Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 61 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 59

 

 

– POR AQUI – DISSE Reggie a Shaw. – Tem outra saída.

– A que vai dar perto das mansões? – perguntou Shaw.

Reggie o encarou.

– Como você sabe?

– Sei fazer reconhecimento de área. Mas aquela porta se abre para uma rua.

– E Kuchin a conhece. Tive que mostrar aquele caminho para convencê-lo a ir à igreja hoje. Só que, desta vez, o levei para as catacumbas.

– Então aquela saída não serve por dois motivos. – Ele observou Dominic, que corria inclinado, segurando o braço ferido. – Você vai conseguir?

Reggie tirou o lenço da cabeça e o amarrou em volta do ferimento.

– Eu consigo – afirmou Dominic, fazendo uma careta. – E então? Não podemos voltar, a menos que a nossa intenção seja abrir caminho a tiros, e aqueles caras têm muito mais munição do que nós.

Shaw apontou para a esquerda.

– Por ali.

Whit lhe segurou o braço.

– Não existe nada ali. Eu verifiquei.

– No fim da câmara, existe uma porta secreta escavada na pedra que leva ao velho forte.

– Como você sabe disso?

– Lendo um pouco de história.

– O quê?

– Os padres católicos muitas vezes tinham que fugir para salvar suas vidas. Como nós estamos fazendo. Vamos!

Ao chegarem ao final da passagem, Shaw puxou uma pedra na metade inferior da parede e uma pequena fenda apareceu. Ele fez força e velhas dobradiças rangeram enquanto a porta se abria. Os três atravessaram o vão e Shaw fechou a porta atrás de si.

À medida que os guiava por uma galeria escura e cheirando a mofo, Shaw apertou algumas teclas do celular e a mensagem eletrônica foi enviada. Passaram por outra porta e chegaram a uma câmara na qual a luz do sol penetrava através de frestas no bloco de pedra sobre suas cabeças. Estavam no velho forte.

Shaw abriu mais uma porta e eles adentraram um pátio. Um carro parou cantando pneus e Whit apontou a arma para o motorista.

– Ele está comigo – avisou Shaw, pondo uma das mãos na pistola de Whit.

Frank abriu a janela do carona e disse:

– A cidade inteira está enlouquecida.

Shaw e Reggie ajudaram Dominic a se sentar no banco traseiro e se acomodaram também ali. Whit ficou ao lado de Frank, que pisou fundo no acelerador, fazendo com que o automóvel saísse em alta velocidade, deixando marcas de pneu no antigo calçamento de pedras.

– Muito bem, Shaw, comece a falar – mandou Frank, manobrando pelas ruas estreitas e colina abaixo, rumo às mansões.

– Seu nome é Shaw? – perguntou Reggie, virando-se para ele.

Shaw encarou o reflexo de Frank no retrovisor.

– Eles prenderam Waller, mas os seguranças dele prepararam uma emboscada. Eu estava lá para ajudar.

– “Ajudar”? – exclamou Whit. – Estaríamos todos mortos se não fosse por você.

– Bem, ainda podemos ser mortos.

Nesse instante, um dos guarda-costas de Waller saiu por uma porta da igreja, vindo da passagem que Reggie e Kuchin haviam utilizado quando a visitaram pela primeira vez. O homem os avistou e abriu fogo. Todos se abaixaram e o para-brisa se estilhaçou. O carro colidiu com o segurança, lançando-o longe. Frank levantou a cabeça.

– Ei, Shaw.

– O que foi?

– Você pode dirigir?

– Por quê?

– Porque o filho da puta me acertou!

Ao ver o sangue no paletó de Frank, Shaw se lançou para a frente e assumiu a direção. Acelerando, encarou Frank, que estava caído ao lado de Whit.

– É grave?

Frank verificou o ferimento.

– Não pegou na barriga. Acho que me atravessou. É difícil dizer.

Whit olhou para o encosto do banco do motorista.

– Foi isso mesmo. Aqui está a bala. – Ele a ergueu.

– Aguente firme, Frank, e me diga aonde ir – pediu Shaw.

– Pista de pouso particular, 60 quilômetros ao sul daqui. Avião esperando.

Frank deu as direções e, depois, ficou em silêncio, com a respiração irregular e o rosto se acinzentado.

Reggie e Whit tiraram o paletó de Frank, rasgaram sua camisa e analisaram o ferimento.

– Procure um kit de primeiros socorros no porta-luvas – disse Reggie.

Havia apenas uma caixa de lenços umedecidos esterilizados. Ela os usou para limpar a ferida e, com tiras da camisa de Frank, buscou estancar o sangramento e proteger a lesão. Em seguida, recostou-se.

– É tudo o que posso fazer por enquanto – falou, recostando-se no banco traseiro. – Ele precisa de cuidados médicos.

– Tem um médico no avião – murmurou Frank. Shaw se virou para ele.

– Conhecendo você, achei que fosse uma boa ideia.

Shaw pegou um pacote de antisséptico e o jogou para Reggie.

– Para o seu rosto. Waller o acertou em cheio com o sapato.

Ela desinfetou o rosto da melhor maneira possível e cuidou do braço ferido de Dominic.

Uma sirene fez com que eles se sobressaltassem.

– Viatura logo atrás de nós – informou Whit, olhando o retrovisor.

– Merda, não podemos parar e explicar – praguejou Shaw, e acelerou.

Dez quilômetros depois, o som da sirene havia sumido em meio aos campos provençais.

– Você é um ótimo motorista – elogiou Whit.

– Ainda bem que eles não conseguiram bloquear a estrada, senão eu seria apenas um ótimo prisioneiro.

Enfim chegaram à pista de pouso particular. Estacionado perto do avião, estava um Range Rover preto reluzente. O médico a bordo do jato limpou a ferida de Frank e cuidou do braço de Dominic, pondo-o de volta no lugar com uma tala feita de dois pequenos pedaços de madeira e muito esparadrapo.

– Ele precisa ser engessado – avisou o médico. – Não tenho o material para isso aqui.

Shaw ajudou Reggie a fazer um curativo no rosto enquanto Whit os observava impassível em um canto da luxuosa cabine.

– Estamos prontos para decolar assim que o senhor autorizar – disse o copiloto a Frank, que se sentava lentamente, esfregando o braço no ponto em que o médico injetara o analgésico.

– Isso não vai acontecer.

Whit estava de pé, apontando uma arma.

– Vocês dois podem ir – falou ele, indicando Shaw e Frank. – Mas nós três vamos pegar aquele novo veículo e avançar por nossa conta.

– Não é uma boa ideia – replicou Shaw.

– Para nós, é. Não sei, e não quero saber, quem vocês são. Obrigado pela assistência, mas vocês seguem o seu caminho e nós seguimos o nosso. Sem ressentimentos, prometo.

– Vocês nunca vão conseguir fugir – afirmou Frank, tentando se levantar, mas Shaw o impediu.

– Na verdade, acho que temos boas chances.

– Vocês vão precisar de um refém – falou Shaw. – Sem isso, vocês não têm chance alguma contra esse sujeito aqui. – Apontou para Frank. – Ele dispõe de muitos recursos, mas também não quer me perder. Isso dá uma vantagem para vocês.

Whit pareceu cético.

– Quer dizer que você quer ser nosso refém? Você está maluco.

– Então, vocês não têm chance – disparou Shaw.

Whit enfiou o dedo no peito de Shaw.

– Fique fora disso.

Reggie se interpôs entre os dois.

– Ele tem razão, Whit.

– Não vou levar seu namoradinho só porque você...

Shaw pôs Reggie de lado e deu um passo na direção de Whit.

– Você nem conseguiu fazer um levantamento decente de um lugar. Deixou que eles armassem uma emboscada e estaria morto se não fosse por mim. Você mesmo reconheceu. Agora, precisamos sair do país. Sem um avião, vamos ter que arrumar outro jeito. Eu dou conta porque já fiz isso centenas de vezes. E você?

Whit olhou constrangido para Reggie.

– Ele tem razão, não estamos preparados – disse Dominic.

Whit ficou irritado, mas acabou cedendo:

– Tudo bem, mas, se você tentar alguma coisa...

– Está bem – concordou Shaw, se dirigindo à porta.

– Shaw! – gritou Frank. – Você não pode fazer isso. Nem sabe quem eles são!

– Manterei contato, Frank. Espero que você fique bom logo.

Os quatro saíram do avião.

Ao entrarem no Range Rover, Whit perguntou a Shaw:

– Como você conseguiu fugir?

– Com a ajuda de um vaso sanitário, um pouco de água e força bruta. E é melhor chamar alguém para acordar e desamarrar seu companheiro.

– Uau! – exclamou Whit, impressionado.