Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno

Separação ou Revelação

 

Bem, lá está a mistura, assentada sobre o adsorvente, olhando para você. Agora você começa a passar solventes através do adsorvente. Estude a lista de solventes a seguir, que os técnicos em cromatografia chamam de eluentes.

 

A SÉRIE ELUOTRÓPICA

 

A série eluotrópica é simplesmente uma lista de solventes dispostos em uma ordem crescente, de acordo com a polaridade.

Assim, você começa a passar o “éter de petróleo” (lembre-se de que o éter de petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos parecida com a gasolina — não é, de formal alguma, um éter verdadeiro). Não é muito polar. Então, não fica fortemente retido no adsorvente.

Bem, esse solvente passa pelo adsorvente, cuidando de sua própria vida, quando encontra a mistura colocada lá anteriormente. Ele tenta chutar a mistura para fora de seu caminho. Mas a maior parte da mistura é mais polar, está retida mais fortemente no adsorvente. Como o éter de petróleo não consegue chutar muito bem os compostos mais polares do que ele, a maior parte da mistura é deixada exatamente onde você a colocou.

Não há separação.

 

Desesperado, você tenta o metanol, um dos solventes mais polares. Ele realmente fica fortemente retido no adsorvente. Então, vem caminhando e atinge violentamente todas as moléculas da mistura. Afinal, o álcool metílico é mais polar, de modo que ele pode mover-se adiante deslocando as outras moléculas. E ele o faz. Então, quando você evapora o metanol e olha, toda a mistura foi removida com o metanol, de modo que você consegue uma mancha que se deslocou com a frente do solvente.

Não há separação.

Tomando uma posição mais razoável, você tenta o clorofórmio, pois ele apresenta polaridade intermediária. O clorofórmio chega, vê a mistura e consegue empurrar, digamos, apenas um dos componentes. À medida que passa, chutando o resto adiante, fica cansado e começa a deixar para trás alguns dos componentes mais polares. Depois de um tempo, apenas um componente se move junto com o clorofórmio, e que também pode ser perdido. Então, ao final, há várias manchas, e cada uma delas está em um lugar diferente do início. Cada mancha é constituída de pelo menos um dos diferentes componentes da mistura.

Separação. Finalmente!

Você poderia utilizar uma mistura de solventes, caso nenhum desses solventes puros lhe proporcionasse a separação que você desejava. Infelizmente, os efeitos não são simplesmente cumulativos: um pouquinho de um solvente polar percorre um longo caminho. Uma mistura 50-50 de quaisquer dois solventes terminará com uma polaridade mais próxima do solvente mais polar, não no ponto intermediário, de jeito algum.

Escolhi esses solventes para ilustrar a narrativa. São de uso bastante comum nessa técnica. Todavia, fico preocupado com os riscos de usar clorofórmio, pois essa substância está associada a certos tipos de câncer. Muitos outros solventes comuns também são suspeitos de serem carcinogênicos. No laboratório, ou vão lhe dizer qual solvente (eluente) você deve usar ou você terá de descobrir sozinho, na maioria das vezes por tentativa e erro.

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* Expressão muito empregada nos Estados Unidos para designar um material cujo componente principal é a bentonita, utilizado nas caixinhas de “areia” para gatos, vendidas em Pet Shops. (N.T.)

 

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