O Conde de Monte Cristo

Alexandre Dumas · Apêndice

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O Conde de Monte Cristo

Cronologia

1 Anfitrite: ver Parte V, cap.18, nota 20.

2 “Calipso a Telêmaco”: na mitologia grega, Calipso é o nome de uma ninfa que vivia em uma gruta, na encosta de uma ilha, e tinha grandes poderes de feitiçaria. Na Odisséia de Homero, quando Ulisses (Odisseu) naufraga na costa de sua ilha, Calipso acolhe-o e por ele se apaixona, oferecendo-lhe a imortalidade se aceitasse ficar com ela para sempre. O herói, entretanto, resiste.

Anos depois, Zeus, compadecido, ordena a Calipso que liberte seu hóspede. Em Telêmaco, de François Fenélon (1651-1715), encontram-se narradas as aventuras do filho de Ulisses à procura do pai. Ele também teria chegado à ilha de Calipso, que novamente tentou retê-lo com as mesmas promessas. Mas, Palas-Atena ajudou-o a resistir à tentação.

CRONOLOGIA

Vida e obra de Alexandre Dumas

1802 (24 JUL): nascimento em Villers-Cotterêts, a cerca de duzentos quilômetros de Paris, de Alexandre Dumas, filho do general-de-divisão Alexandre Dumas-Davy de la Pailleterie e de Marie-Louise Elisabeth Labouret.

1806: Morte do general Dumas. Marie Labouret passa por dificuldades financeiras e permanece junto a seus pais em Villers-Cotterêts.

1815: Durante os cem dias de Napoleão, Alexandre Dumas avista o imperador no albergue de sua cidade natal.

1816: A sra. Dumas obtém a concessão de uma tabacaria. Dumas conclui sua formação numa escola privada católica e é admitido como contínuo num cartório da cidade.

1818: Torna-se amante de Adèle Tellier. Paixão pelo teatro. Conhece Leuven, futuro autor dramático e diretor do Opéra-Comique.

Escrevem juntos dois vaudevilles e um drama.

1823: Vai para Paris e, por intermédio de ex-colegas do general Dumas, é nomeado secretário do duque de Orléans. Sua amante na época é a vizinha Marie-Catherine-Laure Labay, que logo engravida.

1823 (27 JUL): nascimento de seu filho Alexandre Dumas, reconhecido por ele em 17 de março de 1831. Lê Walter Scott, Byron, Fenimore Cooper. Sua mãe instala-se em Paris, onde passam a morar juntos.

1825: Escreve, em colaboração com Leuven e Pierre-Joseph Rousseau, um vaudeville, que assina “Davy” e que é encenado sem maiores repercussões no Ambigu.

1826: Publica Novelas contemporâneas, que consiste em três relatos e alguns poemas.

1826: Assiste entusiasmado à turnê parisiense de uma companhia inglesa que representa Shakespeare (muito pouco conhecido na França até então).

Torna-se amante de Mélanie Waldor, jovem que sonha ser escritora.

1828: Escreve Christine em Fontainebleau, tragédia recusada pela Comédie-Française, e o drama histórico Henrique III e sua corte, que é aceito. Conhece o célebre escritor Charles Nodier, em cuja casa é

apresentado a Hugo, Lamartine, Vigny, Musset e ao pintor Louis Boulanger.

1829: Triunfo de Henrique III e sua corte. Dumas aloja sua mãe doente na rua Madame, instala Catherine Labay e seu filho em Passy e aluga para si um apartamento na rua de l’Université. É nomeado bibliotecário-adjunto do duque de Orléans.

1830: Estréia de Christine no Odéon. A atriz Belle Krelsamer torna-se sua amante. Participa da revolução, da qual faz um amplo relato em suas Memórias e correspondência (a Mélanie Waldor, com a habitual imodéstia: “Tive a felicidade de desempenhar um papel digno de ser notado por La Fayette e pelo duque de Orléans ... tendo me apoderado de um paiol de pólvora. Provavelmente o duque vai ser o rei ...”).

1831: Pede demissão do cargo de bibliotecário. 5 mar: Belle Krelsamer dá à luz uma filha, Marie-Alexandrine, que Dumas reconhece em 7 de março.

Consegue na Justiça a guarda do filho, que, depois de uma briga com Belle Krelsamer, será colocado em diversos pensionatos. 3 mai: estréia de Antony, no teatro da Porte Saint-Martin, sucesso extraordinário. 20 out: estréia, no Odéon, de Carlos VII, sucesso popular.

1831 (10 DEZ) estréia, na Porte Saint-Martin, de Richard Darlington.

1832: Grande sucesso de Teresa. A atriz Ida Ferrier torna-se sua amante.

29 mai: triunfo de A torre de Nesle, escrita por Frédéric Gaillardet e retrabalhada por Dumas. 5-6 jun: depois de se envolver nos levantes republicanos, viaja para a Suíça.

1834: Publica os tomos I e II de suas Impressões de viagem à Suíça. Viaja com os pintores Godefroy Jadin e Amaury Duval para o Sul da França.

1835: Viaja à Itália com Ida Ferrier e o pintor Jadin. Publica novelas e poemas.

1836: Publica compilações das Crônicas de Froissart e uma tradução em versos do Inferno, de Dante. Estréia na Porte Saint-Martin de Don Juan de Marana e, no Variétés, deKean (que recebeu uma montagem no Brasil não muitos anos atrás), grande sucesso. 1837: É nomeado cavaleiro da Legião de Honra. Estréia, no Opéra-Comique, de Piquillo, ópera-cômica escrita em colaboração com Gérard de Nerval. Estréia, na Comédie-Française, de Calígula, um fracasso.

1838: Publica dois romances: O capitão Paul e O mestre de armas. 10 ago: morte da mãe. Viagem com Nerval à Alemanha. Escrevem Léo Burckart, que Nerval remanejou mais tarde e foi encenada em abril de 1839. dez:

Por intermédio do próprio Nerval, conhece aquele que será o seu maior colaborador literário, Auguste Maquet, então com vinte e cinco anos.

1839: Publica Novas impressões de viagem: quinze dias no Sinai (nunca estivera lá, escrevendo a obra de acordo com as recordações e desenhos de Adrien Dauzats). PublicaActeu, romance histórico sobre o reinado de Nero. Estréia na ComédieFrançaise de Mademoiselle de Belle-Isle, encenada mais de quatrocentas vezes entre 1880 e 1884. Instala-se na rua de Rivoli.

1840: Publica cinco romances. Casa-se com Ida Ferrier em fevereiro, partindo para Florença, onde o casal ficará até setembro.

1841: Publica Novas impressões de viagem: o Speronare. jun: em companhia do príncipe Napoleão (filho de Jerônimo Bonaparte), visita a ilha de Elba, a Córsega e, durante uma expedição de barco, vislumbra a ilha de Monte Cristo, um rochedo perdido no mar. Breve passagem pela França, onde assiste ao enterro do duque de Orléans.

1843: Publica quatro romances e Impressões de viagem: o Corricolo.

Passa a morar num palacete da rua de Richelieu. Aluga, em Saint-Germain, a villa Médicis, onde residirá até 1846.

1844: Os três mosqueteiros e início de O conde de Monte Cristo, que será publicado em 1844-45. Separa-se amigavelmente de Ida Ferrier. Compra em Marly um terreno aonde irá construir o castelo de Monte Cristo.

1845: Publica A rainha Margot e Vinte anos depois. Estréia no Ambigu do drama Os três mosqueteiros, baseado no romance.

1846: Publica quatro romances: O cavaleiro da Casa Vermelha, A dama de Monsoreau, As duas Diana, O bastardo de Mauléon. Início da publicação de José Bálsamo (que comporá a série Memórias de um médico). Funda o Théâtre Historique, que ergue num terreno por ele adquirido no bulevar du Temple. Parte para a Argélia em missão de relações públicas em nome do governo francês, em companhia do filho, Maquet e Boulanger, viagem que foi alvo de intensas críticas por parte da oposição.

1847: Retorna a Paris. Inauguração do Théâtre Historique. Ligação com a atriz Béatrix Parson. Estréia de A rainha Margot. Encontra Dickens em Paris. Instala-se no castelo de Monte Cristo. Publica a continuação de José Bálsamo e o final de As duas Diana.

1848: Publica o final de José Bálsamo e Os quarenta e cinco; início da publicação de O visconde de Bragelonne, Impressões de viagem: De Paris ao Tânger. Caso com a atriz Celeste Scrivaneck. Toma parte em diversas

manifestações republicanas. Estréia, no Théâtre Historique, de Monte Cristo. Venda do castelo de Monte Cristo. Publicação do primeiro número de Mois, revista dedicada à história e à política inteiramente redigida por Dumas. Fracasso de sua candidatura nas eleições para a Assembléia Constituinte. Graves dificuldades financeiras, com o Théâtre Historique cheio de dívidas. Estréia de Catilina.

1849: Continuação do Visconde de Bragelonne, relatos de viagem, O colar da rainha. No teatro, montagens de A juventude dos mosqueteiros, O

cavaleiro de Harmental, A guerra das mulheres, O testamento de César, O

conde Hermann, entre outras.

1850: Publica A tulipa negra, A boca do inferno, o final do Visconde de Bragelonne e do Colar da rainha. No teatro: Urbain Grandier, O vinte e quatro de fevereiro, Paulina. out: falência do Théâtre Historique. Caso com a sra. Anna Bauër, com quem tem um filho não-reconhecido.

1851: Montagens de O conde de Morcerf e Villefort, derivadas do Conde de Monte Cristo. Parte em dezembro para Bruxelas, em conseqüência do golpe de Estado de Luís Napoleão. Embora as razões sejam políticas, Dumas também pretende escapar de seus credores (153 listados). Início da publicação de suas Memórias (até outubro de 1853) pelo jornal La Presse.

1852: Publica Olympe de Clèves e Os dramas do mar. Estréia de Benvenuto Cellini. É assediado pelos credores e vai com Victor Hugo para Anvers.

1853: Publicação de Ângelo Pitou, A condessa de Charny, Isaac Laquedem. Instalase definitivamente em Paris. Cria O Mosqueteiro, jornal diário que será publicado até 1857.

1854: Publica Os moicanos de Paris. Estréia de Rômulo, A juventude de Luís XIV, A consciência.

1855: Termina a publicação de Os moicanos de Paris.

1856: Estréia de Oréstia, A torre Saint-Jacques, O ferrolho da rainha. Faz uma viagem a Varennes para se informar sobre a fuga de Luís XVI.

1857: Auguste Maquet move processo contra Dumas por acertos atrasados e para “recuperar sua propriedade” sobre livros em colaboração. Faz uma curta viagem à Inglaterra com seu filho para assistir às corridas em Epsom. Criação do Monte Cristo, “jornal semanal de romances, história, viagem e poesia”, redigido por Alexandre Dumas; último número em 1862.

1858: Publica O capitão Richard. Processo Dumas-Maquet: o tribunal concede a Maquet 25% dos direitos autorais, mas não reconhece seu direito de propriedade sobre as obras escritas em colaboração com Dumas.

jun: partida para a Rússia, convidado por amigos.

1859 (MAR): retorna à França. Púbica suas Impressões de viagem no Monte Cristo e no Constitutionnel. Morre em Gênova Ida Ferrier. Breve visita a Victor Hugo, então exilado na ilha de Jersey. Caso com a jovem atriz Emélie Cordier.

1860: Publica A casa de gelo, A estrada de Varennes e Conversas. Estréia de diversas peças. Faz uma viagem à Itália com Emélie Cordier, com quem tem uma filha, não-reconhecida por ele. set: embarca na pequena escuna que mandara construir em Marselha e participa da expedição à Sicília ao lado de Garibaldi, que o nomeia curador dos Museus de Nápoles.

1861: Estréia de O prisioneiro da Bastilha.

1862: Fracasso de uma segunda peça sobre Monte Cristo.

1864: Retorna a Paris, acompanhado de sua amante, a cantora italiana Fanny Gordosa. Estréia de Os moicanos de Paris. Viagem ao Sul.

1865: Publicação da edição definitiva das Impressões da viagem à Rússia.

Encena Os forasteiros em Lyon, quando assume a direção do Grande Teatro Parisiense.

1866: Aluga no bulevar Malhesherbes o apartamento que será sua última residência em Paris. jun: temporada em Nápoles e Florença. jul: viaja à Alemanha e Áustria para preparar um romance. Relança O Mosqueteiro, que será publicado até abril de 1867.

1867: Publica Os brancos e os azuis, O terror prussiano, Os homens de ferro. Caso com a atriz norte-americana Adah Menken.

1868: Publica História de meus animais, Recordações dramáticas. fev: primeiro número de D’Artagnan, “jornal de Alexandre Dumas”. Estréia de Madame de Chamblay. Morte de Catherine Labay, mãe de Dumas filho.

1869: Trabalha num Grande dicionário de culinária.

1870: Parte para o Sul. 5 dez: morte de Alexandre Dumas. Sepultamento provisório no cemitério de Neuville-les-Pollet, onde se encontrava.

1872: Sepultamento oficial em Villers-Cotterêts.

1883: Inauguração na praça Malesherbes, em Paris, da estátua de Alexandre Dumas, tendo a seus pés D’Artagnan e uma constelação de leitores, de autoria de Gustave Doré.

2002 (30 NOV): no ano do bicentenário de seu nascimento, seus restos mortais são trasladados para o Panthéon, em Paris.

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APRESENTAÇÃO

PREFÁCIO

PARTE I

1. Marselha — A chegada

2. O pai e o filho

3. Os catalães

4. Complô

5. O almoço de noivado

6. O substituto do procurador do rei

7. O interrogatório

8. O castelo de If

9. A noite do noivado

10. O pequeno gabinete das Tulherias

11. O ogro da Córsega

12. O pai e o filho

13. Os Cem Dias

14. O prisioneiro furioso e o prisioneiro louco

15. O número 34 e o número 27

16. Um sábio italiano

17. A cela do abade

18. O tesouro

19. A terceira crise

20. O cemitério do castelo de If

21. A ilha de Tiboulen

PARTE II

1. Os contrabandistas

2. A ilha de Monte Cristo

3. Deslumbramento

4. O desconhecido

5. A estalagem da Ponte do Gard

6. O relato

7. O livro de registro das prisões

8. A Casa Morrel & Filho

9. O 5 de setembro

10. Itália — Simbad, o marujo

11. Despertar

12. Bandidos romanos

13. Aparição

14. A mazzolata

15. O Carnaval de Roma

16. As catacumbas de São Sebastião

17. O encontro

PARTE III

1. Os comensais

2. O café-da-manhã

3. A apresentação

4. O sr. Bertuccio

5. A casa de Auteuil

6. A vendetta

7. A chuva de sangue

8. O crédito ilimitado

9. A parelha tordilha

10. Ideologia

11. Haydée

12. A família Morrel

13. Píramo e Tisbe

14. Toxicologia

15. Roberto Diabo

16. A alta e a baixa

17. O major Cavalcanti

18. Andrea Cavalcanti

19. O cercado de alfafa

PARTE IV

1. O sr. Noirtier de Villefort

2. O testamento

3. O telégrafo

4. Como livrar um jardineiro dos arganazes que comem

seus pêssegos

5. Os fantasmas

6. O jantar

7. O mendigo

8. Cena conjugal

9. Planos de casamento

10. O gabinete do procurador do rei

11. Um baile de verão

12. As informações

13. O baile

14. O pão e o sal

15. A sra. de Saint-Méran

16. A promessa

17. O jazigo da família Villefort

18. A ata

19. Os progressos de Cavalcanti filho

20. Haydée

PARTE V

1. “Escrevem-nos de Janina”

2. A limonada

3. A acusação

4. O quarto do padeiro aposentado

5. O arrombamento

6. A mão de Deus

7. Beauchamp

8. A viagem

9. O julgamento

10. A provocação

11. O insulto

12. A noite

13. O encontro

14. A mãe e o filho

15. O suicídio

16. Valentine

17. A confissão

18. O pai e a filha

19. O contrato

20. A estrada da Bélgica

PARTE VI

1. O Hotel do Sino e da Garrafa

2. A lei

3. A aparição

4. Locusta

5. Valentine

6. Maximilien

7. A assinatura Danglars

8. O cemitério Père-Lachaise

9. A partilha

10. O Covil dos Leões

11. O juiz

12. O júri

13. O auto de acusação

14. Expiação

15. A partida

16. O passado

17. Peppino

18. O cardápio de Luigi Vampa

19. O perdão

20. O 5 de outubro

CRONOLOGIA