O Conde de Monte Cristo
11. O ogro da Córsega
14 Molli fugiens anhelitu: “Tu fugirás dele, covarde, até ficares sem fôlego”; citação de Horácio, nas Odes, I, 15, v.3.
15 Justum et tenacem propositi virum: “O homem justo e firme em seus propósitos”; citação de Horácio, nas Odes, III, 3, v.1.
16 Brézé: Henri-Évrard, marquês de Dreux-Brézé (1766-1829), com a Restauração havia retomado as funções, hereditárias em sua família, de chefe do cerimonial da Coroa francesa.
11. O ogro da Córsega
Luís XVIII, perante aquele rosto transtornado, repeliu violentamente a mesa à qual se achava.
— O que houve, sr. barão? — exclamou. — Parece completamente transtornado: essa perturbação, essa hesitação, tem alguma coisa a ver com o que dizia o sr. de Blacas e com o que o sr. de Villefort acaba de me confirmar?
De sua parte, o sr. de Blacas aproximava-se agilmente do barão, mas o terror do cortesão impedia que o orgulho do homem de Estado triunfasse; com efeito, em tais circunstâncias, era-lhe muito mais vantajoso ser humilhado pelo chefe de Polícia que humilhá-lo com um assunto daqueles.
— Sire... — balbuciou o barão.
— Ora, diga logo! — ordenou Luís XVIII.
O ministro da Polícia, cedendo então a um movimento de desespero, foi se precipitar aos pés de Luís XVIII, que recuou um passo franzindo o cenho.
— O senhor vai falar? — disse ele.
— Oh, sire, que desgraça terrível! Tereis compaixão de mim? Jamais irei me consolar!
— Senhor — disse Luís XVIII —, ordeno-lhe que fale.
— Pois bem: sire, o usurpador deixou a ilha de Elba em 26 de
fevereiro e desembarcou em 1o de março1.
— Onde, isto? — perguntou o rei com energia.
— Na França, sire, num pequeno porto, perto de Antibes, no golfo de Juan.
— O usurpador desembarcou na França, perto de Antibes, no golfo de Juan, a mil e duzentos quilômetros de Paris, em 1o de março e o senhor fica sabendo dessa notícia somente hoje, 5 de março...! Ora, senhor, o que me diz é impossível! Ou fizeram-lhe um relatório falso, ou o senhor está maluco.
— Ai de mim, sire, é a pura verdade!
Luís XVIII fez um gesto indescritível de raiva e pavor, e levantou-se todo empertigado, como se um golpe imprevisto o houvesse atingido ao mesmo tempo no coração e no semblante.
— Na França! — exclamou. — O usurpador na França! Mas não vigiávamos esse homem? Ou, quem sabe, estávamos de conluio com ele?
— Oh, sire! — exclamou o duque de Blacas. — Um homem como o sr.
Dandré não pode ser acusado de traição. Sire, estávamos todos cegos, e o ministro da Polícia compartilhou a cegueira geral, apenas isso.
— Mas... — disse Villefort, em seguida interrompendo-se bruscamente:
— Ah! perdão, perdão, sire — ele disse, inclinando-se —, meu zelo me exalta, que Vossa Majestade queira me desculpar.
— Fale, senhor, fale abertamente — disse o rei. — O senhor foi o único que nos avisou do mal, ajude-nos a encontrar remédio para ele.
— Sire — disse Villefort —, o usurpador é detestado no Midi; pareceme que se ele se aventurar no Midi, podemos facilmente levantar contra ele a Provence e o Languedoc.
— Sim, decerto — disse o ministro —, mas e se ele avançar por Gap e Sisteron?
— Por acaso — disse Luís XVIII —, esse avanço significa que ele marcha rumo a Paris?
O ministro da Polícia manteve um silêncio que equivalia à mais completa confirmação.
— E o Dauphiné, senhor — perguntou o rei a Villefort —, acha que podemos contar com ele como com a Provence?
— Sire, sinto muito dizer à Vossa Majestade uma verdade cruel; mas o espírito do Dauphiné está longe de equivaler ao da Provence
e do Languedoc. Os montagnards2 são bonapartistas, sire.
— Isso é sinal de que Bonaparte está bem-informado — murmurou Luís XVIII. — E de quantos homens ele dispõe?
— Não sei, sire — disse o ministro da Polícia.
— Como, não sabe!? Esqueceu-se de se informar a respeito disso? De fato, é um detalhe sem importância — acrescentou o rei, com um sorriso acachapante.
— Sire, eu não podia ter essa informação; o despacho anunciava apenas o desembarque e a rota tomada pelo usurpador.
— E como esse despacho chegou às suas mãos?
O ministro abaixou a cabeça, e seu rosto foi invadido por um vivo tom de vermelho.
— Pelo telégrafo, sire — balbuciou ele.
Luís XVIII deu um passo adiante e cruzou os braços, como Napoleão teria feito.
— Quer dizer — disse o rei, empalidecendo de raiva — que uma coalizão de sete exércitos terá derrubado esse homem; que um milagre dos céus me terá recolocado no trono dos meus pais, após vinte e cinco anos de exílio; que eu terei, durante esses vinte e cinco anos, estudado, sondado, analisado os homens e as coisas desta França que me era prometida para, após atingir o fim de todos os meus anseios, uma força que eu esmagava nas mãos vir explodi-los e aniquilá-los!
— É a fatalidade, sire — murmurou o ministro, percebendo que um peso daqueles, leve para o destino, bastava para esmagar um homem.
— Então o que nossos inimigos diziam a nosso respeito é mesmo verdade: “Nada aprendem, nada esquecem.” Se eu tivesse sido traído como ele, ainda me consolaria; mas conviver com pessoas por mim elevadas a dignidades, que deviam zelar por mim mais ciosamente que por si mesmas, uma vez que o meu destino é o delas, antes de mim não eram nada, depois de mim não serão nada, e perecer miseravelmente por incapacidade, por inépcia! Ah, sim, o senhor tem toda a razão, é a fatalidade!
O ministro conservava-se curvado sob aquele anátema assustador.
O sr. de Blacas enxugava a testa coberta de suor; Villefort sorria interiormente, pois sentia sua importância aumentar.
— Cair — continuava Luís XVIII, que ao primeiro relance sondara o precipício à beira do qual pendia a monarquia —, cair e saber da queda pelo telégrafo! Oh! Prefiro subir no cadafalso do meu irmão Luís XVI a descer dessa forma as escadas das Tulherias, escorraçado pelo ridículo... O
ridículo, meu caro, o senhor não sabe o que é isso na França, e não obstante deveria sabê-lo.
— Sire, sire — murmurou o ministro —, por piedade!
— Aproxime-se, sr. de Villefort — continuou o rei, dirigindo-se ao rapaz, que, de pé, imóvel e em segundo plano, considerava os rumos daquela conversa, sobre a qual paraiva, cego, o destino de um reinado —, aproxime-se e diga ao cavalheiro que era possível saber antecipadamente tudo que ele não soube.
Retorno da ilha de Elba.
— Sire, era materialmente impossível prever os planos que esse homem escondia do mundo inteiro.
— Materialmente impossível! Sim, eis uma expressão grandiloqüente, senhor; infelizmente, palavras grandiloqüentes pedem homens à altura delas, já lhes tomei as medidas. Materialmente impossível para um ministro, que dispõe de uma administração, repartições, agentes, vigias, espiões e cento e cinqüenta mil francos de verbas secretas, saber o que se passa a duzentos quilômetros da costa da França! Que coisa! Veja, aqui está o cavalheiro, que não tinha nenhum desses recursos à sua disposição, aqui está o cavalheiro, simples magistrado, que sabia mais sobre isso que o senhor com toda a sua polícia, e que teria salvado minha coroa se tivesse, como o senhor, permissão para usar o telégrafo.
O olhar do ministro da Polícia voltou-se com uma expressão de profundo despeito para Villefort, que inclinou a cabeça com a modéstia do triunfo.
— Estas palavras não se referem ao senhor, Blacas — continuou Luís XVIII —, pelo menos o senhor teve a perspicácia de perseverar em sua suspeita; um outro que não o senhor talvez tivesse considerado a revelação do sr. de Villefort insignificante, ou quem sabe sugerida por uma ambição venal.
Estas palavras faziam alusão àquelas que o ministro da Polícia citara com tanta confiança uma hora antes.
Villefort compreendeu o jogo do rei. Um outro talvez se tivesse deixado levar pela embriaguez do elogio; mas ele temeu criar um inimigo na pessoa do ministro da Polícia, embora percebesse que este encontrava-se irremediavelmente perdido. Com efeito, o ministro, que na plenitude de seu poder tinha sido incapaz de descobrir o segredo de Napoleão, podia, nas convulsões de sua agonia, desvendar o de Villefort: para isso, bastava interrogar Dantès. Foi então em socorro do ministro em vez de aniquilá-lo.
— Sire — disse Villefort —, a rapidez do ocorrido deve demonstrar à Sua Majestade que apenas uma tempestade provocada por Deus poderia impedilo; o que Vossa Majestade julga uma conseqüência de profunda perspicácia de minha parte deve-se pura e simplesmente ao acaso; aproveitei-me desse acaso como servidor devotado, apenas isso. Não me concedei mais do que mereço, sire, para nunca mais vos desfazerdes da primeira idéia que tereis concebido de mim.
O ministro da Polícia agradeceu o rapaz com um olhar eloqüente e Villefort compreendeu que seu plano dera certo, isto é, que sem nada perder da gratidão do rei, acabava de fazer um amigo, com quem podia contar em caso de necessidade.
— Muito bem — disse o rei. — E agora, meus caros — continuou, voltando-se para o sr. de Blacas e para o ministro da Polícia —, não preciso mais dos senhores: o que resta a fazer é da alçada do ministro da Guerra.
— Felizmente, sire — disse o sr. de Blacas —, podemos contar com o exército. Vossa Majestade sabe muito bem que todos os relatórios o descrevem como fiel ao seu governo.
— Não me fale de relatórios, duque: agora sei a confiança que podemos depositar neles. Ah, e a propósito de relatórios, sr. barão, que soube de
novo sobre o caso da rua Saint-Jacques?
— O caso da rua Saint-Jacques! — exclamou Villefort, não conseguindo abafar uma exclamação.
Mas, detendo-se subitamente:
— Perdão, sire — disse ele —, meu devotamento à Vossa Majestade fazme incessantemente esquecer, não o respeito que tenho por ela, esse respeito está indelevelmente gravado no meu coração, mas as regras da etiqueta.
— Diga e faça, senhor — replicou Luís XVIII. — Hoje o senhor conquistou o direito de interrogar.
— Sire — respondeu o ministro da Polícia —, hoje mesmo, quando eu acabava de dar à Vossa Majestade as recentes informações que eu recolhera sobre esse fato, a atenção de Vossa Majestade foi desviada pela terrível catástrofe do golfo; agora essas informações não têm mais interesse algum para o rei.
— Ao contrário, senhor, ao contrário — disse Luís XVIII —, esse caso me parece ter uma relação direta com o que nos ocupa, e a
morte do general Quesnel3 talvez nos ponha no rastro de um grande complô interno.
Ao nome do general Quesnel, Villefort sentiu um arrepio.
— Com efeito, sire — continuou o ministro da Polícia —, tudo leva a crer que essa morte é resultado não de um suicídio, como se acreditara a princípio, mas de um assassinato. Ao que parece, o general Quesnel estava saindo de um clube bonapartista quando desapareceu. Um homem desconhecido viera buscá-lo naquela mesma manhã e marcaram um encontro na rua Saint-Jacques; infelizmente, o criado de quarto do general, que o penteava no momento em que esse desconhecido foi introduzido no gabinete, ouviu claramente que ele designava a rua Saint-Jacques, mas não memorizou o número.
À medida que o ministro da Polícia dava essas informações a Luís XVIII, Villefort, com uma expressão de desconforto, ruborizava e empalidecia.
O rei voltou-se para ele.
— Não pensa como eu, sr. de Villefort, que o general Quesnel, aparentemente ligado ao usurpador, mas, na realidade, todo meu, morreu vítima de uma emboscada bonapartista?
— É provável, sire — respondeu Villefort —, mas não há outras pistas?
— Estamos no rastro do homem que marcou o encontro.
— No rastro? — repetiu Villefort.
— Sim, o criado forneceu uma descrição: é um homem de cinqüenta a cinqüenta e dois anos, moreno, de olhos pretos, cobertos por espessas sobrancelhas, e bigode; vestia um redingote azul e usava na lapela uma roseta de oficial da Legião de Honra. Ontem seguimos um indivíduo cujas características correspondem exatamente às que acabo de descrever e o perdemos na esquina da rua de La Jussienne com a Coq-Héron.
Villefort apoiara-se no espaldar de uma poltrona, pois, à medida que o ministro da Polícia falava, sentia as pernas vacilarem; quando soube que o homem escapara das garras do agente que o seguia, respirou.
— Volte a procurar esse homem, senhor — disse o rei ao ministro da Polícia —, pois, se como tudo me leva a crer, o general Quesnel, que nos teria sido tão útil num momento como este, foi vítima de um assassinato, bonapartistas ou não, quero que seus assassinos sejam cruelmente punidos.
Villefort precisou de todo o seu sangue-frio para não trair o terror que lhe inspirava aquela recomendação do rei.
— Coisa estranha! — prosseguiu o rei, com uma ponta de humor. — A polícia julga dizer tudo quando afirma: um assassinato foi cometido; e tudo ter feito quando acrescenta: estamos no rastro dos culpados.
— Sire, pelo menos nesse caso, Sua Majestade ficará satisfeita, assim o espero.
— Muito bem, veremos; não vou retê-lo por mais tempo, barão. Sr. de Villefort, deve estar cansado dessa longa viagem, vá descansar. Instalou-se na casa de seu pai, estou certo?
Um constrangimento atravessou o olhar de Villefort.
— Não, sire — disse ele —, estou no Hotel de Madrid, rua de Tournon.
— Mas esteve com ele?
— Sire, pedi para ser conduzido diretamente até a casa do sr. duque de Blacas.
— Mas ao menos o visitará?
— Creio que não, sire.
— Ah, está certo — disse Luís XVIII, sorrindo e demonstrando que todas aquelas perguntas reiteradas não haviam sido feitas por acaso. — Eu esquecia que cortou relações com o sr. Noirtier, e que este é mais um sacrifício feito à causa real e pelo qual devo indenizá-lo.
— Sire, a bondade que me dedica Vossa Majestade é uma recompensa que supera tão largamente as minhas ambições que nada tenho a pedir ao
rei.
— Não importa, senhor, e não o esqueceremos, fique tranqüilo; enquanto isso — o rei tirou a cruz da Legião de Honra que usava normalmente em seu casaco azul, perto da cruz de São Luís, acima da placa da ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo e de São Lázaro, e entregou-a a Villefort —, enquanto isso — repetiu —, não se desfaça dessa cruz.
— Sire — disse Villefort —, Vossa Majestade enganou-se, essa cruz é de oficial.
— Ora, senhor — disse Luís XVIII —, pegue-a como é; não tenho tempo para providenciar outra. Blacas, o senhor zelará para que o diploma seja entregue ao sr. de Villefort.
Uma lágrima de orgulhosa alegria umedeceu os olhos de Villefort, que pegou a cruz e a beijou.
— E agora — perguntou ele —, quais são as ordens com que Vossa Majestade me honra?
— Descanse o quanto precisar e pense que, sem forças em Paris para me defender, o senhor pode ser da maior utilidade para mim em Marselha.
— Sire — respondeu Villefort, inclinando-se —, daqui a uma hora terei deixado Paris.
— Vá, meu caro — disse o rei —, e se por acaso eu o esquecer, a memória dos reis é curta, não hesite em me lembrar do senhor... Sr. barão, dê ordens para que mandem buscar o ministro da Guerra. Blacas, fique.
— Ah, senhor — disse o ministro da Polícia a Villefort ao saírem das Tulherias —, está entrando pela porta certa e seu destino está garantido.
— Será ele duradouro? — murmurou Villefort, cumprimentando o
ministro cuja carreira chegara ao fim e procurando com os olhos um coche para voltar ao seu quarto.
Um fiacre passava pelo cais, Villefort fez-lhe um sinal, o fiacre aproximou-se; Villefort deu seu endereço e lançou-se no fundo do veículo, abandonando-se aos seus sonhos de ambição. Dez minutos depois, estava no hotel; pediu seus cavalos para dali a duas horas e ordenou que lhe servissem um almoço.
Ia se pôr à mesa quando o tilintar da campainha soou sob uma mão franca e firme: o criado de quarto foi abrir e Villefort ouviu uma voz pronunciando seu nome.
— Quem já pode saber que estou aqui? — indagou-se o rapaz. Nesse momento, o criado de quarto entrou novamente.
— E então? — disse Villefort. — Quem está aí? Quem tocou a
campainha? Quem deseja falar comigo?
— Um estranho que não quer dizer o nome.
— Como? Um estranho que não quer dizer o nome? E que quer de mim esse estranho?
— Falar com o senhor.
— Comigo?
— Sim.
— Ele disse o meu nome?
— Perfeitamente.
— E que aparência tem esse estranho?
— Bem, senhor, é um homem de uns cinqüenta anos.
— Baixo? Alto?
— Da estatura do senhor, mais ou menos.
— Moreno ou louro?
— Moreno, bem moreno: cabelos pretos, olhos pretos, sobrancelhas pretas.
— E vestido como? — perguntou Villefort, nervoso.
— Com um longo redingote azul abotoado de cima a baixo;
condecorado com a Legião de Honra.
— É ele — murmurou Villefort, empalidecendo.
— Por Deus! — disse, aparecendo na porta, o indivíduo cuja
descrição já fizemos por duas vezes —, e isto lá são modos! Será que a tradição marselhesa manda os filhos darem um chá-de-cadeira no pai?
— Meu pai! — exclamou Villefort. — Então eu estava certo... já desconfiava que era o senhor.
— Se desconfiava que era eu — disse o recém-chegado, descansando a bengala num canto e o chapéu sobre uma cadeira —, permita-me dizerlhe, querido Gérard, que não é nada amável da sua parte fazer-me esperar assim.
— Deixe-nos, Germain — disse Villefort.
O criado saiu dando visíveis mostras de espanto.
— É ele.
1 1o de março: Napoleão deixou Porto Ferraio durante a noite, a bordo do brigue L’Inconstant, escoltado por outras cinco embarcações. Pôs pé em terra firme, no golfo de Juan, no dia 1o de março, às cinco da manhã.
2 Montagnards: os “montanhistas”, grupo político formado a partir da Revolução Francesa, eram assim conhecidos porque seus membros sentavam-se nos lugares mais altos da Assembléia Legislativa. A “Montanha”, favorável ao regime republicano e a uma democracia altamente centralizada, reunia entre seus membros grandes expoentes revolucionários, como Danton, Marat e Robespierre. Teve seu apogeu em 1793, elegendo trezentos deputados para a Convenção Nacional e finalmente chegando ao poder. A política do Terror contribuiu no entanto para que se dividisse em várias tendências, já destituída de suas lideranças mais intrépidas.