Um Mundo à Parte
Rich
Enquanto deixo Mark Maguire rem oer a própria consciência por alguns m inutos, pego um copo de café na sala de descanso e verifico m eu correio de voz. Tenho três novas m ensagens. A prim eira é de m inha ex, m e lem brando que am anhã é a noite de atividades abertas na escola de Sasha, um evento que, pelo j eito, vou ter que perder outra vez. A segunda é de m eu dentista, confirm ando um a consulta. E a terceira é de Em m a Hunt.
— Em m a — digo, retornando a ligação. — Você m e ligou?
— Eu... eu vi que vocês encontraram a Jess. — A voz dela está rouca, cheia de lágrim as.
— Sim . Sinto m uito. Sei que vocês eram próxim as.
Ouço soluços do outro lado da linha.
— Você está bem ? — pergunto. — Precisa de algum a aj uda?
— Ela estava enrolada em um a colcha — Em m a diz, arfando.
Às vezes, quando se faz o que eu faço com o trabalho, é fácil esquecer que, depois que arquivam os um caso, há pessoas que sofrem com os efeitos pelo resto da vida. Elas se lem brarão de um pequeno detalhe sobre a vítim a: um sapato perdido no m eio da estrada, a m ão ainda segurando um a Bíblia ou, nesse caso, a j ustaposição entre ser ternam ente enrolada em um a colcha e ser assassinada. Mas não há nada que eu possa fazer por Jess Ogilvy agora, exceto levar à j ustiça a pessoa que a m atou.
— Essa colcha — Em m a soluça — é do m eu filho.
Congelo no ato de m isturar o crem e no café.
— Do Jacob?
— Eu não sei... não entendo o que isso significa...
— Em m a, escute. Pode não significar nada. Ou então o Jacob deve ter um a explicação.
— O que eu faço? — ela chora.
— Nada — digo a ela. — Deixe com igo. Você pode trazê-lo aqui?
— Ele está na escola...
— Depois da escola — respondo. — E, Em m a, fique calm a. Nós vam os descobrir o que aconteceu.
Assim que desligo, pego m eu copo cheio de café e o despej o na pia; isso m ostra com o fiquei perturbado. Jacob Hunt adm itiu ter estado na casa. Estava com um a m ochila cheia de roupas de Jess Ogilvy. Foi a últim a pessoa que a teria visto viva.
Jacob pode ter síndrom e de Asperger, m as isso não elim ina a possibilidade de ele ser um assassino.
Penso nas negações taxativas de Mark Maguire de ter m achucado sua nam orada, em suas m ãos sem ferim entos, em seu choro. Então penso em Jacob Hunt, que lim pou a casa de Jess quando o local parecia ter sido um palco de vandalism o. Teria deixado de m encionar o detalhe intrínseco de ter sido ele quem causou a destruição?
Por um lado, tenho um nam orado que é um cafaj este, m as que está sofrendo. Tenho as m arcas de sua bota do lado de fora da j anela com a tela cortada.
Por outro lado, tenho um garoto que é obcecado por análises de cenas de crim e. Um garoto que não gosta de Mark Maguire. Um garoto que saberia com o pegar um assassinato e fazer parecer que Mark Maguire o houvesse com etido e, depois, tentar encobrir seus rastros.
Tenho um garoto com um histórico de aparecer em cenas de crim e.
Tenho um hom icídio e tenho um cobertor que liga Jacob Hunt a ele.
A linha entre ser um observador e um participante é quase invisível; pode-se cruzá-la antes m esm o de perceber que se pisou nela.