Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno
Rejeito Misto
ser lançado no sistema de esgoto? Eu não sei o efeito (se é que existe)
do Mn2+ no meio ambiente. Mas nós o queremos no meio ambiente?
Rejeito Misto
O rejeito misto tem seus próprios problemas especiais e levanta mais questões ainda. Aqui estão alguns exemplos:
1. Preparação do acetaminofen (Tylenol): uma síntese em muitas
etapas. Você acabou de recristalizar a 4-nitroanilina na rota para
obtenção do acetaminofen, lavou e coletou o produto no seu funil de
Buchner. Você tem então cerca de 30-40 mL dessa solução
verdadeiramente alaranjada de 4-nitroanilina e subprodutos. A
nitroanilina é muito corada e os subprodutos o são provavelmente
ainda mais; não há, portanto, muito rejeito sólido nessa solução, não
mais talvez que uma centena de miligramas. Esse resíduo vai para a
pia ou é tratado como rejeito orgânico? Lembre-se de que você tem
que embalar, rotular e transportar para um local seguro de descarte
algo que tem 99,99% de água perfeitamente segura. Converse com
seu professor.
2. Preparação de 1-bromobutano. Você terminou o experimento e vai
limpar o aparelho de destilação. Há um resíduo de 1-bromobutano
recobrindo o adaptador de três vias, o termômetro, o interior do
condensador e o adaptador no final. Você lava esse equipamento na
pia e deixa essa quantidade minúscula de hidrocarboneto halogenado
escoar para o ralo? Ou você rinsa tudo com um pouco de acetona para
outro bécher e depois verte o resíduo no frasco de “hidrocarbonetos
halogenados”, sabendo que a maioria do líquido é acetona e que não
necessita do tratamento especial para haletos? Converse com seu
professor.
3. Isolamento e purificação da cafeína. Um extrato de cafeína em
cloreto de metileno foi seco com um agente secante que ficou
saturado em cloreto de metileno. O agente secante é geralmente um
resíduo sólido não perigoso, não é? Sim, mas onde você o coloca
enquanto ele contiver o cloreto de metileno? Alguns vão dizer para
você colocá-lo em uma cuba em uma capela e deixar o cloreto de
metileno evaporar para a atmosfera. Assim, o agente secante passa a
ser um resíduo sólido não perigoso. Mas você simplesmente
transferiu o problema para outros. Por que simplesmente não colocar
todo o material junto com os “hidrocarbonetos halogenados”?
Normalmente, os “hidrocarbonetos halogenados” vão para um
incinerador especial equipado com traps para remover o HCl e o HBr
produzidos pela queima. Os agentes secantes não queimam muito
bem, e o custo de separar a parte do agente secante desse rejeito é
muito alta. O que você deve fazer? Novamente, pergunte a seu
professor.
Nesses casos, como em muitas outras situações questionáveis, minha tendência é desviar para o lado da cautela e considerar que o rejeito como um todo tem os atributos de seu componente mais perigoso. Esta é, infelizmente, a maneira mais cara de se olhar para a questão. Na ausência de diretrizes,
1. Para começar, não produza muito rejeito.
2. Torne o rejeito tão inofensivo quanto possível. (Lembre-se de que
algumas reações podem ser altamente exotérmicas, logo opere com
cuidado.)
3. Reduza o volume de material ao máximo possível.
Tente lembrar que os encanamentos das pias podem estar conectados, e se você descartar uma solução de sulfito de sódio em uma pia e alguém estiver diluindo um ácido em outra pia, o sulfeto de hidrogênio, que é tóxico, tem cheiro de ovo podre e provoca vômitos, pode voltar pelo encanamento de seu laboratório e talvez de todo o prédio.