Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno
Use uma Tabela de Correlação
FIGURA 33.6 RMN do etilbenzeno — espectro #4 (na parte de cima); desacoplamento em dupla ressonância no etilbenzeno (na parte de baixo).
FIGURA 33.7 Alinhamentos de spin para o grupo etila.
Use uma Tabela de Correlação (Fig. 33.8)
Você precisará de uma tabela de correlação ou um mapa de correlação para ajudar na interpretação do seu espectro. Vou considerar o espectro do etilbenzeno mais demoradamente para mostrar como eles funcionam. Você obtém os deslocamentos químicos dos sinais de seu espectro e os correlaciona em uma tabela ou mapa de grupos funcionais e deslocamentos químicos.
No etilbenzeno, o grupo –CH 3 está aproximadamente no lugar certo (δ = 1,23). O sinal de δ = 7,34 é do anel aromático, e, com certeza, é onde caem os sinais dos anéis aromáticos. O sinal de δ = 2,75 do –CH 2– é um pouco complicado para interpretar. A tabela mostra um –CH 3 em um anel de benzeno nessa área. Não seja literal e argumente que você não tem um – CH 3, você tem um –CH2–CH3. Tudo bem, eles são diferentes. Porém, o grupo –CH2– está em um anel de benzeno e fixado a um –CH3. É por isso que os prótons do –CH2– têm um deslocamento químico mais alto; é por isso que você não os classifica com prótons comuns de R–CH 2–R. Use razão e julgamento.
Eliminei os grupos relacionados nas tabelas de correlação na Fig.
33.8. Observe o conjunto de δ 3,1 a δ 4,0. Essa é a área onde prótons em carbonos ligados a halogênios caem. Leia isso novamente. Prótons em carbonos ligados a halogênios. Quanto mais eletronegativo o halogênio ligado ao carbono, mais negativo o deslocamento químico daqueles prótons. O halogênio eletronegativo puxa elétrons para si, desblindando quaisquer prótons e fazendo o seu sinal se mover para a esquerda.
FIGURA 33.8 Uma tabela de correlação comum de RMN.
Os prótons ligados por ligações de hidrogênio vagueiam por todo o conjunto. Onde você os encontra e quão proeminente é o seu sinal depende, pelo menos, do solvente, da concentração e da temperatura. Se você sair e obtiver diversos espectros diferentes do álcool terc-butílico (um dos quais
está na Fig. 33.3), vai observar que o sinal que vem do H em ligação de hidrogênio varia no valor do deslocamento químico. Então, que “banco de dados” de laboratório está correto? É claro que todos. Você só precisa saber qual é o solvente, a concentração do álcool e a temperatura em que os espectros foram obtidos. E se isso for realmente importante, você deve registrar essas informações para o seu espectro de RMN em seu caderno de laboratório.
Enfim, observe detalhadamente o RMN do álcool benzílico (Fig.
33.9). O −H em ligação de hidrogênio está em δ 2,33, e certamente ele parece o chifre torto de rinoceronte, mas ele não está desdobrado. Deveria estar desdobrado em um tripleto pelos dois prótons no carbono adjacente. E o CH 2 como um simpleto? Com um próton no átomo adjacente? Esses picos deveriam ser desdobrados em um dupleto (um próton adjacente). A única forma pela qual os “prótons b” e os “prótons c” possam ser simpletos é se eles não estiverem acoplados. Bem, eles são simpletos, logo estão desacoplados. Hidrogênios em ligações de hidrogênio não se acoplam, portanto não são desdobrados e não desdobram outros hidrogênios. O mesmo vale para hidrogênio em nitrogênio. H em O, H em N e H em F são hidrogênios em ligação de hidrogênio.