Um Mundo à Parte
Rich
— O que você está fazendo aqui? — Em m a Hunt pergunta.
— Na verdade, recebem os um a ligação para a em ergência.
— Eu não liguei para a em ergência... Jacob! — ela grita, depois vira e sobe correndo as escadas.
Entro na casa e encontro Theo m e olhando fixam ente.
— Não querem os fazer nenhum a doação para a liga atlética da polícia — ele diz sarcasticam ente.
— Obrigado. — Aponto para a escada. — Eu, hã... vou...?
Sem esperar que ele responda, dirij o-m e ao quarto de Jacob.
— Maus-tratos? — Em m a está gritando quando chego à porta. — Você nunca sofreu m aus-tratos da m inha parte nem um único dia da sua vida!
— Há m aus-tratos físicos e m aus-tratos m entais — Jacob argum enta.
Em m a vira a cabeça em m inha direção.
— Nunca encostei a m ão nesse m enino. Em bora estej a m e sentindo incrivelm ente tentada agora.
— Tenho três palavras para você — diz Jacob. — Doutor! Henry ! Lee!
— O cientista forense? — Não estou entendendo nada.
— Ele vai fazer um a palestra am anhã na UNH e ela diz que eu não posso ir.
Em m a olha para m im .
— Você vê com o que preciso lidar?
Aperto os lábios, refletindo.
— Me deixe falar sozinho com ele por um m inuto.
— Está falando sério? — Os olhos dela se am pliam . — Será que você não estava no m esm o tribunal que eu três horas atrás, quando o j uiz lhe disse que seria preciso fazer adaptações para interrogar o Jacob?
— Não vou interrogá-lo agora — digo. — Não profissionalm ente, pelo m enos.
Ela j oga as m ãos para cim a.
— Que sej a. Façam o que quiserem . Vocês dois.
Quando seus passos som em no fim da escada, eu m e sento ao lado de Jacob.
— Você sabe que não deve ligar para a em ergência a m enos que estej a em sério perigo.
Ele faz um som de desdém .
— Então m e prenda. Ei, espere, você j á fez isso.
— Já ouviu a história do m enino que gritava “lobo”?
— Não falei nada de lobos — responde Jacob. — Disse que estava sofrendo m aus-tratos, e estou. Esta é a única chance que tenho de ver o dr. Lee e ela não quer nem pensar na possibilidade. Se eu tenho idade suficiente para ser j ulgado com o adulto, por que não tenho idade suficiente para viaj ar de ônibus para lá sozinho?
— Você tem idade suficiente. Só que vai acabar sendo enfiado na cadeia outra vez. É isso que você quer? — Pelo canto do olho, percebo um laptop espiando de dentro de um a fronha. — Por que seu com putador está escondido?
Ele o pega e o aninha nos braços.
— Achei que você ia roubá-lo de m im . Com o fez com as m inhas outras coisas.
— Eu não roubei, eu tinha um m andado para levá-las. E você vai receber tudo de volta um dia. — Olho para ele. — Jacob, sua m ãe só está protegendo você.
— Me trancando aqui dentro?
— Não, isso foi o j uiz que decidiu. Ela o protege não deixando você descum prir as exigências da fiança.
Ficam os em silêncio por um segundo e então ele m e espia pelo canto do olho.
— Não entendo sua voz.
— Com o assim ?
— Sua voz devia estar brava, porque eu fiz você vir até aqui. Mas não está. E não estava brava quando eu falei com você na delegacia tam bém . Você m e tratou com o se eu fosse seu am igo, m as no fim m e prendeu, e as pessoas não prendem os am igos. — Ele coloca as m ãos unidas entre os j oelhos. — Francam ente, as pessoas não fazem sentido para m im .
Balanço a cabeça, concordando.
— Francam ente, as pessoas não fazem sentido para m im tam bém — digo.