Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 93 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 91

 

 

NA TARDE SEGUINTE, REGGIE e Shaw se encontraram em um café na mesma rua do hotel onde estavam hospedados. Shaw consultou o relógio.

– Uma hora. O endereço marcado fica a cinco minutos de táxi daqui.

– Muito bem, então podemos pôr a conversa em dia – ouviu-se uma voz.

Shaw se virou rapidamente.

Whit estava em pé ao lado da mesa, com Dominic atrás.

– Que diabos vocês dois estão fazendo aqui?

– Vou considerar isso um convite para nos sentarmos – disse Whit, se acomodando.

Dominic ficou à sua frente, apoiando o braço engessado sobre a mesa.

– Você organizou isto? – perguntou Shaw a Reggie.

– Liguei para eles e contei o que estava acontecendo. Foram eles que insistiram em tomar um avião até aqui.

– Dormi a viagem toda – confirmou Whit enquanto alongava as costas. – Descansado para nossa pequena excursão.

– Vocês não vão – rebateu Shaw.

– Por que não?

– Porque ele não está esperando quatro pessoas, só duas. E disse que, se eu não seguisse as instruções ao pé da letra, Katie morreria.

– Pensamos nisso – afirmou Reggie. – Se eles não concordarem, Whit e Dominic ficam para trás.

– Ficam para trás? Provavelmente serão mortos.

– A vida é minha – replicou Whit com arrogância. – Faço o que quiser com ela.

Dominic assentiu.

– Mas, se você está preocupado – sugeriu Reggie –, ligue para Kuchin e peça permissão. É só ver o número da última ligação recebida.

Shaw tirou o celular do bolso e o observou por um instante antes de encarar Whit.

– Vocês estão cientes de que, se ele aceitar, vocês não devem voltar vivos?

Whit olhou de relance para o amigo.

– Tudo bem para você, Dom?

– Eu não estaria aqui se não estivesse de acordo.

– Aí está a sua resposta – falou Whit.

Shaw telefonou. A resposta foi um pouco surpreendente. Kuchin pareceu feliz em acrescentar duas pessoas à sua lista.

– Dou as boas-vindas a todos vocês – ironizou antes que Shaw desligasse, balançando a cabeça.

– Tudo certo? – perguntou Reggie.

– Ah, sim. Agora temos quatro funerais em vez de dois. Vamos estourar o champanhe.

 

Eles foram de táxi até o local do encontro. Era um armazém, nada impressionante para Shaw.

– Sempre um maldito armazém.

A porta estava destrancada. Eles entraram. Não havia ninguém lá, só um GMC Yukon XL marrom com a chave sobre o banco dianteiro e uma lista de instruções embaixo do para-sol.

Shaw ficou surpreso, mas logo entendeu a estratégia.

– Eles eliminaram a possibilidade de uma emboscada. Mas isto nos põe no controle, portanto não compreendo totalmente.

Saíram de Montreal dirigindo em sentido nordeste. Duas horas mais tarde, entraram em uma estrada de uma única pista em uma área coberta por floresta e sem sinal algum de vida humana. Após percorrerem quase 200 metros naquela faixa de cascalho, o carro morreu de repente. Shaw tentou religá-lo, mas o motor não pegava.

– Temos meio tanque de gasolina – observou Reggie, apontando para o medidor no painel. – Todo o resto parece normal.

– O carro também é novo – acrescentou Whit do banco de trás.

Shaw viu um botão acima do retrovisor.

– E tem um sistema de segurança.

– E daí? – indagou Reggie.

– Eles podem controlar remotamente o automóvel em caso de emergência ou de você se trancar do lado de fora. Também podem desligar o motor se o carro tiver sido roubado. Se alguém manipulou o sistema ou o utilizou de forma indevida, podem cortar a energia do motor e não há nada que eu consiga fazer.

– Acho que você tem razão – opinou Reggie, vendo duas picapes se aproximando, uma pela frente e outra por trás.

Seis homens saltaram com SIGs, Glocks e MP5s apontadas para eles.

Vinte minutos mais tarde, os quatro estavam pelados e em círculo dentro de um pequeno edifício de concreto. Haviam sido revistados manualmente e com um scanner. Em seguida, foram submetidos ao forte jato d’água de uma mangueira e os seguranças de Kuchin passaram várias vezes pentes de metal por seus cabelos, braços e pernas, deixando longas marcas vermelhas. Retiraram o gesso de Dominic e o jogaram fora, substituindo-o por uma tipoia.

Após terem se secado, os prisioneiros receberam roupas limpas: agasalhos em um tom amarelo-vivo, roupas de baixo e tênis com meias brancas.

– Que diabos foi aquilo? – resmungou Whit enquanto se calçava. – Quase nos afogaram.

Reggie estava se vestindo atrás de uma porta para ter um pouco de privacidade, embora todos já tivessem visto os outros nus.

Shaw abotoou o agasalho, cujas mangas e pernas eram curtas demais para ele. Os tênis eram apertados para seus longos pés.

– Dispositivos de vigilância. Hoje em dia, há rastreadores incorporados a folículos pilosos e pedaços de pele falsos. Por isso a mangueira e o pente.

Whit cheirou a própria pele.

– Havia algo mais misturado naquela água. Provavelmente causa câncer – disse irritado.

– Ilusão sua achar que vai viver tanto assim – rebateu Shaw.

Reggie se juntou a eles, já vestida.

– Bem, vejo que você continua otimista.

– Só estou sendo realista.

– Por que esses agasalhos amarelos? – perguntou Dominic.

– Meu palpite é que assim fica mais difícil nos perder de vista.

– Nos perder de vista? – exclamou Whit. – Como diabos isso seria possível?

– Acho que isso depende de nós, não? – perguntou Reggie.