Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno

Descarte de Rejeitos

Se você sofrer um acidente, comunique a seu professor imediatamente. Consiga ajuda! Não há tempo para se preocupar com sua nota no laboratório. Se você colocar a nota acima de sua segurança pessoal, visite um psiquiatra após o atendimento médico.

 

DESCARTE DE REJEITOS

 

Uma vez que você terminou sua reação e sua mãe não faz laboratório de orgânica com você, você tem que limpar tudo sozinho. Por um longo tempo hesitei em escrever esta seção, pois as regras para descarte variam muito de acordo com as leis municipais, estaduais e federais, como também com as normas estabelecidas nas próprias escolas. Existem inclusive diferenças legais entre você ou seu professor fazerem o descarte do material de laboratório. E, como sempre, as coisas parecem caminhar para a questão do dinheiro — quanto mais dinheiro você tem para gastar, mais você tem que jogar fora. Dessa forma, não tem muito sentido tentar ter a última palavra sobre descarte de rejeitos neste pequeno manual, mas existem algumas coisas que vou destacar, nas quais você deve prestar atenção. Lembre-se de que meu esquema de classificação pode não ser o mesmo que você estará utilizando. Se tiver dúvida, pergunte! Não vá simplesmente jogando tudo na pia. Pense.

Uma nota para o bom entendedor: o termo não perigoso, como vai ser usado aqui,

significa ser relativamente inofensivo, considerando-se os produtos químicos de um

laboratório de orgânica. Veja que mesmo a água pura, se for manipulada sem os

devidos cuidados, pode matá-lo.

A forma pela qual você vai manipular o rejeito de laboratório depende do que ele é. Aqui vão algumas classificações que podem ser úteis.

1. Rejeito insolúvel não perigoso. Papel, rolhas, areia, alumina, sílica-

gel, sulfato de sódio, sulfato de magnésio e outros que provavelmente

podem ir para a lixeira do laboratório. Infelizmente, essas coisas

podem estar contaminadas com rejeito perigoso (veja a discussão a

seguir), e então vão necessitar de manipulação especial.

2. Rejeito sólido solúvel não perigoso. Alguns compostos orgânicos,

como o ácido benzoico, são relativamente inofensivos e podem ser

dissolvidos com muita água da torneira e drenados pelos

encanamentos. Mas se o sólido é tão inofensivo, ele pode ser

descartado juntamente com o rejeito sólido insolúvel não perigoso,

não é mesmo? Converse com seu professor e observe se há

contaminação com materiais mais perigosos.

3. Rejeito líquido solúvel não perigoso. A água limpa pode ir para o

esgoto, bem como as substâncias solúveis em água que não estão

descritas a seguir. Provavelmente o etanol pode ser drenado pelos

encanamentos, mas e o butanol? Ele não é tão solúvel em água, e

assim deveria ir para um frasco geral de rejeito orgânico. Verifique

isso com seu professor; observe se há contaminação com materiais

mais perigosos.

4. Rejeito líquido insolúvel não perigoso. Compostos como o 1-butanol

(discutido anteriormente), dietil éter e a maioria dos solventes e

compostos não mencionados. Em resumo, esta é a categoria do

tradicional “rejeito orgânico”.

5. Rejeito perigoso genérico. Inclui a maioria do que não é listado em

separado. Solventes hidrocarbônicos (hexano, tolueno), aminas

(anilina, trietilamina), amidas, ésteres, cloretos ácidos etc.

Novamente, é o “rejeito orgânico” tradicional. Verifique as

incompatibilidades antes de jogar qualquer coisa no frasco de

rejeitos. Se a primeira substância nesse frasco é o cloreto de acetila e

a segunda é a dietilamina (ambos rejeitos líquidos perigosos), a

reação pode ser espetacular. Pode ser que você tenha que usar frascos

separados de rejeitos perigosos para essas circunstâncias especiais.

6. Compostos orgânicos halogenados. O 1-bromobutano e o cloreto de

terc-butila, favoritos nos laboratórios de graduação, devem ir para um

frasco de rejeitos próprio, como “hidrocarbonetos halogenados”. Há

bastante concordância sobre esse procedimento para esses compostos

simples. Mas o que dizer de um composto orgânico que você não

conhece, o ácido 4-bromobenzoico? Eu diria para colocá-lo,

juntamente com qualquer outro composto orgânico halogenado, no

frasco de “hidrocarbonetos halogenados”, e não despejá-lo nos

encanamentos como se fosse um ácido orgânico não perigoso como o

ácido benzoico.

7. Ácidos e bases inorgânicas fortes. Neutralize-os, dilua-os e verta-os

na pia. Faça pelo menos como está escrito aqui.

8. Agentes oxidantes e redutores. Reduza os oxidantes e oxide os

redutores antes do descarte. Seja cauteloso! Essas reações podem ser

altamente exotérmicas. Converse com seu professor antes de realizar

essas operações.

9. Metais pesados tóxicos. Converta-os a uma forma mais inofensiva,

minimize o volume do material e coloque-os em um frasco separado.

Se você fizer uma oxidação crômica em meio ácido, pode reduzir o

Cr6+, mais perigoso, a Cr3+ em solução e então precipitar o Cr3+ como

hidróxido, transformando uma grande quantidade de solução crômica

de descarte caro em uma pequena quantidade de precipitado sólido.

Entretanto, há problemas nessa área. O rejeito de dióxido de

manganês sólido que vem de uma oxidação por permanganato

deveria provavelmente ser considerado um rejeito perigoso. Ele pode

ser convertido a uma forma solúvel de Mn2+, mas deveria o íon Mn2+