Livrai-nos do mal

David Baldacci · Capítulo 44 de 108

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Livrai-nos do mal

Capítulo 42

 

SHAW FECHOU A PORTA atrás de si e disse com raiva:

– Que diabos você está fazendo aqui, Frank? Não há encontros pessoais durante uma operação, você sabe disso.

Frank Wells permaneceu sentado na cadeira, com uma expressão ligeiramente aflita.

– Você foi a Les Baux hoje.

– Sim, e daí?

– Por que você fez isso?

– Porque Waller havia convidado Janie para ir com ele em seu tour particular e eu não podia deixar que isso acontecesse. – Shaw ergueu a mão antes que Frank retrucasse algo. – Não é nada pessoal. É que seria uma dor de cabeça logística tê-la no caminho quando fôssemos fazer a extração.

– Bem, tenho más notícias. Por isso estou aqui. Não queria falar pelo telefone.

Shaw soltou a chave do quarto sobre a mesa e se jogou na cama.

– Que más notícias?

– A operação está sendo suspensa. Amy Crawford e a equipe de execução já pegaram um avião e saíram do país.

Shaw se levantou tão depressa que quase bateu com a cabeça no teto baixo.

– O quê? Por quê?

– As coisas mudaram.

– Mudaram? Como podem ter mudado? Waller está tentando vender armas nucleares e alguns malucos querem comprá-las para explodir uma parte do mundo. Como é possível que isso mude?

– Ele não está mais tentando vendê-las. Na verdade, talvez até tenha matado as pessoas com as quais iria negociar.

– Como você sabe disso?

– Foram encontrados em um lago dois corpos que coincidem com as descrições dos islâmicos que negociavam com Waller. Ambos apresentavam sinais de tortura. E também captamos conversas nas linhas de comunicação que indicam que os muçulmanos não trabalham mais com nosso psicopata canadense e cortaram todas as relações com ele.

– Como você sabe que ele os matou?

– Não temos certeza, mas acabamos de saber que foi pelos ares uma casa onde acreditamos que Waller se encontrasse com um terrorista de escalão médio. Waller talvez tenha perdido alguns dos seus seguranças; ao menos o séquito que trouxe para cá é diferente do que em geral o acompanha nas viagens. Achamos que os muçulmanos o traíram, tentando matá-lo, e ele retaliou. Essa é nossa teoria, e devemos estar certos. Não consigo ver esse cara matando os loucos das armas nucleares para salvar o mundo. Waller só liga para dinheiro.

– Mas, Frank, como podemos saber se ele não vai tentar de novo com um grupo diferente de compradores?

– Não acredito que isso vá acontecer. Waller já chamou atenção demais e é esperto o bastante para ficar quieto. Vai voltar para seu círculo de escravidão sexual por alguns anos. Enquanto isso, seu acesso ao U-235 também vai acabar minguando. Ele deve obter o material do estoque que os russos estavam desmantelando e enviando para os americanos de acordo com um tratado de desarmamento. Em alguns anos, esse suprimento vai se esgotar. Por isso, nossos superiores acham que não vale mais a pena executar a operação.

– Mas era uma operação de sequestro e delação. Waller ainda podia nos levar até a célula terrorista.

– Não se ele matou todos. O cara que de fato nos interessava, Abdul-Majeed, desapareceu completamente. Nosso serviço de inteligência concluiu que Waller o pegou. Logo, não sobrou ninguém para ele delatar.

– Mas ele é um criminoso. Você acabou de dizer que ele vai voltar para o tráfico de mulheres. É preciso detê-lo.

Frank se levantou.

– Isso não nos diz respeito. Estamos oficialmente partindo. – Ele estendeu um pacote para Shaw. – Aqui está sua nova missão. Voo amanhã cedo para Madri, depois fica no Rio de Janeiro por um tempo. Você vai receber as informações no caminho, mas tem algo a ver com chineses e alguns líderes antidemocráticos e violentos daquele hemisfério. Um agente da América do Sul se encontrará com você e fornecerá maiores detalhes.

Frank deixou o pacote sobre a mesa ao ver que Shaw não tinha a intenção de pegá-lo e apenas balançava a cabeça.

– Amanhã de manhã? Não há tempo suficiente para eu arrumar as coisas aqui.

Frank parou a meio caminho da porta e se virou para ele.

– Arrumar as coisas? O que você precisa arrumar?

– Me dê mais uma semana, Frank.

– Uma semana? Esqueça. Suas ordens estão naquele pacote. Você parte amanhã. Está tudo arranjado.

– E se eu não for?

Frank se aproximou dele.

– Você vai mesmo resistir?

– Acho que vou ser obrigado.

– Por causa dela? Você não tinha dito que não se importava?

– Eu disse que não era nada romântico. Mas não posso deixá-la sozinha com Waller. Seria como assinar sua sentença de morte.

– Pare com isso. Já conversamos sobre esse assunto. O cara não vai tentar nada com ela. Estamos na Provence. E ela não é uma garotinha abandonada que veio de uma choupana na província de Guandong. Não faz parte da área de atuação dele.

– Se o cara a quiser, vai pegá-la. Eu sei disso. E tenho quase certeza de que ele a quer. Então, arrume uma desculpa para os chefões. Me dê mais tempo.

Mas Frank já lhe dera as costas.

– Esteja no voo amanhã, Shaw. E pare de brincar de anjo da guarda. Não combina muito com você.

Shaw fechou a porta com um chute assim que Frank saiu.