Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno

Observações sobre a Destilação por Arraste de Vapor

Destilação por Arraste de Vapor Interno

1. É possível adicionar água quente ao balão de destilação (Fig. 19.14)

que vai se transformar em vapor, constituindo-se assim de uma fonte

interna de vapor. Esse método praticamente só é utilizado em

laboratórios de química orgânica de graduação, pela simples razão de

que é muito simples.

2. Adicione ao balão de destilação um volume de água de pelo menos

três (talvez mais) vezes o volume da amostra. Não encha o balão mais

do que a metade (talvez três quartos). Você tem que ter cuidado.

Muito cuidado.

3. Periodicamente, adicione mais água quente, quando necessário.

Quando a água ferve, tornando-se vapor, ela sai do balão de

destilação arrastando o produto desejado.

 

OBSERVAÇÕES SOBRE A DESTILAÇÃO

 

POR ARRASTE DE VAPOR

 

1. Leia todas as observações referentes à destilação Classe 1.

2. Coloque uma alíquota do destilado, o material que sai do

condensador, em um pequeno tubo de ensaio. Observe essa amostra.

Caso seja possível observar duas camadas, ou se o líquido está turvo,

sua destilação ainda não acabou. O seu produto ainda está saindo.

Continue a destilação, adicionando periodicamente água quente para

gerar mais vapor. Caso não seja possível observar duas camadas,

não pense que a destilação terminou. Se sua amostra é levemente

solúvel em água, as duas camadas, ou a turbidez, podem não ser

observadas. Tente utilizar o salting out. Essa técnica já foi discutida

previamente relacionada com a extração e com a recristalização

(veja “Salting out” no Capítulo 13 e “Dicas sobre extração” no

Capítulo 15). Adicione um pouco de sal à solução recolhida no tubo

de ensaio, agite o tubo de ensaio para dissolver o sal. Se você tiver

sorte, mais produto pode ser retirado da camada aquosa, formando

uma nova camada. Caso isso ocorra, mantenha a destilação por

arraste de vapor até que nenhum produto apareça quando a solução

do tubo de ensaio for tratada com sal.

FIGURA 19.13 Um segundo exemplo de trap para vapor gerado externamente.

 

FIGURA 19.14 Uma aparelhagem para destilação por arraste de vapor interno.

3. Devem existir duas camadas líquidas no frasco coletor, ao fim da

destilação. Uma delas é praticamente água pura; a outra é

praticamente o produto. Pegue um tubo de ensaio pequeno (10 3 75

mm) e coloque cerca de 0,5-1,0 mL de água. Agora, adicione 2-4

gotas da camada que você acha que é a camada aquosa e agite

vigorosamente o tubo de ensaio. Se o líquido não se dissolver na

água, essa não é a camada aquosa. O líquido pode ir para o fundo do

tubo de ensaio, pode ficar sobrenadante, fazer ambas as coisas e até

mesmo tornar a água turva! Entretanto, o líquido não se dissolve.

4. Se for necessário obter mais material orgânico, é possível fazer uma

retroextração com um solvente imiscível (veja “O caminho para a

recuperação — retroextração” no Capítulo 15).

FIGURA 19.15 Um esquema simples de uma aparelhagem para destilação bulbo-para-bulbo do tipo Kugelrhor.

 

FIGURA 19.16 Aparelhagens falsas de Kugelrhor utilizando: (a) vidraria com juntas padronizadas, (b) vidraria em microescala e (c) vidraria Williamson do tipo tubo de ensaio. SIMULANDO UMA DESTILAÇÃO BULBO-