Um Mundo à Parte
Emma
Os rem édios e suplem entos de Jacob enchem com pletam ente duas bolsas plásticas com fecho zip de quatro litros. Alguns são rem édios com prescrição m édica, com o os m edicam entos antiansiedade receitados pela dra. Murano, e outros, com o a glutationa, eu com pro para ele pela internet. Estou esperando para entrar e visitar m eu filho na prisão, segurando essas em balagens, quando a porta se abre.
Minha m ãe costum ava m e contar que, quando ela era pequena, teve um rom pim ento do apêndice. Isso foi na época antes de os pais terem autorização para ficar com seus filhos durante as hospitalizações, então m inha avó chegava quatro horas antes do início do horário de visitas e ficava de pé na frente de um a fila isolada por um a corda, que m inha m ãe podia enxergar de sua cam a de hospital. Minha avó sim plesm ente ficava ali, sorrindo e acenando, até que a deixassem entrar.
Se Jacob souber que estou esperando por ele, se souber que eu o verei todos os dias às nove horas... bem , isso é um a rotina em que ele pode se apoiar.
Eu im aginava que haveria m ais pessoas esperando com igo a abertura da porta da frente, m as, talvez para o resto das m ães que vêm à prisão visitar seus filhos isso j á sej a coisa antiga. Talvez elas estej am acostum adas com a rotina. Há apenas um a pessoa esperando com igo, um hom em de terno carregando um a pasta. Deve ser um advogado. Ele bate os pés no chão.
— Está frio aqui fora — ele diz, com um sorriso apertado.
Sorrio de volta.
— Está m esm o. — Deve ser um advogado de defesa, que veio visitar seu cliente. — O senhor... hã... sabe com o isso funciona?
— Ah, é a prim eira vez? É sim ples. Você entra, apresenta sua identidade e passa pelos detectores de m etal. Meio com o se fosse entrar em um avião.
— Exceto que não se vai a lugar nenhum — pondero.
Ele olha para m im e ri.
— É, com certeza.
Um agente penitenciário aparece do outro lado da porta de vidro e vira a chave na fechadura.
— E aí, Joe — o advogado cum prim enta, e o agente resm unga um a resposta. — Viu os Bruins ontem à noite?
— Vi. Agora m e diga um a coisa: com o pode os Patriots e os Sox ganharem cam peonatos e os Bruins continuarem esse lixo?
Eu os sigo até um a cabine de controle, onde o agente entra. O advogado, então, lhe apresenta sua licença de m otorista, depois escreve algo em um a prancheta e entrega suas chaves ao agente. Em seguida, passa por um detector de m etal e continua por um corredor onde eu o perco de vista.
— Pois não, senhora? — o agente penitenciário diz.
— Vim visitar m eu filho. Jacob Hunt.
— Hunt. — Ele exam ina um a lista. — Ah, sim , Hunt. Certo. Ele chegou ontem à noite.
— Sim .
— Bem , a senhora ainda não foi aprovada.
— Para o quê?
— Para a visita. Provavelm ente vai estar tudo certo até sábado. Que é o dia de visitas m esm o.
— Sábado? — repito. — Você quer que eu espere até sábado?
— Desculpe, senhora. Até que estej a liberada, não há nada que eu possa fazer.
— Meu filho é autista. Ele precisa m e ver. Quando sua rotina é alterada, ele pode ficar incrivelm ente perturbado. Até violento.
— Então acho que é bom que ele estej a atrás das grades — o agente diz.
— Mas ele precisa dos rem édios dele... — Levanto as duas bolsas plásticas e as coloco sobre o balcão.
— Nossa equipe m édica pode adm inistrar os rem édios — o agente responde. — Eu lhe dou um form ulário para preencher com as inform ações.
— Há suplem entos dietéticos tam bém . E ele não pode com er glúten e caseína...
— Peça para o m édico dele entrar em contato com a adm inistração da prisão.
Só que a dieta e os suplem entos de Jacob não foram receitados por um m édico. Foram apenas dicas, com o centenas de outras, que m ães de autistas aprenderam ao longo dos anos e transm item a outras que se encontram no m esm o barco, com o algo que pode funcionar.
— Quando o Jacob sai da dieta, o com portam ento dele fica m uito pior...
— Talvez a gente devesse adotar essa dieta para todos os detentos, então — o agente diz. — Olha, eu sinto m uito, m as, se não houver um a recom endação m édica, não podem os passar para o preso.
Por acaso era culpa m inha se a com unidade m édica não endossava tratam entos com provados por pais de autistas? Se o dinheiro para pesquisas sobre autism o sem pre foi tão pouco que, m esm o que m uitos m édicos concordem que esses suplem entos de fato aj udam Jacob a m anter o foco ou am enizar sua hipersensibilidade, eles não podiam explicar cientificam ente a razão disso? Se eu tivesse esperado que m édicos e cientistas m e dissessem conclusivam ente com o aj udar m eu filho, ele ainda estaria trancado em seu próprio pequeno m undo com o quando tinha três anos, isolado e sem reação ao am biente externo.
Não m uito diferente, m e dou conta, de um a cela de prisão.
Lágrim as enchem m eus olhos.
— Não sei o que fazer.
Eu devo ter parecido prestes a desm oronar, porque a voz do agente penitenciário fica m ais gentil.
— Seu filho tem advogado? — ele pergunta.
Faço que sim com a cabeça.
— Pode ser um bom com eço — ele sugere.
Da coluna da Tia Em:
O que Sei Agora que Gostaria de Saber Antes de Ter Filhos:
1. Se você enfiar um pedaço de pão em um videocassete, ele não sairá intacto.
2. Sacos de lixo não funcionam com o paraquedas. 3. Seguro para crianças é um term o relativo. 4. Um acesso de birra é com o um ím ã: olhares não conseguem deixar de se fixar em você e em seu filho quando isso acontece. 5. Legos não são absorvidos pelo aparelho digestivo. 6. Neve é um grupo alim entar.
7. Crianças sabem quando você não está ouvindo o que elas falam . 8. Couve-de-bruxelas coberta com queij o continua sendo couve-de-bruxelas.
9. O m elhor lugar para chorar é nos braços de um a m ãe. 10. Você nunca será um a m ãe tão boa quanto quer ser.
De m eu carro, ligo para Oliver Bond.
— Eles não querem m e deixar ver o Jacob — digo.
Ao fundo, escuto um cachorro latindo.
— Certo.
— Certo? Não posso ver m eu filho e você acha que está tudo certo?
— Não, eu quis dizer certo com o em e o que mais? Não certo com o em ... Enfim , m e conte o que eles falaram .
— Eu não estou em um a tal lista de visitantes aprovados — grito. — Você acha que o Jacob faz ideia de que precisa avisar quem pode e quem não pode visitá-lo?
— Em m a — o advogado diz. — Respire fundo.
— Não posso respirar fundo. O Jacob não tem condições de ficar na cadeia.
— Eu sei. Sinto m uito que...
— Não sinta — interrom po. — Faça algum a coisa. Consiga que eu visite o m eu filho.
Ele fica em silêncio por um m om ento.
— Tudo bem — Oliver diz por fim . — Vou ver o que posso fazer.
Não posso dizer que sej a um a surpresa encontrar Theo em casa, m as estou tão m entalm ente esgotada que não tenho forças para perguntar por que ele está aqui e não na escola.
— Eles não m e deixaram ver o Jacob — digo.
— Por quê?
Em vez de responder, apenas sacudo a cabeça. Na luz am arelada de fim da m anhã, posso ver um princípio m uito fino de barba no rosto e no queixo de Theo. O que m e lem bra da prim eira vez em que notei que estavam crescendo pelos nas axilas de Jacob e isso m e deixou nervosa. Era um a coisa ter um a criança precisando tão intensam ente de m im , e outra ter que cuidar de um hom em adulto.
— Mãe? — Theo diz, hesitante. — Você acha que ele fez isso m esm o?
Sem pensar, viro um tapa com força no rosto dele.
Ele vai para trás, desequilibrado, com a m ão pressionando o rosto. Depois sai correndo pela porta da frente.
— Theo! — eu o cham o. — Theo! — Mas ele j á está no m eio do quarteirão.
Eu deveria segui-lo; deveria pedir desculpas. Deveria confessar que a razão de ter batido nele não foi o que ele disse, m as o fato de ter dado voz a todos os pensam entos inconfessáveis que venho tendo.
Será que eu acredito que Jacob é capaz de com eter um assassinato?
Não.
A resposta fácil, a reação por reflexo. É do m eu filho que estam os falando. Aquele que ainda m e pede para arrum ar seu cobertor à noite.
Mas tam bém m e lem bro de Jacob derrubando o cadeirão de Theo quando eu disse a ele que não podia tom ar m ais um copo de leite de soj a com chocolate. Lem bro de quando ele abraçou um ham ster até a m orte.
Mães devem ser as m aiores incentivadoras de seus filhos. Mães devem acreditar em seus filhos, haj a o que houver. Mães são capazes de m entir para si m esm as, se necessário, para fazer isso.
Saio e cam inho pela calçada, na direção em que Theo correu.
— Theo — cham o, m as m inha voz não parece m inha.
Rodei trezentos e dez quilôm etros hoj e com m eu carro, dirigindo até Springfield, de volta para casa e para cá outra vez. Às cinco e m eia da tarde, estou de novo no saguão da entrada dos visitantes na prisão, com Oliver Bond de pé ao m eu lado. Ele deixou um a m ensagem em m eu celular m e instruindo a encontrá-lo aqui, com a explicação de que havia conseguido um a visita especial para m im enquanto organizava os planos de visitas a longo prazo.
Fiquei tão feliz com a notícia que nem dei m uita atenção ao term o longo prazo.
Ao chegar, m al reconheço Oliver. Ele não está de terno, com o estava ontem , m as de j eans e cam isa de flanela. Isso o faz parecer ainda m ais j ovem . Olho para m inhas próprias roupas, que parecem algo que eu usaria em um a reunião da equipe no j ornal. O que m e fez pensar que tinha que m e arrum ar para vir à cadeia?
Oliver m e conduz até a cabine.
— Nom e? — o agente pergunta.
— Em m a Hunt — digo.
Ele levanta os olhos.
— Não, o nom e da pessoa que a senhora vai visitar.
— Jacob Hunt — Oliver intervém . — Obtivem os um a visita especial por m eio da superintendência.
O agente concorda com a cabeça e m e passa um a prancheta para que eu assine a ficha. Depois pede m inha identidade.
— Entregue as chaves para ele — Oliver orienta. — Ficarão aqui enquanto você estiver lá dentro.
Eu as passo ao agente penitenciário e depois atravesso o detector de m etais.
— Você não vem ?
Oliver sacode a cabeça.
— Vou esperar aqui.
Um segundo agente penitenciário chega e m e conduz pelo corredor. Mas, em vez de entrar em um a sala onde há m esas e cadeiras, ele vira no fim da parede e m e leva para um pequeno cubículo. A princípio, penso que é um arm ário, depois m e dou conta de que é um a cabine de visita. Um banquinho é colocado sob um a j anela que dá para um a im agem especular dessa saleta onde estou. Há um fone preso à parede.
— Acho que há algum engano — digo.
— Não há engano — o agente responde. — Apenas visitas sem contato são perm itidas para detentos sob custódia de proteção.
Ele m e deixa na salinha m inúscula. Será que Oliver sabia que eu não poderia ver Jacob de perto? Será que ele não m e contou porque sabia que isso ia m e perturbar ou porque nem ele tinha essa inform ação? E o que é custódia de proteção?
A porta do outro lado do vidro se abre e, de repente, Jacob está ali. O agente penitenciário que o trouxe aponta para o telefone na parede, m as Jacob m e vê através do vidro e pressiona as palm as abertas contra a j anela.
Há sangue em sua blusa e em seu cabelo. A testa está coberta por um a linha de contusões arroxeadas. Os nós dos dedos estão m achucados e ele está fazendo m ovim entos repetitivos com o um louco — a m ão se agita ao lado do corpo com o um pequeno anim al, o corpo inteiro sobe e desce sobre as pontas dos pés.
— Ah, m eu querido — m urm uro, apontando para o fone em m inha m ão e, em seguida, para o lugar onde deve estar o receptor dele.
Mas ele não o pega e apoia as palm as das m ãos novam ente contra o vidro que nos separa.
— Pegue o fone — grito, em bora ele não possa m e ouvir. — Pegue-o, Jacob!
Em vez disso, ele fecha os olhos, balança para a frente, apoia o rosto na j anela e estende os braços para os lados o m áxim o possível.
Percebo que ele está tentando m e abraçar.
Largo o fone e m e aproxim o da j anela. Im ito a posição dele, de m odo que som os espelhos um do outro, com um m uro de vidro entre nós.
Talvez isso sej a com o sem pre é para Jacob, que tenta se conectar com as pessoas e j am ais consegue de verdade. Talvez a m em brana entre alguém com Asperger e o resto do m undo não sej a um feixe invisível de elétrons em m ovim ento, m as um a partição através da qual se pode enxergar, m as que só perm ite a ilusão de sentim ento, e não o sentim ento real.
Jacob se afasta da j anela e senta no banco. Pego o fone, esperando que ele acom panhe m eu gesto, m as ele não está fazendo contato visual. Por fim , ele pega o receptor e, por um m om ento, vej o algo da alegria que costum ava se espalhar por seu rosto quando descobria algo surpreendente e vinha com partilhar a descoberta com igo. Ele vira o receptor nas m ãos e então o segura j unto à orelha.
— Vi isso em CrimeBusters. No episódio em que acabam descobrindo que o suspeito era um canibal.
— Oi, m eu am or — digo e m e esforço para sorrir.
Ele está balançando o corpo sobre o banco. Sua m ão livre, a que não está segurando o fone, flutua no ar com o se ele estivesse tocando um piano invisível.
— Quem m achucou você?
Ele leva os dedos hesitantem ente à testa.
— Mam ãe? Podem os ir para casa agora?
Sei precisam ente a últim a vez em que Jacob m e cham ou assim . Foi depois de sua form atura no fundam ental, aos catorze anos. Ele havia recebido um diplom a. Mamãe, ele disse, correndo para m e m ostrar. Os outros m eninos ouviram e caíram na risada. Jacob, provocaram , sua mamãe está aqui para levar você para casa. Tarde dem ais, ele aprendeu que, aos catorze anos, parecer descolado na frente dos am igos é m ais im portante do que o entusiasm o espontâneo.
— Logo — digo, m as a palavra sai com o um a pergunta.
Jacob não chora. Ele não grita. Apenas deixa o fone cair da m ão e abaixa a cabeça.
Estendo o braço autom aticam ente na direção dele e m inha m ão bate no vidro.
A cabeça de Jacob levanta alguns centím etros e cai. Sua testa bate no m etal do balcão. Então ele repete o gesto.
— Jacob! Não! — Mas, claro, ele não pode m e ouvir. Seu fone balança, pendurado no suporte de m etal, de onde caiu quando ele o soltou.
Ele continua batendo a cabeça, de novo e de novo. Abro a porta da cabine de visita. O agente que m e trouxe está de pé do lado de fora.
— Me aj ude! — grito, e ele olha sobre m eu om bro para ver o que Jacob está fazendo, depois corre para intervir.
Pela j anela da cabine de visita, vej o quando ele e um segundo agente seguram Jacob pelos braços e o puxam para longe da j anela. A boca de Jacob está torta, m as não sei dizer se ele está gritando ou soluçando. Seus braços são segurados atrás do corpo para que ele possa ser algem ado e, então, um dos agentes o em purra por trás para fazê-lo andar.
Esse é o m eu filho, e eles o estão tratando com o um crim inoso.
O agente penitenciário retorna pouco depois, para m e levar de volta ao saguão.
— Ele vai ficar bem — diz. — A enferm eira lhe deu um sedativo.
Quando Jacob era m ais novo e m ais suj eito a acessos, um m édico lhe receitou olanzapina, um antipsicótico. Isso o livrou dos acessos. Tam bém o livrou de sua personalidade, ponto. Eu o encontrava sentado no chão do quarto com um sapato calçado e o outro ainda ao lado dele, o olhar vazio, fixo na parede. Quando ele com eçou a ter convulsões, tiram os o rem édio e nunca m ais experim entam os nenhum outro.
Im agino Jacob deitado de costas no chão de um a cela, com as pupilas dilatadas e sem foco, entrando e saindo do estado de consciência.
Assim que chego ao saguão, Oliver se aproxim a com um largo sorriso no rosto.
— Com o foi? — ele pergunta.
Abro a boca para responder e desabo a chorar.
Eu brigo pela educação especial de Jacob e luto para segurá-lo no chão quando ele perde o controle em um lugar público. Moldei m inha vida em torno de fazer o que precisa ser feito, porque, por m ais que se grite e esperneie, no fim , quando term ina, continua-se enfiada até os tornozelos na m esm a situação. Sou eu quem é forte, para que Jacob não precise ser.
— Em m a — Oliver diz, e im agino que estej a tão constrangido quanto eu por m e ver soluçando na sua frente. Mas, para m inha surpresa, ele m e envolve em um abraço e afaga m eus cabelos. Mais surpreendentem ente ainda... por um m om ento, eu perm ito.
Isso é o que não se pode explicar para um a m ãe que não tem um filho autista: claro que am o m eu filho. Claro que j am ais ia querer um a vida sem ele. Mas isso não significa que eu não estej a exausta a cada m inuto do dia. Que não m e preocupe com o futuro dele, e com a falta de um para m im . Que às vezes, antes que possa evitar, eu im agine com o m inha vida teria sido se Jacob não tivesse Asperger. Que, com o Atlas, eu pense que seria bom , um a única vez, ter alguém para suportar o peso do m undo de m inha fam ília sobre os om bros no m eu lugar.
Por cinco segundos, Oliver Bond se torna essa pessoa.
— Desculpe — digo, afastando-m e dele. — Molhei toda a sua cam isa.
— É, essa flanela é m uito delicada. Vou acrescentar a conta da lavanderia em m eus honorários. — Ele vai até a cabine de controle e pega de volta m inha identidade e m inhas chaves, depois m e acom panha ao sair. — Bem ... o que aconteceu lá dentro?
— O Jacob se m achucou. Ele deve estar batendo a cabeça em algum a coisa. A testa dele está cheia de m anchas roxas e havia curativos e sangue. Ele com eçou a fazer isso de novo agora m esm o, na cabine de visita, e lhe deram um tranquilizante. Não querem lhe dar os suplem entos e eu não sei o que ele está com endo, se está com endo, e... — Paro e o olho de frente. — Você não tem filhos, não é?
Ele enrubesce.
— Eu? Filhos? Hã... não.
— Vi m eu filho ir em bora um a vez, Oliver. Lutei m uito para trazê-lo de volta e não vou deixá-lo ir de novo. Se Jacob tiver capacidade de enfrentar um j ulgam ento, não terá m ais depois de duas sem anas nessa situação. Por favor — im ploro —, você não pode fazer nada para tirá-lo daqui?
Oliver olha para m im . No ar frio, sua respiração tom a form a entre nós dois.
— Não — diz ele. — Mas acho que você pode.