Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno

Diretrizes Gerais para uma Recristalização

4. Se a amostra se dissolveu enquanto quente, e não se dissolveu à

temperatura ambiente, você está na trilha de um bom solvente de

recristalização. Um último teste.

5. Coloque o tubo de ensaio (sem estar quente) em banho de água-gelo,

e resfrie-o até cerca de mais ou menos 5°C. Se aparecerem muitos

cristais, isso é bom, e esse é seu solvente de recristalização.

6. Suponhamos que seus cristais não reapareçam quando você resfriar a

solução. Coloque um bastão de vidro dentro do tubo de ensaio, agite

a solução, raspe o interior do tubo com o bastão de vidro e agite a

solução. Se ainda assim não reaparecerem cristais, talvez seja melhor

você arranjar outro solvente.

7. Suponhamos, depois disso tudo, que você ainda não tenha encontrado

um solvente. Olhe de novo. Talvez seu composto tenha se dissolvido

completamente em etanol à temperatura ambiente e não se dissolve

em água. É isso! Etanol e água são miscíveis (isto é, misturam-se em

todas as proporções). Você terá de fazer uma recristalização em

solvente misto (veja mais adiante, neste capítulo, “Trabalhando com

um Sistema de Solvente Misto”).

 

DIRETRIZES GERAIS PARA UMA

 

RECRISTALIZAÇÃO

 

Eis aqui algumas regras gerais para purificação de qualquer composto sólido.

1. Coloque o sólido em um Erlenmeyer, não em um bécher. Se você

recristaliza compostos em bécheres, vai ver que o sólido sobe pelas

paredes do bécher indo até você como um lembrete. Geralmente um

Erlenmeyer de 125 mL funciona. Seu sólido deve parecer confortável

dentro dele, nem apertado nem com muito espaço. Provavelmente

você não deve encher o frasco até mais de um quinto a um quarto de

sua capacidade.

2. Aqueça uma grande quantidade do solvente previamente testado (veja

a seção anterior) até o ponto de ebulição e lentamente adicione o

solvente quente à amostra no Erlenmeyer. Lentamente! Uma

palavrinha sobre solventes: Fogo! Solventes queimam! Sem chamas!

Uma placa de aquecimento aqui seria melhor. Você até pode aquecer

os solventes em uma corrente de vapor ou em banho-maria. Mas —

sem chamas!

3. Cuidadosamente, adicione o solvente quente ao sólido só para

dissolvê-lo. Em partes. Sua primeira porção de solvente não tem que

dissolver todo o sólido. Ou você poderia ter ido longe demais e

colocado mais solvente no frasco do que o necessário para apenas

dissolver seu sólido. Isso pode ser complicado, já que solventes

quentes evaporam, resfriam, e assim por diante. Pergunte ao seu

professor.

4. Adicione um pequeno excesso de solvente quente para manter o

sólido dissolvido.

5. Se a solução ficar apenas levemente colorida, as impurezas vão

permanecer na solução. Caso contrário, a grande arma, carvão

ativado, pode ser necessária (veja “Carvão ativado”, mais adiante).

Lembre-se, se você estava trabalhando com um composto colorido,

seria bobagem tentar se livrar de toda a coloração, já que você se

livraria de todo o composto e provavelmente de toda a sua nota.

6. Mantenha o solvente quente (não fervendo) e cuidadosamente veja se

há algum resíduo na amostra. Isso poderia ser antigas pérolas de

vidro, areia, lixo do piso etc. Nada que você gostaria de levar para