Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno

Observações sobre a Destilação a Vácuo

FIGURA 19.7 Um nomograma para você usar.

 

Observações sobre a Destilação a Vácuo

1. Leia todas as observações sobre a Classe 1 (destilação simples).

2. O termômetro pode ser substituído por um tubo de entrada de gás.

Esse tubo tem em uma de suas extremidades um capilar fino e

comprido (Fig. 19.3). A utilização desse tubo visa evitar uma

ebulição extremamente turbulenta, que pode ocorrer em uma

destilação a vácuo. Uma fina corrente de bolhas passando através do

líquido produz o mesmo resultado que uma pérola de vidro. As

pérolas de vidro, na destilação a vácuo, não são de grande utilidade,

uma vez que o vácuo retira todo o ar adsorvido e as cavidades, onde

ocorre a nucleação, ficam cheias de líquido. O capilar fino permite a

entrada de uma pequena quantidade de ar, de forma que podemos

dizer que ainda assim estamos fazendo uma destilação a vácuo. Você

ficaria mais satisfeito se utilizássemos o termo destilação a pressão

reduzida? Pode-se usar um gás inerte (nitrogênio?) se alguma das

substâncias puder se decompor ao ar.

3. Caso seja utilizada uma placa de agitação magnética e um agitador

magnético, não será necessário usar um tubo de entrada de ar.

Coloque o agitador magnético dentro do balão de destilação,

juntamente com o líquido a ser destilado. Use uma manta de

aquecimento para aquecer o balão e coloque a placa de agitação

abaixo da manta. Ao ligar a placa de agitação, o ímã dentro da placa

começa a girar, e o agitador magnético (um ímã recoberto com

Teflon) também gira. A agitação de um líquido também serve para

evitar uma destilação turbulenta.

Lembre-se, primeiro a agitação, depois o vácuo, e finalmente o calor — ou SENÃO…!

Entendido?

4. O controle do aquecimento é extremamente crucial. Não sei como

enfatizar esse fato tão veementemente no papel. Sempre faça o vácuo

primeiro e depois observe a aparelhagem por alguns instantes. Ar

dissolvido ou aprisionado em sua amostra ou, ainda, algum resíduo

extremamente volátil (por exemplo, éter etílico de uma extração

realizada previamente) podem escapar do balão, mesmo antes do

aquecimento. Caso você tenha aquecido a aparelhagem, mesmo que

muito pouco, e posteriormente tenha feito vácuo, sua amostra pode

sair explosivamente do balão, podendo ir parar no frasco coletor.

Espere que o líquido contido no balão de destilação entre em repouso

para iniciar a destilação.

5. Caso você saiba que existe algum composto de baixo ponto de

ebulição em seu líquido, pense em fazer primeiro uma destilação a

pressão atmosférica. Por exemplo, caso saibamos que cerca da

metade do líquido a ser destilado a vácuo é o éter etílico, proveniente

de uma extração, é preferível fazer primeiro uma destilação simples,

para nos livrarmos do éter. Assim, o éter (ou qualquer outro composto

de baixo ponto de ebulição) não estará mais presente, atrapalhando a

destilação a vácuo. Caso seja realizada uma destilação prévia a 1 atm,

deixe o balão de destilação esfriar antes de fazer vácuo na

aparelhagem. Senão, é bem provável que a substância desejada saia

explosivamente do balão, podendo ir parar impura, e não destilada,

no frasco coletor.

6. Lubrifique todas as juntas, sempre (veja “Lubrificação das Juntas”,

no Capítulo 4). Sob vácuo, é muito fácil que alguma substância possa

entrar por entre as juntas e endurecer, fazendo com que as juntas

nunca mais possam ser separadas.

7. O adaptador de vácuo deve se conectado a uma fonte de vácuo, que

pode ser uma bomba de vácuo ou uma trompa d’água. Uma bomba

de vácuo é cara, e, consequentemente, de forma geral, não é

encontrada em laboratórios de graduação de química orgânica. Se

você conseguir uma, excelente! Use-a. Fale com seu professor sobre

os detalhes de sua utilização. A trompa d’água é muito utilizada;

assim, aprenda tudo sobre o seu uso (veja o Capítulo 13).

8. Em uma destilação a vácuo não é muito raro coletar-se uma

substância pura em um intervalo de temperatura de 10-20oC. Se você

não acredita, é porque nunca fez uma destilação a vácuo. Esse fato

está relacionado com a variação de pressão durante a destilação, uma