É mesmo? – indagou ela, cética.

– Podemos passar o dia juntos. Almoçar em Saint-Rémy, por exemplo.

– Por que você está fazendo isso? Também acha que é algum tipo de competição? Não sou um troféu.

– Eu sei que não, Janie. Se você preferir ir com ele, vou entender perfeitamente. É só que...

– O quê?

– Eu só queria passar mais tempo como você. Só isso. Nenhuma explicação mirabolante. Apenas ficar com você.

As feições de Reggie se abrandaram e ela acariciou o braço de Shaw.

– Como posso recusar um convite feito dessa maneira? – Ela sorriu. – Está marcado. Agora, a pergunta crucial: scooter ou carro?

– É meio longe para a scooter, então acho que o seu Renault seria bem melhor. Pode ser às nove? Apareço na sua casa.

– Vou até a cidade e pego você – propôs ela e Shaw a olhou com ar de curiosidade. – Só acho que seria mais fácil assim. Podemos pegar direto a estrada principal.

– E Waller não saberia de nada.

– Isso mesmo.

– Posso tomar conta de mim mesmo.

– Claro que sim, Bill. – Ela fez uma pausa. – Eu também posso.