Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 65 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 63

 

– ESTAMOS FERRADOS – murmurou Shaw, observando o interior da estação de trem.

Usando chapéu, óculos escuros e, apesar do calor, um agasalho volumoso, ele penetrara na imensa agitação da Gare du Nord e constatara que inúmeros policiais caminhavam entregando fotos dele aos transeuntes. Reggie, Whit e Dominic, também disfarçados, o seguiram separadamente e depararam com a mesma cena.

Shaw apontou para uma policial que andava próximo a uma das portas de entrada. Em suas mãos, havia uma imagem colorida de outra pessoa.

Reggie logo se reconheceu.

– Merda.

Depois de confirmar que aquelas eram as únicas fotos sendo distribuídas, Shaw saiu da estação. Os outros se juntaram a ele, perto de uma fila de carrinhos de bagagem.

– E agora? – indagou Dominic.

– Acho que nós três tentamos a sorte e você – ele indicou Shaw – pode tentar sozinho em outro lugar.

– Discordo – opinou Shaw.

– Não me importa se você discorda.

– Use o cérebro, Whit. É mais fácil pegar quatro pessoas juntas. Eles têm a minha foto e a de Reggie, mas não as de vocês dois. Vocês pegam o trem e voltam para Londres. Reggie e eu chegaremos lá de outra maneira.

– Nem pensar – rebateu Whit.

– Ele tem razão, Whit – disse Reggie. – É melhor nos dividirmos. Se eles nos pegarem, azar. Mas seria burrice deixar que pegassem todos nós de uma só vez.

Whit não se deixou convencer.

– Parece que você está fazendo de tudo para ficar com esse cara.

Shaw se encostou na parede da estação e questionou:

– Por que você não deixa que ela decida sozinha, Whit? Ou isso vai contra a política da empresa?

– Por que você não cala a boca? Você não sabe nada sobre nós.

– Não por falta de interesse.

– Se pegarmos o trem, como vocês vão voltar para a Inglaterra? – perguntou Whit a Reggie.

– Por Amsterdã – respondeu Shaw. – Podemos pegar uma balsa lá. Conheço uma pessoa. Ela não faz perguntas e duvido que a polícia vá atrapalhar.

– Whit, você e Dom pegam o maldito trem – acrescentou Reggie. – Dom precisa tratar do braço o quanto antes. Um pouco mais de duas horas em um trem é muito melhor do que ficar dias tentando atravessar o Canal da Mancha em um barco.

– Você está falando sério mesmo? Vai ficar com esse cara mesmo sem saber quem ele é?

– Ele salvou nossas vidas. E desobedeceu ordens para vir conosco. Preciso saber mais?

Whit olhou para ela e Shaw e, em seguida, se virou para Dominic em busca de apoio. Porém, o companheiro ficou encarando o chão.

– Tudo bem – cedeu Whit. – Façam o que quiserem. Talvez eu encontre com vocês na Inglaterra, talvez não. Mando um recado quando eu acabar com Kuchin.

Ele lhes deu as costas e voltou a entrar na estação. Dominic o seguiu.

Shaw encarou Reggie.

– Ele é sempre tão simpático assim?

– Ele é um homem, certo? Não faz parte da psicologia masculina ser simpático quando você não consegue o que quer! – retrucou ela, gritando as últimas palavras para que Whit ouvisse, mas ele e Dominic já tinham desaparecido na Gare du Nord. Reggie saiu andando na direção oposta.

Cinco minutos mais tarde, ela e Shaw estavam em um carro azul-escuro roubado com facilidade, pois o motorista havia esquecido as chaves no banco da frente. Depois de percorrer três quarteirões, Shaw estacionou e saiu. Tirou a placa do automóvel e colocou no lugar a do Range Rover, que ele havia pegado antes.

– Os policiais vão verificar modelo e marca antes da placa – explicou a Reggie. – Range Rover, e não Ford. E quando forem atrás do carro roubado...

– Será o contrário: placa antes de modelo e marca. Então, rumo à Holanda?

– Exato. Durma um pouco.

– E se você ficar com sono?

– Isso não vai acontecer – respondeu Shaw.