Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 80 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 78

 

 

– OBRIGADO POR ME AJUDAR, meu amigo – disse Kuchin ao apertar a mão do outro homem e lhe tocar o ombro em sinal de gratidão.

Eles estavam no esconderijo de Kuchin nos arredores de Montreal. O outro sujeito tinha o porte e o jeito confiante de quem provavelmente andava sozinho e sem medo por ruas escuras em cidades estranhas. Quinze anos antes, quando ele ainda não abrira seu próprio negócio, aquele homem ocupava a posição que naquele momento era de Pascal.

– Senti uma urgência na sua voz, Evan. Temos uma longa história.

Kuchin serviu um drinque e o empurrou para o outro lado da mesa. O homem tomou um gole, segurou o copo com as duas mãos e informou:

– Ela deixou um rastro. Não tão claro, mas há algumas coisas que podemos usar.

Kuchin se sentou com ar de expectativa.

O homem esvaziou o copo, limpou a boca e abriu uma pasta.

– Registros de cartão de crédito e viagem. De Zurique, ela foi com a Swissair para Frankfurt, onde alugou um carro. A quilometragem mostra que dirigiu a algum lugar que não fica a mais de uma hora da cidade. Mesmo assim, trata-se de um raio de busca muito vasto. Ela se hospedou em um pequeno hotel em Wisbach. Não sabemos por que esteve lá nem o que fez. Vou precisar pôr alguns homens em campo para obter essas informações.

– Primeiro, quero ouvir o resto.

– De Frankfurt, ela viajou para Paris. Ficou lá quatro dias. Depois, cruzou o Canal da Mancha até Londres. Não sabemos onde ela ficou em Londres. Não há registros de cartão de crédito nesse período.

– De vez em quando, ela fica na casa de amigos, quando eles não estão, ao que parece.

– Faz sentido. Nesse caso, não haveria nenhum registro. Ela voltou para os Estados Unidos. Nova York, Washington, São Francisco. Não conseguimos encontrar nenhum registro de que trabalhou para alguém nesse período.

– E quanto ao celular? É possível rastreá-lo por GPS.

– Tentamos essa abordagem. Parece que ela desabilitou o chip de GPS. E a triangulação entre antenas de telefonia celular em casos como esse não é muito confiável. Não tenho os recursos do FBI ou da ANS. Acho que ela não quer ser encontrada.

– O que você tem de mais recente?

– Há várias semanas, ela estava em Paris.

Kuchin inclinou-se para a frente.

– O que mais?

– Nada mais. Nenhum hotel. Nenhuma compra de comida com o cartão. Ou ela só usa dinheiro vivo ou se alimenta de restos das latas de lixo. Não ficou lá muito tempo. Foi embora de Paris no dia seguinte e voltou aos Estados Unidos. Vi pessoalmente a reserva do voo e a documentação. E ela apareceu nas câmeras de segurança do aeroporto Charles de Gaulle naquele dia.

– Então voltou para São Francisco?

– Não, para Washington. Verifiquei as companhias aéreas, trens, ônibus e carros alugados saindo da cidade e não encontrei nada. Bem, ela pode ter usado documentos falsos, mas talvez ainda esteja por lá.

– E nada de hotel.

– Não. Talvez outro amigo a hospede.

– Talvez – repetiu Kuchin, pensativo.

– Washington não é tão grande assim, se comparada a outras cidades. Posso mandar alguns dos meus subordinados para passar um pente fino e ver se ela aparece.

Kuchin balançou a cabeça.

– Não. Isso não será necessário. Eu assumirei a caça de agora em diante.

O outro homem se levantou.

– Continuarei a passar qualquer informação que surgir. Tenho marcadores inseridos no sistema. Se ela comprar uma passagem de avião, alugar um carro, usar o cartão de crédito ou débito, ou ativar o chip de GPS, eu ficarei sabendo, e você também.

Depois que o homem foi embora, Kuchin se sentou na cadeira e ficou pensando. No momento, estava com muitos problemas. Embora estivesse acostumado com situações daquele tipo, ele era um homem que gostava de concentração. No entanto, às vezes não era possível ter o que se desejava.

Ainda assim, seu foco devia ser Katie James. Era o único elo que eles tinham. Kuchin precisava encontrar aquela mulher.