Manual de Sobrevivência no Laboratório de Química Orgânica: Guia de Técnicas para o Aluno
A Salvação pelas Tabelas de Correlação
A SALVAÇÃO PELAS TABELAS DE
CORRELAÇÃO
Atribuir um significado a todos os picos de IV em um espectro IV típico pode ser muito difícil. Apenas observe os espectros do álcool terc-butílico
ou do ciclo-hexanol (Fig. 32.7). Eis o porquê da existência de diagramas de correlação de frequências, ou tabelas de IV. Eles identificam as regiões do espectro do IV nas quais os picos para vários grupos funcionais aparecem.
Eles podem ser gráficos (Fig. 32.8) ou tabulares (Fig. 32.9) e você deveria tentar se familiarizar com ambos os estilos ao interpretar o seu espectro no infravermelho.
DEPRESSÕES E CENTÍMETROS
RECÍPROCOS
Embora a técnica seja denominada espectroscopia de absorção no infravermelho, você vai observar que a ordenada (eixo y) é especificada em
porcentagem de transmissão (%T) (como na Fig. 32.7) ou absorbância. Embora você possa converter uma escala na outra,
Absorbância = 2 − log10%T,
a escala de absorbância, indo de 0 a ∞ a, pode causar problemas, especialmente para elevados valores de absorção. Assim, é usada a escala de %T, muito mais bem-comportada, e com ela vêm as “depressões”. No entanto, ainda podemos chamá-los de picos. (Como exercício, use sua calculadora ou planilha eletrônica para calcular a absorbância quando %T é zero, ou um bloqueio completo de radiação.)
Embora o comprimento de onda (λ) em micrômetros (μm) possa ser usado como unidade da abscissa (eixo x) para representar a posição dos picos no espectro no infravermelho, quase todas as atribuições são dadas em centímetros recíprocos, ou números de onda (cm-1). Novamente, a conversão de uma unidade na outra é um cálculo simples:
FIGURA 32.5 Os estiramentos e a deformação angular dão origem ao espectro de absorção da água no infravermelho.
FIGURA 32.6 Alguns tipos de movimento de grupos —CH —. 2
De fato, os espectros impressos têm normalmente as duas unidades. Se observar com um pouco mais de cuidado, você notará que uma escala — geralmente a de números de onda — é linear, e a outra, não. As absorbâncias para a maior parte dos grupos funcionais estão geralmente na primeira metade do espectro (4000 a 1400 cm−1, ou 2,5 a 7,2 μm), ao passo que a região das impressões digitais varia de 1400 a 990 cm−1, ou 7,2 a 11,1 μm. Se você representar graficamente seu espectro linear em número de onda, então a primeira parte, a região dos grupos funcionais, fica expandida, enquanto a região da impressão digital fica comprimida. Represente graficamente seu espectro linear em comprimento de onda, e a parte da frente, a região dos grupos funcionais, fica comprimida, enquanto a região da impressão digital fica expandida. Com o advento da aquisição computadorizada de dados espectrais, é fácil mudar de uma escala para outra; logo, você pode ver que tipo de gráfico revela as informações mais pertinentes sobre seu composto. Uma vez que o objetivo de se obter o espectro no infravermelho de seu composto é a de identificar os grupos funcionais presentes, gráficos lineares em número de onda serão, provavelmente, mais úteis.