Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 76 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 74

 

ACORDARAM TARDE DEPOIS DE um sono profundo. Tomaram banho juntos, revezando-se para ensaboar um ao outro, e fizeram sexo sob a ducha quente. Reggie se vestiu e se sentou na cama ao lado de Shaw, que estava apenas de roupão.

– Então, onde ficamos depois de tudo isto? – perguntou ela, perscrutando-lhe o rosto.

– Não tenho certeza. Ainda não resolvemos o que fazer em relação a Kuchin. E você não me disse o suficiente para que eu possa ajudá-la.

– Na verdade, eu estava falando sobre o sexo. – E quando Shaw a encarou, um pouco perplexo, ela acrescentou: – Acho que deve ser típico das mulheres querer saber essas coisas. Suponho que vocês, homens, apenas aceitem as coisas pelo que parecem ser.

– Foi incrível, mas ainda preciso entender sua operação.

– Muito sensível da sua parte. Mas, se eu falar, você terá que contar a outras pessoas. Isso não pode acontecer.

– E a questão da confiança?

– Como eu disse, não confio facilmente em alguém.

– Nem eu. Mas acho que confio em você.

– Você acha?

– Bem, no momento, eu pareço mais confiável do que você.

– Então, você acredita que Kuchin virá atrás de nós e que talvez haja um espião na nossa organização?

– Mesmo que não haja nenhum traidor, Kuchin chegará até vocês.

– Não concordo. Nosso disfarce era excelente.

– Vocês não sabem até que ponto o disfarce era bom porque ainda não foi testado. E esse cara vai testá-lo. Além disso, vocês não deixaram a área limpa. Tiveram que sair às pressas. Algumas coisas podem ter ficado para trás. Pessoas podem ter ouvido ou visto algo. Agora, ele está planejando o tempo todo como pegar vocês.

– Como você sabe disso?

– Porque é o que eu estaria fazendo.

– É reconfortante saber que você e ele pensam da mesma maneira. Kuchin virá atrás de você também.

– Certo. Por isso, devemos trabalhar juntos. Assim, quem sabe, o pegamos antes que ele nos pegue.

– Sua organização não está mais interessada. Você deixaria seu pessoal de lado para fazer isso?

– Se necessário, sim.

– O tal Frank não me pareceu muito tolerante nem compreensivo.

– E não é mesmo.

– Então, por que fazer tudo isso?

– Porque não quero viver sempre na expectativa de que esse cara venha atrás de mim.

Reggie o olhou com ar interrogativo.

– Esse é o único motivo?

– Vamos dar um passo de cada vez.

– Mas você acha que alguém do meu lado está preparado para dar cabo de você. Não vou ajudar você a se vingar dos meus colegas.

– Mesmo que eles fossem me matar?

– Como você disse, vamos dar um passo de cada vez – respondeu ela com frieza.

– Harrowsfield.

– O que é que tem?

– Leve-me até lá.

Reggie fez uma expressão de espanto.

– O quê?

– Leve-me até lá.

– Você ficou maluco? Quer que eu chegue lépida e fagueira e diga: “Oi, pessoal, aqui está o Shaw. Não sei ao certo quem ele é, mas vamos tomar um chá e ser agradáveis?”

– Deixo a explicação por sua conta.

– Você não pode estar falando sério.

– Pelo contrário.

– E se eu me recusar?

– Darei um telefonema e a situação não será mais responsabilidade minha. Todos vocês caem.

Ela se levantou devagar e o encarou.

– Você faria isso comigo? Depois do que acabou de acontecer nesta cama? E no banho?

– Primeira regra do nosso trabalho: deixar de lado a parte pessoal. Só amadores se esquecem dela, ou talvez nem a entendam.

– Então, você só transou comigo por capricho? E agora ainda me ameaça? Seu canalha!

Reggie tentou esbofeteá-lo, mas ele lhe agarrou a mão.

– O que você parece não entender, Reggie, é que estou pondo minha vida em jogo para ajudar você. As probabilidades de ele chegar primeiro a vocês são muito maiores. Me ofereço para fazer tudo ao meu alcance para detê-lo. Mas, para que eu possa fazer isso, você precisa confiar em mim. Não encaro com leviandade o que aconteceu entre nós neste quarto. Se essa explicação não é boa o suficiente para você, vá em frente e bata em mim. Mas use toda a força que puder. Será sua única oportunidade.

Shaw soltou a mão dela e esperou.

Os dois se encararam em silêncio por um tempo.

Por fim, Reggie ordenou:

– Vista-se. Preciso passar na minha casa para trocar de roupa. E você vai pelo menos me oferecer um café da manhã à inglesa antes de eu ser crucificada em Harrowsfield.