Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno
Capítulo 33 Ressonância Magnética Nuclear
A ressonância magnética nuclear (RMN) aproveita o fato de que os núcleos podem absorver energia e trocar de estados de spin, tal como os elétrons. Como e quando eles trocam, quando representados graficamente, pode dar muita informação sobre a natureza do composto em que os núcleos estão e pode levar à identificação daquele composto.
Os experimentos mais antigos de RMN eram feitos com átomos de hidrogênio nos compostos, e ainda hoje se alguém diz “Mostre sua RMN”, ou “Faça uma RMN de sua amostra”, está falando sobre a instrumentação e a obtenção de um espectro de RMN dos hidrogênios em seu composto, ainda que outros núcleos possam ser analisados dessa forma. O carbono-13 também pode trocar o spin e pode ser analisado por RMN, sendo sempre chamado de “RMN de C-13”. Para o fósforo-31 é “RMN de P-31”, para fluorina-19 é “RMN de F-19”, e assim por diante. Na linguagem de RMN, os hidrogênios são quase sempre chamados de prótons; logo, embora você possa dizer “RMN de hidrogênio-1”, ou mesmo “RMN de 1H”, entenda que “RMN do próton” ou “RMNP”, todos se referem à mesma coisa. E que, pelo menos para um futuro previsível, o termo “RMN” estará associado com o espectro do próton.
Assim, após um pouco da teoria sobre o experimento de RMN, e um pouco sobre a instrumentação de onda contínua e da transformada de Fourier, vamos analisar a preparação da amostra e algumas interpretações básicas de RMN (do próton, é claro).
NÚCLEOS TAMBÉM TÊM SPIN
Na verdade, núcleos diferentes têm estados de spin diferentes: spin semi-inteiro (como os elétrons), spin inteiro e nenhum spin. A letra I representa esses números quânticos de momento angular total do spin nuclear.