Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno

Classe 4: Destilação por Arraste de Vapor

favor, o Capítulo 34, “Teoria da destilação”)

 

CLASSE 4: DESTILAÇÃO POR ARRASTE

 

DE VAPOR

 

Alcatrão e misturas de óleos não se dissolvem bem em água (pelo menos, não muito bem), assim temos que utilizar uma destilação por arraste de vapor. O processo é muito parecido com o da destilação simples, mas deve-se ter uma maneira de colocar água quente dentro da aparelhagem sem a interrupção da destilação.

Por que fazer uma destilação por arraste de vapor? Se o material que se deseja destilar é muito pouco solúvel em água, podendo se decompor no seu ponto de ebulição, e a ebulição é extremamente turbulenta em uma destilação a vácuo, é melhor realizar uma destilação por arraste de vapor. O aquecimento de uma substância na presença de vapor faz com que essa substância ferva a uma temperatura mais baixa. Esse fato se deve a fatores tais como as pressões parciais da água e dos óleos orgânicos.

Existem duas formas de se produzir o vapor: externamente e internamente.

 

Destilação por Arraste de Vapor Externo

Em uma destilação por arraste de vapor externo, o vapor, gerado externamente, é levado para dentro do sistema, após passar por um trap de água. O vapor, em geral, sai através de uma torneira de vapor, na bancada de laboratório. É a maneira clássica. É a maneira complicada. É a maneira perigosa.

1. Monte completamente a aparelhagem para a realização da destilação

por arraste de vapor. Tenha tudo pronto para começar. Isso significa

ter o material a ser destilado dentro do balão de destilação, o trap de

vapor conectado, condensadores conectados e preparados, um frasco

coletor grande, e assim por diante. Tudo o que falta a ser feito é

conectar uma simples mangueira da saída da torneira de vapor até o

seu trap, e começar a injetar o vapor no sistema.

2. Peça ao seu professor para verificar sua aparelhagem antes de

começar a destilação! Eu não enfatizo essa advertência tão

veementemente quanto é necessário nessa folha de papel. Interromper

uma destilação por arraste de vapor externo só porque você está

desatento essa manhã seria um verdadeiro sofrimento.

3. Conecte um pedaço de mangueira à torneira de vapor da bancada,

colocando a outra extremidade da mangueira no ralo de uma pia.

4. Agora, tenha muito cuidado! Lenta e cuidadosamente, abra a torneira

de vapor. Geralmente, você vai ouvir uma série de barulhos

diferentes, ruídos e pancadas, e, depois, uma mistura de ferrugem,

óleo e água suja começa a aspergir. Então, saem algumas golfadas de

vapor e, finalmente, o vapor começa a fluir. Parabéns, você acaba de

purgar a linha de vapor. Feche a torneira de vapor, espere o tubo de

borracha esfriar um pouco, e então...

5. Cuidadosamente (Atenção — pode estar quente!) conecte a

mangueira que vem da torneira de vapor na entrada do trap de vapor.

6. Abra o dreno do trap de vapor e depois reabra com muito cuidado a

torneira de vapor. Deixe sair do trap a água condensada que possa

existir; a seguir, cuidadosamente, feche a pinça do dreno. Tenha

cuidado.

7. Temos, agora, vapor passando pela aparelhagem de destilação, e

assim que o produto começar a sair estaremos fazendo uma destilação

por arraste de vapor. Periodicamente, abra o dreno do trap de vapor

(Atenção — quente!) para drenar o vapor condensado.

8. A princípio, pode-se destilar tão rapidamente quanto se pode admitir

o vapor d’água no sistema, desde que todo vapor seja condensado e

não escape para o laboratório. Algumas vezes, ao fazer-se uma

destilação por arraste de vapor, é necessário conectar-se dois

condensadores em série, fazendo, assim, um supercondensador.

Consulte seu professor.

9. Quando você tiver terminado (veja “Observações sobre a destilação

por arraste de vapor”, adiante), feche a torneira de vapor, espere a

aparelhagem esfriar e desmonte toda a aparelhagem.

 

FIGURA 19.12 Um exemplo de trap para vapor gerado externamente.

Você pode usar muitos tipos de arranjo de traps de vapor em sua

montagem de destilação por arraste de vapor. Nas Figs. 19.12 e 19.13 são mostrados dois exemplos. Como esses não são os únicos arranjos de traps possíveis, você pode ter que usar um modelo de trap diferente. O importante é identificar a entrada de vapor e o dreno do trap, bem como saber como utilizá-los.