Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 48 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 46

 

SHAW DESPERTOU AOS POUCOS e, logo, se retesou. Pela dor, parecia que sofrera um traumatismo craniano. Tentou flexionar braços e pernas, mas estavam habilmente amarrados. Quanto mais puxava, mais ficava preso. Por fim, se resignou e permaneceu sentado, imóvel.

À medida que seus olhos se acostumavam à escuridão, Shaw percebeu que o cômodo era pequeno e estava vazio. Não havia janelas, portanto, ele devia estar em um porão ou em um velho armazém. O chão era uma laje de concreto. A única luz do ambiente vinha de debaixo da porta que ficava bem à frente.

Cada batida do seu coração era acompanhada por um latejar da cabeça. Ele merecia aquilo tudo, pois tinha deixado que alguém se aproximasse e o atingisse com tanta facilidade. Baixara a guarda porque estava pensando no que não devia.

Só havia dois motivos para que Evan Waller o raptasse: estava com ciúme e queria eliminar o rival; havia descoberto quem Shaw realmente era. O primeiro não parecia muito plausível, sobretudo porque Janie o fizera saber que Shaw ia embora. Mas, se Waller o tivesse desmascarado, por que ainda não o matara? Talvez quisesse se divertir primeiro. Talvez quisesse torturá-lo, a exemplo do que fizera com os terroristas.

Shaw levantou um pouco a cabeça quando a porta se abriu e um homem entrou. Só era possível ver uma silhueta.

– Você está acordado? – perguntou ele.

– Estou.

– Está com fome ou sede?

– Estou.

Shaw calculou que, se fosse desamarrado para comer ou beber, talvez tivesse uma oportunidade de fugir. O homem se aproximou, mas não parecia ser um dos seguranças de Waller. Ele segurava uma garrafa d’água em uma das mãos e, na outra, um objeto. Retirou a tampa, mas não desamarrou Shaw: apenas levou o gargalo até seus lábios e o deixou beber.

– E, só para a sua informação, você está em linha de tiro.

Shaw divisou alguém na escuridão atrás do homem.

A garrafa foi afastada e surgiu um pedaço de pão.

– Pão e água? – indagou Shaw.

– Melhor do que nada.

– Você se importaria de dizer por que afundaram meu crânio e me sequestraram?

– Para o seu próprio bem.

– Não acredito.

– Isso pouco me importa.

– Tudo bem, mas e agora?

– Agora, trate de ficar sentado aí e se acalmar. Vamos tratar você bem: comida e água sempre que quiser.

– Com toda essa água, vou precisar mijar.

O homem apontou para a esquerda. Shaw viu a privada nas sombras.

– É só me avisar.

– Simples assim?

– Como eu disse, se acalme e logo você vai sair daqui.

– Onde está Waller? – questionou Shaw em um tom incisivo.

– Quem?

– Você sabe de quem estou falando.

O homem não falou nada. Saiu e trancou a porta atrás de si, deixando Shaw pensativo. Ele ficou se balançando para a frente e para trás e logo descobriu que a cadeira estava presa ao chão. Tudo bem planejado. Será que estava muito longe de Gordes? Não fazia a menor ideia de quanto tempo ficara inconsciente. Talvez nem estivesse mais na França.

Se aqueles caras não eram subordinados de Waller, quem eram, então? Não, é claro que eles estavam com o ucraniano, apesar de aquele homem ter fingido ignorância. Tentou imaginar a reação de Frank quando não visse Shaw no aeroporto. Ele iria ao hotel e concluiria que fora passado para trás.

Shaw se recostou na cadeira e respirou fundo. Não havia saída. E Janie provavelmente estava com Waller naquele momento. Ou talvez estivesse morta.