Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 28 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 26

 

REGGIE JÁ ESPERAVA NA confeitaria quando Shaw chegou. Com o cabelo preso embaixo de um boné de beisebol dos Red Sox, ela usava shorts jeans, uma camiseta azul-clara e tênis de corrida. Ele estava de calça social, mocassins e camisa de manga comprida. Os dois se acomodaram nas pequenas cadeiras do lado de fora.

Reggie tomou um gole de café e o avaliou.

– Você ainda se veste como um lobista, mesmo estando na Provence – comentou, em um tom brincalhão.

Shaw sorriu e se recostou. Atrás deles, um homem lavava as ruas com uma mangueira. A água avançava pelas ruas de paralelepípedos, descia pelos desgastados degraus de pedra e, por fim, serpenteava pela colina em veios cada vez mais fracos.

– É difícil se livrar de hábitos antigos. – Ele deu uma mordida no croissant. – Mas deixei as gravatas e os paletós no armário.

– Onde você está hospedado? É justo que eu saiba, já que você sabe onde estou.

– Em um hotel e spa naquela direção – respondeu ele, apontando. – Estou pensando em fazer uma massagem mais tarde.

Ele tomou café, amassou o papel em que seu doce veio embalado e o jogou em uma lata de lixo próxima.

– Aqueles caras ainda estão por lá?

– O Citroën estava lá hoje de manhã, mas só com um homem dentro. Não sei se eles ficaram lá a noite toda. Parece mesmo algo misterioso – falou ela com ar inocente.

– Como estão suas costas?

– Bem. Como está seu rim esquerdo?

– Não tão bem assim, na verdade. Por isso estou pensando na massagem.

– Da próxima vez, lembre-se de telefonar antes de escalar meu muro.

– Engraçado, aquelas mansões em geral são alugadas por todo o verão. Mas a que fica ao lado da sua está vazia desde que eu cheguei.

Ela forçou um sorriso.

– Você é um bisbilhoteiro. Está obcecado com as mansões agora?

Você também foi muito bisbilhoteira.

– Não, é só curiosidade. Cogitei alugar uma, mas era cara demais para mim.

– Achei que todos os lobistas fossem ricos.

– Se não fosse pelo divórcio, eu seria um homem muito rico. Ainda estou bem financeiramente, mas perdi metade.

– Duvido que eu algum dia vá me casar.

– Por quê? Não quero parecer vulgar, mas você seria um ótimo partido para um cara jovem.

– Por que jovem?

– Bem, você é jovem. A maioria das pessoas se casa com gente da mesma faixa etária.

– Quantos anos você tem? – indagou ela sorrindo.

– Sou velho demais para você.

– Você está se enaltecendo e se menosprezando ao mesmo tempo. Estou impressionada.

– É um talento que aprimorei ao longo dos anos. Espero que sua arma esteja em um lugar seguro. Se o pessoal da limpeza aqui a encontrar, você terá que responder a algumas perguntas da polícia local.

– Está em um lugar muito seguro, obrigada pela preocupação.

– Então, vamos jantar amanhã?

– Amanhã à noite, não posso. Que tal depois de amanhã?

– Tudo bem. Aqui na cidade?

– Não, tem uma aldeia aqui perto com um pequeno restaurante que dá vista para o vale. Você anda de caiaque?

Shaw pareceu surpreso pela mudança repentina de tópico.

– Já andei. Por quê?

– Tenho uma reserva hoje com uma empresa de caiaques em Fontaine de Vaucluse. Soube que o rio lá é lindo. Gostaria de ir comigo? Temos que partir daqui a mais ou menos uma hora.

Shaw terminou o café e pensou rápido.

– Tudo bem. Só preciso pôr uma roupa mais apropriada.

– Um calção de banho seria perfeito.

– Bem, meu objetivo é ficar dentro do barco. Mesmo no verão, aposto que aquela água é fria.

– Nunca se sabe, você precisa estar preparado para o inesperado.

Depois que eles se despediram, Shaw a observou descer a rua, mas se escondeu em um beco ao ver o homem que espiara Janie na noite anterior. Não tinha certeza se ele a estava seguindo.

Shaw ainda não sabia o que pensar sobre a moça. E aquilo o incomodava. Apesar de seu plano de ação ser bem elaborado, não fazia a menor ideia de qual seria o resultado. Sua retaguarda estava exposta e ele se sentia perdido.

Naquele momento, ao que parecia, Shaw ia andar de caiaque. E achava melhor seguir o conselho de Janie e se preparar para o inesperado.