Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno

Capítulo 29 Refratometria

Quando a luz passa de um meio para outro, ocorre uma pequena alteração na velocidade e na direção. Se você já olhou para uma colher dentro de um copo d’água, já viu isso: a imagem da colher na água fica um pouco deslocada da imagem da colher no ar, e ela parece estar quebrada. Quando os raios luminosos viajam da colher na água e mudam de direção no ar, eles

são refratados, ou deslocados (Fig. 29.1). Se calcularmos a razão entre os senos dos ângulos formados quando um raio luminoso vai do ar para a água, teremos um único número, o índice de refração. Como conseguimos medir o índice de refração até algumas partes em 10.000, esta é uma constante física muito exata para identificação de um composto.

O índice de refração geralmente é simbolizado como n 25 D, em que o 25 é a temperatura na qual foi feita a medição, e o D subscrito significa que utilizamos a luz de uma lâmpada de sódio, especificamente uma frequência amarela única denominada linha D do sódio. Por sorte, você não tem de utilizar uma lâmpada de sódio se tiver um refratômetro de Abbé.

 

O REFRATÔMETRO DE ABBÉ (FIG. 29.2)

 

O refratômetro se parece um pouco com um microscópio. Ele tem:

1. Uma ocular. Você olha aqui para fazer seus ajustes e ler o índice de

refração.

2. Tambor de ajuste do prisma de compensação. Como o refratômetro

de Abbé emprega luz branca, e não luz de um único comprimento de

onda (a linha D do sódio), a luz branca se dispersa à medida que

passa pela parte ótica, e uma borda colorida, parecida com um arco-

íris, aparece quando se examina a amostra. Girando esse controle,

você gira alguns prismas de compensação que eliminam esse efeito.

FIGURA 29.1 A refração da luz.

 

FIGURA 29.2 Um dos modelos de refratômetro.

3. Prismas articulados para a amostra. Aqui é onde você coloca sua

amostra.

4. Fonte luminosa. Fornece luz para sua amostra. Trata-se de um braço

móvel, de forma que você pode deslocá-lo para fora do caminho

quando coloca suas amostras sobre os prismas.

5. Pivô do braço giratório e trava da fonte luminosa. Trata-se de uma

grande porca ranhurada que trabalha sozinha frouxa, à medida que

você move a fonte luminosa para cima e para baixo algumas vezes.