Um Mundo à Parte

Jodi Picoult · Capítulo 102 de 121

Páginas do PDF

Um Mundo à Parte

Jacob

 

Theo ainda está se vestindo quando bato na porta do quarto dele.

— Que m erda é essa, cara? — ele diz, tam pando o corpo com um a toalha. Eu fecho os olhos até ele m e dizer que posso abrir e então entro no quarto.

— Preciso de aj uda com a gravata — digo.

Estou m uito orgulhoso de ter m e vestido hoj e sem nenhum a confusão. Fiquei um pouco aflito com os botões da cam isa, que pareciam carvões quentes sobre m eu peito, m as coloquei um a cam iseta por baixo e agora j á não está tão terrível.

Theo está na m inha frente, de j eans e m oletom . Eu queria poder tam bém usar isso no tribunal. Ele endireita m eu colarinho e com eça a passar as pontas da gravata para esse lado e aquele, até que pareça um a gravata e não o nó esquisito que foi só o que consegui fazer duas vezes. A gravata é com o um longo e fino lenço de m alha; gosto bem m ais dela do que daquela coisa listrada que Oliver m e fez usar ontem .

— Pronto — diz Theo. Então ele levanta os om bros. — O que você pensa do nosso pai?

— Eu não penso no nosso pai — respondo.

— Quero dizer, sobre ele estar aqui.

— Ah. Acho que é bom .

(Na verdade, não penso que sej a bom nem ruim . Não vai fazer m uita diferença, afinal, m as parece norm al que as pessoas tenham um a reação m ais positiva ao ver um m em bro próxim o da fam ília, e ele viaj ou cinco m il quilôm etros em um avião, então tenho que lhe dar crédito por isso.)

— Pensei que a m am ãe fosse arm ar um barraco.

Não sei o que isso significa, m as concordo com a cabeça e sorrio para ele. Você ficaria surpreso em com o isso pode ser útil em um a conversa quando se está com pletam ente confuso.

— Você lem bra dele? — Theo pergunta.

— Ele telefonou no m eu aniversário e isso faz só três m eses e m eio...

— Não — ele interrom pe. — O que quero saber é se você lem bra dele do passado. Quando ele m orava aqui com a gente.

Na verdade, eu lem bro. Lem bro de estar na cam a entre ele e m inha m ãe e de colocar a m ão no rosto dele enquanto ele dorm ia. A pele era áspera com a barba que com eçava a crescer e aquela textura m e intrigava. Além disso, eu gostava do som que fazia quando ele a coçava. Lem bro da pasta de trabalho dele. Havia discos flexíveis dentro de diferentes cores que eu gostava de arrum ar de acordo com a ordem do espectro de cores, e clipes de papel em um a caixinha pequena, que eu alinhava no chão de seu escritório enquanto ele trabalhava. Mas às vezes, quando ele estava fazendo program ação e ficava frustrado ou entusiasm ado, ele gritava, e isso geralm ente m e fazia gritar tam bém , e ele cham ava m inha m ãe para m e tirar de lá para que ele pudesse continuar trabalhando.

— Ele m e levou para colher m açãs um a vez — digo. — Me deixou sentar nos om bros dele e m e m ostrou com o os colhedores tiram as m açãs dos cestos sem m achucá-las.

Eu m antive por algum tem po um a lista de fatos sobre m açãs conform e os ia aprendendo, porque o que m e lem bro de m eu pai era que ele teve um interesse passageiro por pom ologia, o suficiente para m e levar para passar um dia em um pom ar. Eu sei, por exem plo, que:

 

1. Os m aiores produtores m undiais de m açãs são China, Estados Unidos, Turquia, Polônia e Itália.

2. São necessárias trinta e seis m açãs para produzir um galão de sidra. 3. Red Delicious é a variedade m ais cultivada nos Estados Unidos. 4. É preciso a energia de cinquenta folhas para produzir um a única m açã. 5. A m aior m açã j á colhida pesava um quilo e m eio. 6. Maçãs boiam porque um quarto de seu volum e é ar. 7. Macieiras são parentes das roseiras.

8. Os arqueólogos encontraram indícios de que m açãs j á eram consum idas em 6.500 a.C.

 

— Isso é legal — diz Theo. — Eu não lem bro nada dele.

Eu sei por quê; é porque Theo tinha poucos m eses quando m eu pai foi em bora. Não m e lem bro desse dia, m as m e lem bro de m uita coisa que o levou a isso. Minha m ãe e m eu pai brigavam com frequência na m inha frente. Eu estava ali, m as não estava — aqueles eram dias em que eu ficava com pletam ente em transe diante da estática na tela da televisão ou da alavanca da torradeira. Meus pais supunham que eu não estivesse prestando atenção, m as não é assim que funciona. Eu ouvia, via, cheirava e sentia tudo ao m esm o tem po naquela época, e é por isso que tinha que focar tão intensam ente para prestar atenção em apenas um dos estím ulos. Sem pre descrevi isso m ais ou m enos com o um film e: im agine um a câm era que pode registrar o m undo inteiro de um a só vez, cada visão, cada som . Isso é m uito im pressionante, m as não é particularm ente útil quando se quer especificam ente ouvir um a conversa entre duas pessoas, ou ver um a bola vindo em sua direção quando se está na posição de batedor. No entanto, eu não podia m udar o cérebro com que nasci, então, em vez disso, aprendi com o estreitar o m undo com viseiras im provisadas, até notar apenas aquilo que eu queria notar. Isso é autism o, para aqueles que nunca tiveram a experiência.

Sej a com o for, é tam bém por isso que, em bora m eus pais talvez achassem que m inha atenção estava ocupada com outra coisa, lem bro das brigas que eles tiveram , palavra por palavra:

— Você se lembra de mim, Emma? Eu moro aqui também...

— Pelo amor de Deus, Henry. Não acredito que você tem ciúme do tempo que passo com seu próprio filho.

E:

— Não me importa como vamos pagar isso. Não vou deixar de experimentar um tratamento para o Jacob só porque...

— Porque o quê? Vamos, diga! Porque você acha que eu não ganho o suficiente?

— É você que está dizendo, não eu.

E:

— Eu quero vir da porra do meu trabalho, chegar na porra da minha casa e não ter dez completos estranhos no chão da minha sala de estar. É pedir demais?

— Esses estranhos vão trazer o Jacob de volta para nós...

— Acorda, Emma. Ele é o que é. Não há nenhum milagre dentro dele esperando para sair.

E:

— Você trabalhou até tarde todas as noites esta semana.

— Por que eu ia querer voltar para casa?

E:

— Como assim, você está grávida? Decidimos que não teríamos mais filhos. Que já tínhamos muito com que nos preocupar...

— Eu não fiquei grávida sozinha.

— Mas é você que toma pílula. Deveria saber.

— Está achando que eu enganei você? Meu Deus, Henry, fico feliz em saber que você tem uma opinião tão boa de mim. Sai daqui. Agora.

E, um dia, ele saiu m esm o.

De repente, m eu pai bate na porta do quarto de Theo e a cabeça dele aparece na fresta.

— Meninos, com o estão? — ele pergunta.

Nenhum de nós diz um a palavra.

— Jacob — ele m e diz. — Podem os conversar?

 

Nós nos sentam os em m eu quarto, eu na cam a e m eu pai j unto à m esa.

— Tudo bem para você que eu... estej a aqui?

Olho em volta. Ele não está m exendo em nada na m inha m esa, então concordo com a cabeça.

Acho que isso o faz se sentir m elhor, porque seus om bros relaxam .

— Eu lhe devo um pedido de desculpas — ele diz. — Não sei bem com o expressar em palavras.

— Isso tam bém acontece com igo — conto a ele.

Ele sorri um pouco e sacode a cabeça. Theo se parece m uito com ele. Foi isso que sem pre ouvi m inha m ãe dizer, m as agora posso ver tam bém que há m uita coisa em m eu pai que m e lem bra de m im . Com o o j eito que ele abaixa a cabeça antes de com eçar um a frase. E com o tam borila os dedos nas coxas.

— Eu queria te pedir desculpas, Jacob — ele continua. — Existem algum as pessoas, com o sua m ãe, que não desistem nunca. Eu não sou um a dessas pessoas. Não estou dizendo isso com o um a desculpa, é só um fato. Eu m e conhecia o suficiente, m esm o naquela época, para entender que essa não era um a situação que eu poderia enfrentar.

— Essa situação quer dizer eu — com ento.

Ele hesita, m as concorda com a cabeça.

— Não sei tanto sobre Asperger quanto a sua m ãe — ele diz. — Mas acho que talvez todos nós tenham os algo que nos im pede de conectar com outras pessoas, m esm o quando querem os.

Gosto desse conceito: de que o Asperger é com o um tem pero acrescentado a um a pessoa e, em bora sua concentração em m im sej a m ais alta que em outras pessoas, se fizéssem os um teste, todo m undo teria traços dessa condição tam bém .

Eu m e forço a olhar nos olhos do m eu pai.

— Sabia que m açãs podem ficar com ferrugem ? — pergunto.

— Não — ele responde, com a voz m ais suave. — Eu não sabia.

 

Além da lista de fatos sobre m açãs, fiz outra lista para o m eu pai, de perguntas que eu poderia lhe fazer se surgisse oportunidade:

 

1. Se não fosse por m inha causa, você teria ficado? 2. Você algum a vez se arrependeu de ter ido em bora? 3. Você acha que um dia poderem os ser am igos? 4. Se eu prom etesse m e esforçar m ais, você pensaria em voltar?

 

É interessante notar que, enquanto estávam os sentados no m eu quarto, falam os sobre m açãs, sobre o depoim ento do m édico-legista ontem e sobre o artigo na revista Wired a respeito de o Asperger estar ou não em ascensão no Vale do Silício devido à preponderância de genes para m atem ática e ciências naquela região. No entanto, não lhe fiz nenhum a dessas perguntas, que continuam em um a lista no fundo da últim a gaveta, do lado esquerdo da m inha escrivaninha.

 

Vam os todos j untos para o tribunal no carro alugado do m eu pai. Ele é prateado e cheira a pinheiro. Estou sentado em m eu lugar habitual no banco traseiro, atrás do m eu pai, que está dirigindo. Minha m ãe está ao lado dele, e Theo ao m eu lado. Enquanto seguim os, olho para os espaços entre os cabos de eletricidade nos postes de telefone, que se estreitam nas pontas e alargam no m eio, com o canoas gigantes.

Estam os a cinco m inutos do tribunal quando o celular da m inha m ãe toca. Ela quase o derruba antes de conseguir responder.

— Estou bem — diz ela, m as seu rosto fica verm elho. — Encontram os com você no estacionam ento.

Im agino que eu deveria estar nervoso, m as na verdade estou anim ado. Hoj e é o dia em que Oliver vai contar a todos a verdade sobre o que eu fiz.

— Jacob — m inha m ãe diz —, você se lem bra das regras?

— Deixar apenas o Oliver falar — m urm uro. — Passar um a nota para ele se eu precisar de um intervalo. Não sou nenhum tonto, m ãe.

— Aí é questão de opinião — diz Theo.

Ela se vira no banco. Suas pupilas estão grandes e escuras e um a veia pulsa no oco da sua garganta.

— Vai ser m ais difícil para você hoj e — ela diz em voz baixa. — Você vai ouvir coisas a seu respeito que talvez não façam sentido. Coisas que talvez você até ache que não são verdade. Apenas se lem bre de que o Oliver sabe o que está fazendo.

— O Jacob vai depor? — m eu pai pergunta.

Minha m ãe olha para ele.

— O que você acha?

— Eu só perguntei, calm a.

— Você não pode entrar no terceiro ato e esperar que eu lhe conte tudo o que perdeu — ela rebate, e o silêncio enche o carro com o gás sarin.

Com eço a sussurrar a sequência de Fibonacci para tentar m e sentir m elhor, e Theo deve estar sentindo o m esm o, porque ele diz:

— Então... j á estam os lá? — e ri histericam ente, com o se tivesse contado um a piada m uito engraçada.

Quando entram os no estacionam ento, Oliver está recostado em seu carro. É um a velha picape, segundo ele m ais adequada para um ferrador que para um advogado, m as ainda consegue levá-lo do ponto A ao ponto B. Estam os nos fundos do tribunal, longe das câm eras e das vans dos program as de notícias da televisão. Ele levanta os olhos quando chegam os, m as, com o não é o carro da m inha m ãe, não reconhece que som os nós. É só quando estacionam os e descem os do carro alugado que Oliver vê m inha m ãe e vem em nossa direção com um grande sorriso no rosto.

E é quando nota m eu pai.

— Oliver — diz m inha m ãe —, este é m eu ex-m arido, Henry.

— Está brincando? — ele olha para m inha m ãe.

Meu pai estende a m ão para cum prim entá-lo.

— É um prazer conhecê-lo.

— Hã... sim , é um prazer — responde Oliver, depois se vira para m im . — Santo Deus... Em m a, não posso deixar o Jacob entrar no tribunal desse j eito.

Olho para baixo. Estou com um a calça de veludo cotelê m arrom e um a cam isa m arrom , um blazer de tweed m arrom e um a gravata de m alha m arrom que Theo colocou para m im .

— É quinta-feira e ele está de blazer e gravata — m inha m ãe diz secam ente. — Você deve im aginar que esta m anhã foi um pouco cheia para m im .

Oliver se vira para o m eu pai.

— O que você acha que ele parece?

— Motorista da UPS? — m eu pai diz.

— Eu estava pensando m ais em nazista. — Oliver sacode a cabeça. — Não tem os tem po para você voltar para casa e trocar de roupa, e você é m uito grande para caber na m inha... — De repente, ele para e m ede m eu pai com o olhar. — Vá trocar de cam isa com ele no banheiro.

— Mas ela é branca — protesto.

— Exatam ente. A aparência que estam os querendo não é a de um serial killer m oderno, Jake.

Meu pai dá um a olhada para m inha m ãe.

— Viu? — ele diz. — Não está feliz por eu ter vindo?

 

No prim eiro dia em que m e encontrei com Jess para o treinam ento de habilidades sociais, eu estava tem endo por m inha vida. Eu estava na classe de inglês da sra. Brulow naquele ano. Não era um a aula particularm ente interessante e a sra. Brulow tinha o azar de ter um rosto que parecia um pouco um a batata-doce: longo e estreito, com alguns pelos espetados no queixo e bronzeado artificial alaranj ado. Mas ela sem pre m e deixava ler em voz alta quando estávam os encenando peças, m esm o que às vezes eu tivesse dificuldade para lem brar o m eu lugar. E, na vez em que esqueci o caderno no dia da prova com consulta, ela m e deixou fazê-la no dia seguinte. Um dia, quando ela estava de licença por causa de um a gripe, um m enino da classe cham ado Sawy er Trigg (que tinha sido suspenso um a vez por levar com prim idos antigripais para vender na cantina da escola) ignorou a presença da professora substituta, arrancou uns ram inhos de planta e grudou no queixo com cola. Depois enfiou papel am assado debaixo da cam isa e com eçou a andar todo em pinado no espaço entre as carteiras.

— Eu sou a sra. Bruxalow — ele dizia, e todos riram .

Eu ri tam bém , m as só para ser igual aos outros. Porque a gente deve respeitar os professores, m esm o se eles não estiverem presentes. Então, quando a sra. Brulow voltou, eu contei a ela o que Sawy er tinha feito e ela o m andou para a diretoria. Mais tarde naquele dia, ele m e em purrou de encontro ao arm ário e disse:

— Eu te m ato, Hunt.

Bem , passei o resto do dia em pânico, porque ele podia m e m atar, eu não tinha dúvida disso. E, quando Jess chegou à escola para m e encontrar pela prim eira vez, eu estava com um a faca de m anteiga no bolso, roubada da cantina. Foi o m elhor que pude fazer assim de im proviso, para o caso de Sawy er Trigg estar espreitando nas som bras dos corredores.

Ela m e disse que tudo que eu falasse para ela seria confidencial e que ela não contaria para m inha m ãe nada que eu quisesse m anter em segredo entre nós. Eu gostei disso, parecia algo com o ter um a m elhor am iga, pelo m enos do j eito com o é m ostrado na televisão, m as eu estava nervoso dem ais para fazer esse com entário.

— Jacob? — Jess disse, quando m e pegou olhando para trás por cim a do om bro pela oitava vez. — Está tudo bem ?

Foi então que contei a ela tudo sobre a sra. Brulow e Sawy er Trigg.

Ela balançou a cabeça.

— Ele não vai te m atar.

— Mas ele disse...

— Esse é o m odo dele de deixar claro que está furioso porque você o dedurou.

— Mas a gente não deve rir dos professores...

— E não deve dedurar os colegas tam bém — disse Jess. — Especialm ente se quiser que eles gostem de você. A sra. Brulow tem que ser boa com você; faz parte do contrato de trabalho dela. Mas você precisa ganhar a confiança dos seus colegas. E foi isso que você perdeu. — Ela se inclinou para frente. — Existem m uitos tipos de regras, Jacob. Algum as delas são explícitas, com o não rir dos professores. Mas outras são com o segredos. São essas que você deve conhecer, m esm o que nunca sej am ditas.

Era exatam ente isso que eu nunca consegui entender: essas regras não escritas que as outras pessoas pareciam captar com o se tivessem um radar social que não existia no m eu cérebro.

— Você riu quando o Sawy er tirou sarro da sra. Brulow?

— Sim .

— Ele achou que você estivesse do lado dele, que estivesse se divertindo com a brincadeira. Então im agine com o se sentiu quando você o dedurou.

Fiquei olhando para Jess. Eu não era Sawy er, e eu estava seguindo um a regra, enquanto ele estava deliberadam ente desrespeitando um a regra.

— Não consigo — eu disse.

Alguns m inutos depois, m inha m ãe chegou para m e pegar.

— Oi — disse ela, sorrindo para Jess. — Com o foi?

Jess olhou para m im , para ter certeza de que eu estava prestando atenção. Depois se virou para m inha m ãe.

— O Jacob criou problem as para outro m enino hoj e. Ah, e roubou um a faca da cantina.

Senti o coração virar pedra dentro do peito, e m inha boca ficou seca com o algodão. Eu achei que aquela m oça era m inha am iga, que ia guardar m eus segredos. E a prim eira coisa que ela fez foi contar para a m inha m ãe tudo que aconteceu hoj e?

Fiquei furioso; não queria vê-la nunca m ais. E senti um vazio no estôm ago tam bém , com o se tivesse acabado de sair de um brinquedo em um parque de diversões, porque sabia que m inha m ãe ia querer continuar aquela conversa no carro, no cam inho de volta para casa.

Jess tocou m eu braço para ter m inha atenção.

— Foi assim que o Sawy er se sentiu — ela disse. — E eu não vou fazer isso com você nunca m ais. Você vai?

No dia seguinte, fui para a escola e esperei Sawy er perto do arm ário dele.

— O que você está fazendo aqui, im becil? — ele perguntou.

— Desculpe — eu disse, e estava realm ente falando sério.

Talvez tenha sido m eu rosto, ou o tom da m inha voz, ou sim plesm ente o fato de que eu o procurei, m as ele ficou ali, parado, com o arm ário aberto por um segundo, depois ergueu os om bros.

— Tudo bem — ele disse.

Achei que esse era seu m odo de dizer obrigado.

— Você ainda está pensando em m e m atar?

Ele balançou a cabeça e riu.

— Não, acho que não.

Estou lhe dizendo: Jess Ogilvy foi a m elhor professora que eu j á tive. E ela teria com preendido, m elhor que qualquer outra pessoa, por que eu tive de fazer o que fiz.