O Conde de Monte Cristo

Alexandre Dumas · Capítulo 72 de 119

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O Conde de Monte Cristo

13. O baile

6 Bad-haus: casa de banhos.

7 Grisier: Augustin Grisier (1791-1865), mestre-de-armas de Alexandre Dumas.

13. O baile

Os dias mais quentes de julho haviam chegado, quando veio se apresentar por sua vez, na seqüência do tempo, o sábado em que devia acontecer o baile do sr. de Morcerf.

Eram dez horas da noite: as grandes árvores no jardim do palacete do conde destacavam-se nitidamente contra o céu, no qual deslizavam, desvendando uma tonalidade de azul salpicada por estrelas douradas, os últimos vapores de uma tempestade que rugira ameaçadora o dia inteiro.

Nas salas do térreo ouvia-se a música sussurrando e a valsa e o galope num turbilhão, enquanto feixes resplandecentes de luz atravessavam como facas os vãos das persianas.

Nesse momento, uma dezena de criados estava encarregada de servir no jardim, e a eles a dona da casa, tranqüilizada pelo tempo cada vez mais ameno, acabava de ordenar que preparassem a ceia.

Até então, a dúvida era se a refeição seria posta na sala de jantar ou sob uma comprida tenda de lona erguida no gramado. Aquele bonito céu azul, todo coberto de estrelas, acabava de decidir o processo em favor da tenda e do gramado.

As aléias do jardim estavam iluminadas com lanternas coloridas, como é costume na Itália, e a mesa da ceia, abarrotada de velas e flores, como é costume em todos os países onde se compreende um pouco o luxo da mesa, o mais raro de todos, quando pretendemos encontrá-lo completo.

No momento em que a condessa de Morcerf, após ter dado as últimas ordens, adentrava novamente seus salões, estes começavam a se encher de convidados atraídos pela encantadora hospitalidade da condessa, muito mais que pela posição elevada do conde; pois todos tinham a certeza antecipada de que aquela festa ofereceria, graças ao bom gosto de Mercedes, alguns detalhes dignos de serem comentados ou imitados em caso de necessidade.

A sra. Danglars, a quem os acontecimentos que relatamos haviam inspirado uma profunda preocupação, hesitara em ir à casa da sra. de Morcerf, até que, pela manhã, seu coche cruzara com o de Villefort. Este lhe fizera um aceno, os dois coches se aproximaram e, através das portinholas, o procurador do rei perguntara:

— Vai à casa da sra. Morcerf?

— Não — respondera a sra. Danglars —, estou muito angustiada.

— Irá cometer um erro — retrucou Villefort, com um olhar significativo

—, seria importante que fosse vista lá.

— Acha? — perguntou a baronesa.

— Acho.

— Nesse caso, irei.

E os dois coches retomaram seu itinerário divergente. Portanto, a sra.

Danglars tinha vindo apenas com sua beleza própria, mas também deslumbrante de luxo; ela entrou por uma porta no exato momento em que Mercedes entrava por outra.

A condessa despachou Albert em direção à sra. Danglars; Albert avançou, fez à baronesa, acerca de sua toalete, os elogios merecidos, e tomou-lhe o braço para conduzi-la ao lugar que lhe aprouvesse escolher.

Albert olhou ao redor.

— Está procurando a minha filha? — perguntou a baronesa, sorrindo.

— Devo admitir — disse Albert. — Teria feito a crueldade de não trazê-la?

— Acalme-se, ela encontrou a srta. de Villefort e tomou seu braço; veja, estão as duas atrás de nós, ambas de vestido branco, uma com um buquê de camélias, outra com um buquê de miosótis; mas, e quanto a...

— O quê? O que a senhora procura? — perguntou Albert sorrindo.

— Não receberá aqui esta noite o conde de Monte Cristo?

— Dezessete! — respondeu Albert.

— Que significa isso?

— Significa que está tudo bem — riu o visconde —, e que a senhora é a décima sétima pessoa que me faz a mesma pergunta; está bem cotado o conde! Cumprimento-o por isso...

— E o senhor responde a todos como a mim?

— Ah, é verdade, não lhe respondi; acalme-se, senhora, teremos o homem da moda, somos privilegiados.

— O senhor esteve ontem no Opéra?

— Não.

— Mas ele estava.

— Sério! E o excentric man fez alguma nova extravagância?

— E ele consegue se mostrar sem isso? Elssler dançava em O

diabo coxo1; a princesa grega estava entusiasmada. Depois da cachucha, ele enfiou um magnífico anel no buquê e o lançou para a encantadora

bailarina, que no terceiro ato reapareceu para homenageá-lo com seu anel no dedo. E a princesa grega, o senhor a receberá também?

— Não, serão obrigados a se privar dela; sua posição na casa do conde não é muito clara.

— Pois bem, deixe-me aqui e vá cumprimentar a sra. de Villefort —

disse a baronesa. — Vejo que ela está morrendo de vontade de falar com o senhor.

Albert cumprimentou a sra. Danglars e foi em direção à sra. de Villefort, que abriu a boca à medida que ele se aproximava.

— Aposto — disse Albert, interrompendo-a — que sei o que vai me perguntar?

— Ah, duvido! — disse a sra. de Villefort.

— Se eu acertar, admitirá?

— Sim.

— Palavra de honra?

— Palavra de honra!

— Vai me perguntar se o conde de Monte Cristo já chegou ou se ele virá...

— Nada disso. Não é com ele que me preocupo neste momento. Eu ia lhe perguntar se recebeu notícias do sr. Franz.

— Recebi, ontem.

— O que ele lhe dizia?

— Que partia junto com a carta.

— Ótimo. Agora o conde...

— O conde virá, fique tranqüila.

— Sabia que ele tem outro nome sem ser Monte Cristo?

— Não, não sabia.

— Monte Cristo é o nome de uma ilha, e ele tem um nome de família.

— Nunca o ouvi pronunciá-lo.

— Pois bem! Estou mais avançada que o senhor; ele se chama Zaccone.

— É possível.

— É maltês.

— Também é possível.

— Filho de um armador.

— Oh, mas, convenhamos, a senhora deveria contar essas coisas em voz alta, faria o maior sucesso!

— Serviu na Índia, explora uma mina de prata na Tessália e está em Paris para criar uma estância de águas minerais em Auteuil.

— Que coisa! E, bem a propósito — disse Morcerf —, novidades!

Autoriza-me a repeti-las?

— Sim, mas em gotas, uma por uma, sem dizer que as ouviu de mim.

— Por quê?

— Porque é quase um segredo desvendado.

— Por quem?

— Pela polícia.

— Então essas novidades surgiram...

— Ontem à noite na casa do delegado. Paris levou um choque, como pode perceber, diante desse luxo inusitado, e a polícia colheu informações.

— Que beleza! Só faltava prenderem o conde como vagabundo, sob o pretexto de que é muito rico.

— Com certeza, era o que poderia ter acontecido se as informações não lhe fossem tão favoráveis.

— Pobre conde, e ele suspeita do perigo que correu?

— Não acredito.

— Então será uma caridade avisá-lo. Assim que ele chegar, não deixarei de fazê-lo.

Nesse momento, um belo rapaz de olhos vivos, cabelos pretos e bigode reluzente foi cumprimentar respeitosamente a sra. de Villefort. Albert estendeu-lhe a mão.

— Senhora — disse Albert —, tenho a honra de lhe apresentar o sr. Maximilien Morrel, capitão dos spahis, um dos nossos bons e, sobretudo, bravos oficiais.

— Já tive o prazer de encontrar o cavalheiro em Auteuil, na casa do conde de Monte Cristo — respondeu a sra. de Villefort, esquivando-se com uma frieza intencional.

Essa resposta, e principalmente o tom com que foi pronunciada, entristeceu o coração do infeliz Morrel; mas uma compensação o aguardava; ao se voltar, viu no umbral da porta um rosto branco e belo, cujos olhos dilatados e sem expressão aparente não desgrudavam dele, enquanto o buquê de miosótis subia lentamente a seus lábios.

Aquela saudação foi tão bem compreendida que Morrel, em resposta, com a mesma expressão no olhar, aproximou o lenço de sua boca; e as duas estátuas vivas, cujos corações batiam tão celeremente sob o mármore

aparente de seus rostos separados um do outro por toda a amplidão da sala, esqueceram-se por um instante, ou melhor, por um instante esqueceram-se de todo mundo naquela muda contemplação.

Poderiam ter permanecido mais tempo assim, perdidos um no outro, sem que ninguém notasse seu alheamento a todas as coisas: o conde de Monte Cristo acabava de entrar.

... ao se voltar, viu um rosto branco e belo, cujos olhos dilatados e seus em expressão aparente não desgrudavam dele.

Já dissemos que o conde, fosse por prestígio artificial, fosse por prestígio natural, chamava a atenção em todos os lugares em que se apresentava; não era seu casaco preto, irretocável, é verdade, em seu corte, mas simples e sem maiores enfeites; não era seu colete branco, sem bordado algum; não era sua calça, encaixando-se nos pés da maneira mais delicada, que chamava a atenção; era sua pele fosca, seus cabelos negros cacheados, seu rosto calmo e puro, seu olhar profundo e melancólico, era, enfim, sua boca, desenhada com um refinamento maravilhoso, capaz de

assumir com enorme facilidade uma expressão de altivo desdém, que fazia todos os olhares grudarem nele.

Podia haver homens mais belos, mas decerto não os havia mais significativos, que nos perdoem a expressão; tudo no conde queria dizer alguma coisa e tinha seu valor, pois a prática do pensamento útil dera a seus traços, à expressão de seu rosto e ao mais insignificante de seus gestos, uma docilidade e firmeza incomparáveis.

Mas nossa sociedade parisiense é tão estranha que talvez nada houvesse chamado atenção se, por baixo de tudo isso, não subjazesse uma história misteriosa, dourada por uma imensa fortuna.

Seja como for, sob o peso dos olhares e em meio às trocas dos cumprimentos de passagem, ele avançou até a sra. de Morcerf, que, de pé em frente à lareira enfeitada com flores, vira-o surgir num espelho instalado em frente à porta e se preparara para recebê-lo.

Ela se voltou então para o convidado com um sorriso cheio de dignidade, no mesmo instante que ele se inclinava numa cortesia.

Provavelmente ela julgou que o conde iria falar; provavelmente, por sua vez, o conde julgou que ela iria dirigir-lhe a palavra; mas os dois lados permaneceram mudos, de tal forma uma banalidade parecia-lhes indigna de ambos; e, após uma troca de cumprimentos, Monte Cristo dirigiu-se até Albert, que se encaminhava para ele com a mão espalmada.

— Esteve com a minha mãe? — perguntou Albert.

— Acabo de ter a honra de cumprimentá-la — disse o conde —, mas não vi o seu pai.

— Veja! Está conversando ali com um pequeno grupo de grandes celebridades.

— É verdade — disse Monte Cristo — que os cavalheiros ali reunidos são celebridades? Eu nunca teria imaginado! E de que tipo? Há celebridades de todas as espécies, como sabe.

— Em primeiro lugar, há um cientista, aquele sujeito alto e ressequido; ele descobriu nos campos de Roma um lagarto que possui uma vértebra a mais que os demais, e voltou para comunicar essa descoberta ao Instituto.

O negócio foi contestado durante muito tempo; mas, finalmente, o triunfo coube ao sujeito alto e ressequido. A vértebra provocou um estardalhaço no mundo científico; o sujeito alto e ressequido, que era apenas cavaleiro da Legião de Honra, foi nomeado oficial.

— Com todos os méritos! — disse Monte Cristo. — Eis uma cruz que me parece sensatamente concedida; quer dizer que, se ele descobrir uma segunda vértebra, será nomeado comendador?

— É provável — disse Morcerf.

— E aquele outro, que teve a singular idéia de se pavonear com uma roupa azul bordada de verde, quem pode ser?

— Não foi ele quem teve a idéia de se pavonear com essa roupa: foi a República, a qual, como sabe, tinha veleidades artísticas e,

querendo criar uma farda para os acadêmicos, rogou a David2 que lhes desenhasse uma.

— Ah, está me dizendo — disse Monte Cristo — que esse senhor é acadêmico?

— É membro da douta assembléia faz uma semana.

— E qual é o seu mérito, sua especialidade?

— Sua especialidade? Acho que enfia alfinetes na cabeça de coelhos, faz galinhas comerem garancina, extrai com barbatanas de baleia a medula espinhal de cães...

— E ele é da Academia de Ciências por causa disso?

— Não, da Academia Francesa.

— Mas o que tem a Academia Francesa a ver com tais pesquisas?

— Vou lhe dizer, parece...

— Que seus experimentos fizeram a ciência dar um grande passo, provavelmente?

— Não, mas que ele escreve com muito estilo.

— Isso — disse Monte Cristo — deve lisonjear imensamente o amorpróprio dos coelhos em cujas cabeças ele enfia alfinetes, das galinhas cujos ossos ele tinge de vermelho e dos cães cuja medula espinhal ele extirpa.

Albert começou a rir.

— E aquele outro? — perguntou o conde.

— Aquele ali?

— É, o terceiro.

— Ah, o de azul-claro?

— Sim.

— É um colega do conde, que vem se opor calorosamente a que a Câmara dos Pares tenha um uniforme; fez um grande sucesso na tribuna com essa matéria; estava mal com as gazetas liberais, mas sua nobre

oposição aos desejos da corte acaba de reconciliá-lo com elas; falam em nomeá-lo embaixador.

— E quais são seus títulos com vistas ao pariato?

— Fez duas ou três opéras-comiques, comprou quatro ou cinco

ações do Siècle3, e votou durante cinco ou seis anos a favor do Ministério.

— Bravo, visconde! — disse Monte Cristo, rindo. — O senhor é um anfitrião muito divertido; agora me fará um favor, não é mesmo?

— Qual?

— Não me apresente a esses cavalheiros, e, caso eles peçam para serem apresentados a mim, avise-me.

Nesse momento, o conde sentiu uma mão em seu braço; voltou-se, era Danglars.

— Ah, é o senhor, barão! — exclamou ele.

— Para que me chamar de barão? — perguntou Danglars. — Sabe muito bem que não ligo para o meu título. Não sou como o sr. visconde; o senhor faz questão, não é mesmo?

— Naturalmente — respondeu Albert —, considerando que, se eu não fosse visconde, não seria mais nada, enquanto o senhor pode sacrificar seu título de barão que lhe resta ainda o de milionário.

— O qual me parece o mais belo título sob a Monarquia de Julho4 —

replicou Danglars.

— Infelizmente — disse Monte Cristo —, ninguém é milionário vitalício como é barão, par de França ou acadêmico; prova disso são os milionários Franck & Pulmann, de Frankfurt, que acabam de declarar bancarrota.

— É verdade? — perguntou Danglars, empalidecendo.

— Palavra de honra, recebi essa notícia agora à noite, por um mensageiro; eu tinha aproximadamente um milhão com eles; porém, avisado a tempo, exigi o reembolso há cerca de um mês.

— Ah, meu Deus! — disse Danglars. — Eles sacaram junto a mim duzentos mil francos.

— Muito bem, agora está avisado; a assinatura deles vale cinco por cento.

— Oh, mas estou sendo avisado tarde demais — disse Danglars —, eu honrei a assinatura deles.

— Bom! — disse Monte Cristo — lá se vão mais duzentos mil francos, que vão se somar...

— Schhh! — disse Danglars — não comente essas coisas... — então, aproximando-se de Monte Cristo — ... sobretudo na frente do sr.

Cavalcanti filho — acrescentou o banqueiro, que, após pronunciar estas palavras, voltou-se sorridente na direção do rapaz.

Morcerf deixara o conde para ir falar com sua mãe. Danglars deixou-o para cumprimentar Cavalcanti filho. Monte Cristo viu-se sozinho por um instante.

Nesse ínterim, o calor começava a se tornar excessivo.

Os criados circulavam pelos salões com as bandejas cheias de frutas e sorvetes.

Monte Cristo enxugou com o lenço o rosto molhado de suor; mas recuou quando a bandeja passou à sua frente e não pegou nada para se refrescar.

A sra. de Morcerf não desgrudava os olhos de Monte Cristo. Viu passar a bandeja sem que ele a tocasse; captou inclusive o gesto com que ele a repeliu.

— Albert — disse ela —, notou uma coisa?

— O quê, minha mãe?

— Que o conde nunca aceitou jantar na casa do sr. de Morcerf.

— Sim, mas aceitou tomar o café da manhã na nossa, uma vez que foi nessa ocasião que fez sua estréia na sociedade.

— Sua casa não é a casa do conde Morcerf — murmurou Mercedes —, e, desde que ele chegou, não paro de examiná-lo.

— E então?

— E então! Ele ainda não comeu nada.

— O conde é muito sóbrio. Mercedes sorriu tristemente.

— Aproxime-se dele — ela disse — e, quando a primeira bandeja passar, insista.

— Por que isso, mãe?

— Faça-me essa gentileza, Albert — pediu Mercedes.

Albert beijou a mão de sua mãe e foi instalar-se perto do conde.

Uma outra bandeja passou, carregada como as precedentes; ela viu Albert insistir junto ao conde, pegar inclusive um sorvete e lhe oferecer, mas ele recusou obstinadamente.

Albert voltou para junto da mãe; a condessa estava muito pálida.

— Muito bem — ela disse —, você viu, ele recusou.

— Sim, mas, em que isso pode preocupá-la?

— Você sabe, Albert, as mulheres são singulares. Eu teria visto com prazer o conde comer alguma coisa na minha casa, nem que fosse uma semente de romã. Em todo caso, pode ser que ele não esteja habituado aos costumes franceses, pode ser que tenha preferência por alguma outra coisa.

— Meu Deus, não! Na Itália ele comia de tudo, eu vi; talvez esteja indisposto esta noite.

— Além disso — reforçou a condessa —, vivendo quase sempre em climas quentes, talvez seja menos sensível ao calor.

— Não acredito, pois ele se queixava de estar sufocando e perguntava por quê, visto que as janelas já estavam abertas, não se abriam também as gelosias.

— Sendo assim — disse Mercedes —, não me resta dúvida de que essa abstinência é intencional.

E ela deixou o salão.

Um minuto depois, as persianas se abriram, e todos puderam, através dos jasmineiros e das clematites que enfeitavam as janelas, ver o jardim iluminado pelas lanternas e a ceia posta sob a tenda.

Dançarinos e dançarinas, jogadores e confabuladores soltaram um grito de alegria; todos aqueles pulmões constrangidos aspiravam deliciados o ar que entrava aos borbotões.

No mesmo instante, Mercedes reapareceu, mais pálida do que antes, mas com aquela firmeza na fisionomia que lhe era notável em determinadas circunstâncias. Foi diretamente até o grupo do qual seu marido era o centro:

— Não prenda esses cavalheiros, sr. conde — disse —, eles também vão preferir, se não estiverem jogando, respirar no jardim a sufocar aqui dentro.

— Ah, senhora — disse um velho general muito galante, que

cantara: Vamos para a Síria! 5 em 1809 —, não iremos sozinhos para o jardim.

— De acordo — disse Mercedes —, então vou dar o exemplo. E

voltando-se para Monte Cristo:

— Sr. conde — disse ela —, faça-me a honra de me oferecer o seu braço.

O conde quase vacilou a essas simples palavras; olhou então para Mercedes. Esse momento teve a rapidez de um raio e, no entanto, pareceu

à condessa ter durado um século, tanto Monte Cristo instilara pensamentos naquele único olhar.

Ofereceu o braço à condessa; ela se apoiou nele, ou, melhor dizendo, roçou-o com sua mãozinha, e ambos desceram uma das escadarias da entrada ladeada por azaléias e camélias.