Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 90 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 88

 

– MEU DEUS! – EXCLAMOU Reggie, observando o aposento secreto.

– Parece que voltei à Guerra Fria – comentou Shaw.

As luzes haviam se acendido automaticamente quando eles entraram.

– Cacete! – disparou Frank, vendo através da câmera de Reggie. – Esse cara tem problemas.

– Você acha mesmo? – ironizou Shaw, olhando para a bandeira soviética, os velhos armários, a escrivaninha desgastada e os arquivos à sua volta. – Reggie, dê uma volta pelo cômodo para que Frank possa registrar tudo.

Ela obedeceu, ficando o mais perto possível dos objetos.

Shaw abriu um dos armários e viu o uniforme que Kuchin havia usado quando trabalhava com a KGB. Em seguida, vasculhou os arquivos e pegou documentos que mostravam algumas das atrocidades que o monstro cometera contra homens, mulheres e crianças inocentes. Reggie captou tudo com a câmera.

Também encontraram o rolo de filme e o projetor. Foram necessários alguns minutos para armar tudo. Assistiram o vídeo sem dizer nada. Frank também não pronunciou uma palavra sequer. Reggie desligou a máquina.

– Não consigo assistir mais – anunciou ela enquanto o rosto da criança morta ia sumindo.

Shaw viu lágrimas no rosto dela. Guardou o projetor, mas pôs o rolo em sua bolsa.

– Precisamos ver mais alguma coisa, Frank? – perguntou ele.

– Não, podem ir embora – respondeu o chefe com a voz embargada.

 

Alguns minutos mais tarde, Shaw e Reggie caminhavam pelas ruas de Montreal. Um carro os pegou e os levou para um prédio comercial a cerca de 800 metros, onde Frank os esperava.

Ficaram sentados em silêncio por um tempo, cabisbaixos.

– Tudo bem, isto confirma muita coisa – falou Shaw. – O cara é um psicopata. Não que tivéssemos alguma dúvida.

– Mas como o que descobrimos pode nos ajudar a pegá-lo? – questionou Reggie.

Shaw encarou Frank.

– E Alan Rice?

– O avião voltou da França. Aterrissou no aeroporto de Montreal. Nem Rice nem Kuchin estavam a bordo. E Rice não está em casa, no escritório ou em nenhum outro lugar que saibamos. Ou está morto ou, mais provavelmente, se escondendo. Para prosseguirmos, precisaríamos envolver as autoridades locais e não queremos fazer isso. Pelo menos não por enquanto. Talvez até piore as coisas.

– Então, não podemos usar Rice? – perguntou Reggie.

– É Kuchin ou nada, ao que parece.

– Mas onde ele está? Nós nos arriscamos ao invadir o apartamento e saímos de lá com as mãos abanando.

– Não há sinal dele desde a França – disse Frank. – Ele tem um avião particular, portanto é possível que nunca tenha saído da França, ou a aeronave fez uma parada não programada no caminho para o Canadá. O avião está no solo desde então. Mas ele poderia facilmente alugar outro com um nome falso.

– Ele poderia estar em qualquer lugar.

– Mas agora temos provas do seu envolvimento com a KGB na Ucrânia – assinalou Frank.

– Já sabíamos disso – retrucou Reggie. – Não sou advogada, mas acho difícil um tribunal admitir as provas que temos porque nossa invasão não foi autorizada.

– Ela tem razão – concordou Shaw.

Frank não pareceu convencido.

– Talvez sim, talvez não. Esse filho da mãe pode receber o tratamento reservado a criminosos de guerra em Haia, e as regras sobre provas nesse caso são um pouco diferentes. E o material ainda está na cobertura dele. Talvez possamos alertar a polícia canadense ou a Interpol e eles pegam tudo com belos mandados oficiais.

– Tudo bem, ele vai ser julgado à revelia – disparou Reggie.

– Ninguém disse que seria fácil – observou Frank. – Você achou que entraria naquele apartamento e encontraria a chave secreta até ele?

– Não, mas eu esperava que algo nos ajudasse. Qual é o nosso próximo passo? – perguntou, olhando em expectativa para Shaw e Frank.

– Continuamos a procurar mais um pouco – respondeu Frank vagamente.

– Maravilha. Sabe, vocês têm toda essa tecnologia avançada e poderosa com laser, podem cortar a energia de um arranha-céu inteiro apertando um único botão, mas, às vezes, acho que a nossa abordagem sem tantos recursos é mais eficaz.

– Não foi mais eficaz em Gordes – lembrou Frank.

– Bem, pelo menos não desistimos como vocês fizeram – retrucou. Ela se levantou e saiu pisando duro.

Depois que a porta foi batida, Frank comentou:

– Droga, achei que os britânicos fossem mais descontraídos.

– Ela não tem nada de descontraída. Mas está certa. Kuchin continua distante.

– Bem, ele também não deve estar próximo de nós.

– Não tenho tanta certeza assim.

– Você sabe de alguma coisa?

Shaw não respondeu. Ele não sabia de nada, não ao certo. Mas tinha um instinto que quase nunca falhava e, naquele momento, estava em alerta total.