Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno
Azeótropos
De vez em quando você mistura dois líquidos e depois descobre que não consegue separá-los totalmente. Não estou me referindo ao caso da utilização de uma aparelhagem ruim, ou ao caso do emprego de uma técnica experimental inadequada, ou qualquer outro tipo de desculpa insatisfatória. Pode ter ocorrido, nesse caso, a formação de um azeótropo, uma mistura que apresenta ponto de ebulição constante.
Um dos azeótropos mais conhecidos é o azeótropo álcool etílico-água. Esse azeótropo, uma mistura com 95,6% de álcool e 4,4% de água, ferve até a última gota a uma temperatura constante. Pode parecer um pouco estranho, pois você aprendeu que um líquido está puro se ferve a uma temperatura constante. E você que pensou que estava tudo muito claro!
Existem dois tipos de azeótropos. Quando o azeótropo evapora primeiro, chamamos de azeótropo de mínimo. Após esse azeótropo ter sido totalmente destilado, caso ainda haja algum componente da mistura líquida, só então esse componente será destilado.
Quando qualquer um dos componentes da mistura líquida sai primeiro, seguido pelo azeótropo, tem-se um azeótropo de máximo.
Questão de prova:
Cinquenta mililitros de certo líquido ferve a 74,8°C, do início ao fim de sua destilação. Assim, como não existe uma ampla faixa de ebulição, podemos admitir que esse é um líquido puro?
Não. Esse líquido pode ser uma mistura de ponto de ebulição constante, um azeótropo.
Você pode perceber que é muito importante uma escolha cuidadosa do solvente mencionado. Seguramente, a água (p.eb. 100°C) é suficientemente quente para expulsar o álcool etílico (p.eb. 78,3°C) de qualquer tipo de enchimento de coluna. Infelizmente, a água e o álcool etílico formam um azeótropo, e a técnica não vai funcionar. (Veja, por