Livrai-nos do mal
Capítulo 75
SHAW TOMOU TRÊS XÍCARAS de café e Reggie comeu provavelmente o maior café da manhã da sua vida.
– O sexo abre seu apetite? – indagou Shaw.
– Não foi o sexo.
– O que foi, então?
– Culpa.
– Não há motivo para culpa.
– Talvez para você. Eu tenho muitos motivos para me sentir péssima.
Eles tomaram o metrô até o apartamento de Reggie. Shaw ficou na rua, esperando-a colocar uma calça branca, uma camisa jeans e sapatos rasteiros. Entraram no carro dela e foram até Leavesden. A cabeça de Shaw batia no teto do carro e seus joelhos estavam pressionados contra o painel. Reggie estava satisfeita com seu óbvio desconforto.
Ao passarem pela estrada que levava até duas antigas colunas, ela disse:
– Shaw, não sei se estou fazendo a coisa certa.
– Respire fundo e continue a dirigir em linha reta.
Pararam na frente da casa e saltaram. Shaw sentia que eles estavam sendo observados enquanto se dirigiam à porta de entrada, que se abriu antes que Reggie colocasse a mão na maçaneta.
Whit parecia pronto a atirar nos dois.
– Não acredito que você trouxe esse cara aqui. Você está louca?
– Ela não teve escolha – respondeu Shaw. – Era eu ou a polícia.
– Como você sabia deste lugar? – perguntou Whit.
– É difícil manter segredos hoje em dia.
– Whit – falou Reggie –, todos nós precisamos sentar e conversar.
– Você passou dos limites. – Ele apontou para Shaw. – Esse cara vai acabar conosco.
– Use a cabeça, Whit – interveio Shaw. – Se eu quisesse acabar com vocês, por que estaria aqui? Poderia simplesmente ter mandado a polícia.
Whit olhou para ele, depois para Reggie e voltou a encarar Shaw.
– Então, que diabos você quer?
– Ajudar.
– Ah, está certo, você é a maldita fadinha que traz pó de pirlimpimpim para os bons meninos e meninas?
– Não me importa o que você pensa. Vim aqui para falar com quem dirige esta “operação”, e sei que não é você. Saia do caminho ou tente me deter.
Whit fitou os quase 2 metros de Shaw, os ombros largos e músculos bem definidos visíveis por baixo da camisa.
– Tudo bem, entre. Mas não diga que não avisei.
Assim que Shaw avançou, Whit tentou sacar a arma. Shaw o esmagou contra a parede com o ombro, tirou a arma da sua mão, lhe deu uma rasteira e pisou na lateral da sua cabeça. Puxou o pente, travou a arma, tirou a bala que estava na posição de tiro e a pôs no bolso junto com o pente antes de jogar a pistola vazia de volta para Whit. Depois, abaixou-se, pegou o outro homem pelos ombros e o ergueu.
– Se vocês querem pegar Kuchin, vamos precisar pôr esta operação para funcionar.
– Que operação?
– A que aparentemente vamos planejar com ele – respondeu Reggie.
– Você não me parece muito contente – observou Whit, esfregando o ombro machucado.
Reggie olhou para Shaw:
– Como ele mesmo disse, não tive escolha. Onde está o professor?
– Bem aqui.
Todos se viraram para o hall. Mallory apontava sua pistola para Shaw.
– Poderia vir aqui, Sr. Shaw? Acho que precisamos ter uma conversinha. E aviso logo que a arma está carregada e que tenho uma boa pontaria.
Shaw não hesitou, atravessando a porta.
– É exatamente o que eu quero, professor. E espero descobrir por que o senhor achou necessário mandar que um dos seus soldados rasos me injetasse uma quantidade de botulina suficiente para matar um rinoceronte.