Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 88 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 86

 

O CAMINHÃO DEU MARCHA A ré até a plataforma atrás do prédio alto. As ordens de serviço foram devidamente analisadas e as assinaturas necessárias, obtidas. As duas grandes caixas foram descarregadas e colocadas na área de armazenamento. A nota dizia que, lá dentro, estavam algumas antiguidades que pertenciam a um morador do prédio que ficaria fora durante todo o verão. Os caixotes deviam ser guardados e abertos apenas quando o dono voltasse.

Algumas horas mais tarde, a plataforma foi trancada e o supervisor e sua equipe foram embora. Trinta minutos se passaram até que a lateral de uma das caixas tombou para a frente e Shaw apareceu. Usando um pequeno feixe de luz, ele ajudou Reggie a sair do esconderijo.

Ambos vestiam-se de preto e tinham vários equipamentos pendurados nos cintos.

– Pronta para agir? – sussurrou Shaw.

Ela assentiu.

Ele pôs um headset e o ligou.

– Você está aí, Frank?

– Positivo. Diga para a sua parceira ativar o vídeo.

Frank havia deixado a Inglaterra em outro avião para organizar o apoio de que eles precisariam para entrar na cobertura de Kuchin.

Shaw fez um sinal com a cabeça para Reggie, que colocou em volta do peito uma faixa que tinha no centro um disco com aproximadamente 8 centímetros de diâmetro e uma lente de vidro. Ela apertou um botão na lateral e uma luz vermelha se acendeu.

– Tudo certo? – perguntou Shaw a Frank.

– Tudo. Vídeo ativado. Prossigam para a área-alvo.

O elevador foi acessado com um cartão clonado que Shaw inseriu na fenda.

Mais uma vez, a voz de Frank ressoou:

– A vigilância por vídeo do prédio está em um circuito monitorado, mas congelamos remotamente as câmeras de segurança no elevador de serviço e na parte externa do apartamento de Kuchin. O elevador não costuma ser usado após o expediente, logo os guardas não esperam nenhuma mudança nessa câmera nem fora do apartamento de Kuchin, já que ele está viajando. Mas eles fazem rondas periódicas. A próxima é daqui a sessenta minutos. Depois disso, vocês estarão por conta própria.

Pegaram o elevador até o último andar e alcançaram um pequeno saguão com uma porta de aço e um console de segurança na parede ao lado do portal. Shaw olhou para a câmera de vigilância no canto e acenou, rezando para que Frank tivesse de fato conseguido congelar a imagem. Fez sinal para que Reggie enquadrasse o painel.

– Conseguiu ver? – indagou Shaw, usando o microfone. – Trata-se de um sistema de reconhecimento de retina, como sabíamos.

– Eu vi. Diga para ela se aproximar para enxergarmos melhor e confirmarmos o fabricante.

Shaw gesticulou para que Reggie ficasse bem em frente ao aparelho.

– Tudo bem, já deu – disse Frank. – Prepare o laser, Shaw. Vamos cortar a energia do prédio em cinco segundos. Há uma bateria auxiliar para o sistema de segurança, mas, logo depois da queda, vamos provocar um pico de energia calibrado que vai queimá-la. Temos que restabelecer a energia depressa para não desencadear uma resposta de emergência.

– Entendido.

Shaw puxou a caneta de laser do cinto e o apontou direto para o leitor.

– Ao meu sinal – anunciou Frank. – Cinco, quatro, três...

Logo após a contagem, a energia do prédio se foi e eles ficaram totalmente às escuras. Shaw acendeu o laser e o apontou direto para o aparelho. O feixe vermelho atingiu o disco de vidro, preenchendo-o com um tom carmesim. A energia voltou logo depois.

A porta se abriu.

Reggie olhou para Shaw enquanto ele guardava o laser.

– Uma pequena falha nesse sistema que descobrimos há algum tempo. Energia cortada, energia restabelecida e, naquele milissegundo da ativação, o equipamento lê um feixe de laser configurado com uma frequência específica como se fosse uma retina autorizada.

– Impressionante – comentou ela, admirada.

– Não é bem uma falha, na verdade.

– Como assim?

– Temos um bom relacionamento com algumas empresas importantes. Fazemos algumas coisas para elas de vez em quando e elas deixam umas brechas como essa para nós.

Reggie balançou a cabeça. Shaw empurrou a porta para abri-la totalmente.

– Cinquenta e nove minutos. Mãos à obra.

Shaw tirou do bolso um conjunto de lâminas miniaturizadas de plantas baixas e as examinou usando uma lanterna pequena.

– Fique longe das janelas – avisou. – Talvez Kuchin tenha vigias em outro prédio. Mesmo sem nenhuma luz acesa, podemos ser vistos com o equipamento de vigilância certo.

– Que pena.

– Por quê?

– Eu queria dar uma olhada na vista.

Revistaram o apartamento com rapidez e método, se arrastando toda vez que precisavam se aproximar das janelas. Após trinta minutos, não haviam encontrado nada de útil.

Ficaram parados no meio do quarto de Kuchin. Reggie estava decepcionada, mas Shaw parecia intrigado.

– O que foi? – perguntou ela.

– Usei o laser para demarcar a área do apartamento conforme íamos avançando, mas, de acordo com as plantas, estão faltando 140 metros quadrados.

– Como é possível?

Shaw ficou cinco minutos analisando parâmetros.

– Está faltando o núcleo central – concluiu ele, por fim.

– Como assim?

– No bloco central desta cobertura, existe um espaço oculto grande demais para ser o sistema de aquecimento, ventilação e ar-condicionado. Em lugares como este, em geral fica no teto.

Vasculharam mais um pouco e chegaram ao final do corredor, onde havia um elaborado armário embutido.

– Tenho a impressão de que há um eixo giratório em algum lugar aqui. – comentou Shaw. – Está vendo, Frank? – completou.

– Sim, concordo com você. Temos menos de trinta minutos. Comecem a inspecionar tudo.

Quatro minutos mais tarde, Reggie girou uma maçaneta no sentido anti-horário e fez com que o painel de digitação do código de entrada aparecesse. Shaw tirou um tubo metálico do cinto e o borrifou. Jogou sobre ele uma luz azul que revelou digitais em algumas teclas.

– Descobri os quatro dígitos. – Shaw acoplou um pequeno dispositivo à fiação do painel, o ativou e encarou Reggie. – O fato de conhecermos os quatro dígitos que compõem o código reduz muito as possibilidades de combinação.

– Sim, eu sei. Depois, só é necessário descobrir a ordem. O que é feito com uma associação rápida dos números.

Os algarismos 4-6-9-7 ficaram congelados na tela e a porta do armário se abriu com um clique, revelando um espaço escuro.

– Vamos ver o que o Sr. Kuchin esconde aqui dentro – disse Shaw.